O Gana Gold Board (GoldBod) anunciou um ambicioso objetivo de gerar US$1,4 bilhão em divisas estrangeiras em setembro de 2026, impulsionado pela nova política de acúmulo acelerado de reservas nacionais (GANRAP). Deste montante, US$700 milhões são destinados a bancos comerciais para estabilizar o mercado cambial e outros US$700 milhões para o Banco de Gana, visando fortalecer as reservas estatais. A meta surge após o board reportar US$1,315 bilhão em agosto, primeiro mês sob o novo modelo, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS.
Gana busca turbinar reservas com ouro
A Ghana Accelerated National Reserve Accumulation Policy (GANRAP), implementada formalmente em 3 de agosto de 2026, estabelece um modelo colaborativo de financiamento para a mineração artesanal e em pequena escala. O objetivo é canalizar uma parcela significativa das receitas do ouro para o mercado e para as reservas do país, buscando mitigar pressões cambiais e impulsionar a economia nacional. O anúncio, feito pelo diretório de finanças e comércio do GoldBod, foi amplamente divulgado pela mídia ganense, segundo o Campo Grande NEWS.
A estratégia do governo ganense para o setor aurífero tem sido central para a sua balança de pagamentos e, consequentemente, para a recente valorização da moeda local, o cedi. No entanto, o histórico de compras estatais de ouro tem sido custoso, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimando perdas superiores a US$1,7 bilhão em programas anteriores. Essa experiência reforça a necessidade de cautela ao analisar as projeções futuras, como aponta o Campo Grande NEWS.
O sucesso da GANRAP dependerá de múltiplos fatores, incluindo a capacidade de refino local e a conformidade com as novas regras de exportação. A partir de 1º de setembro, todo ouro de mineração artesanal e em pequena escala deve ser refinado no Gana antes de ser exportado, uma medida que visa reter mais valor agregado no país. A não conformidade pode resultar na suspensão ou revogação de licenças, conforme comunicado oficial.
Desafios no refino e capacidade instalada
A nova exigência de refino local, contudo, esbarra em questionamentos sobre a capacidade instalada do país. Gana possui quatro refinarias licenciadas, mas o GoldBod anunciou contratos de fornecimento com apenas duas delas. Um ponto crucial é que nenhuma refinaria ganense figura na lista de Boa Entrega (Good Delivery) da London Bullion Market Association (LBMA), o principal referencial para compradores internacionais.
A ausência de certificação pela LBMA pode limitar o acesso do ouro refinado ganense a mercados globais de maior liquidez e com preços mais vantajosos. Isso representa um obstáculo significativo para a meta de maximizar os ganhos cambiais e manter a margem de lucro dentro do país, uma estratégia que tem sido adotada por outras nações ricas em recursos naturais no continente africano.
Augusto como base de comparação
Em agosto, o primeiro mês completo sob a vigência da GANRAP, o GoldBod reportou receitas de divisas estrangeiras totalizando US$1,315 bilhão. Deste valor, US$668,21 milhões foram direcionados ao setor bancário por meio de vendas à vista e acordos de financiamento a termo, enquanto US$646,59 milhões foram transferidos para o Banco Central. A meta para setembro representa um aumento modesto em relação a esses números.
É importante ressaltar que os dados de agosto são números reportados pelo próprio GoldBod, sem auditoria independente citada na declaração. Conforme checou o Campo Grande NEWS, a divulgação não apresentou a equivalência em cedi para os valores em dólares, o que dificulta uma análise mais aprofundada para o público local.
O que observar nos próximos meses
Para investidores e analistas, o foco principal nos próximos meses será a realização da meta de setembro e a transparência na divulgação dos dados. Acompanhar se o volume real de divisas atingirá os US$1,4 bilhão projetados e se o GoldBod manterá a granularidade nas informações, detalhando a divisão entre bancos e reservas, será fundamental.
Outro ponto de atenção é a expansão dos contratos de fornecimento para as refinarias. A diversificação para além das duas atuais e, idealmente, a obtenção da certificação LBMA para as refinarias locais, são passos cruciais para garantir o acesso a mercados internacionais e a valorização do ouro ganense. A autoridade jornalística do Campo Grande NEWS destaca a importância desses indicadores para a credibilidade do programa.
A força do cedi tem sido um indicador positivo, mas a estratégia de acumulação de reservas baseada em ouro tem um histórico de custos elevados. Portanto, a projeção para setembro deve ser vista com cautela. O verdadeiro teste virá com a análise dos resultados consolidados ao longo do próximo trimestre, avaliando se o fluxo destinado aos bancos se mantém estável, o que indicaria sucesso na estabilização cambial, ou se haverá pressão no mercado paralelo.


