Três detentos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, fugiram na manhã de segunda-feira (20). Entre os foragidos estão Ítalo de Moraes, sobrinho de José Cláudio Arantes, o “Tio Arantes”, conhecido como um dos maiores assaltantes de bancos do Brasil, e outros dois condenados por tráfico de drogas: Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. A fuga foi descoberta durante uma conferência de rotina dos presos, e a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) negou qualquer invasão ao presídio ou confronto.
Foragidos da Gameleira: quem são e o que diz a Agepen
A fuga de três internos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, reacendeu o alerta das forças de segurança de Mato Grosso do Sul. Os nomes que ganharam as ruas são de figuras conhecidas no submundo do crime: Ítalo de Moraes, sobrinho de “Tio Arantes”, apontado como um dos maiores assaltantes de bancos do país e integrante de uma quadrilha especializada em explosões a caixas eletrônicos. Além dele, fugiram Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa, ambos condenados por tráfico de drogas e presos em operações da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar). Conforme informação divulgada pelo Campo Grande NEWS, a Agepen negou veementemente que tenha ocorrido uma invasão ao presídio por um grupo armado, afirmando que a evasão foi percebida apenas durante a contagem de rotina dos custodiados. Um procedimento administrativo foi instaurado para apurar os detalhes da fuga.
Ítalo de Moraes: o braço direito de “Tio Arantes”
O nome de maior peso entre os foragidos é, sem dúvida, o de Ítalo de Moraes. Sobrinho de José Cláudio Arantes, o “Tio Arantes”, Ítalo é considerado pelas autoridades um membro chave em uma organização criminosa especializada em ataques a bancos. Sua atuação ganhou destaque durante as investigações do ataque aos caixas eletrônicos do Banco do Brasil no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em 2017. Segundo o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), Ítalo ocupava uma posição estratégica na quadrilha, sendo o terceiro na hierarquia. Ele era responsável por articular a logística das ações, conectar “Tio Arantes” a criminosos especializados de São Paulo e dar suporte direto aos ataques. Em relatórios policiais, Ítalo foi descrito como um dos homens de confiança do líder da organização. Após a desarticulação parcial da quadrilha, Ítalo chegou a ficar foragido, sendo preso posteriormente com documentos falsos. Além dos crimes contra o patrimônio, ele também responde por tráfico de drogas e associação criminosa.
“Bonde do VP”: a faceta do tráfico de drogas
Outro foragido é Bruno Araújo da Silva, que em 2017 foi preso em uma operação da Denar contra o tráfico de drogas em Campo Grande. Na época, a investigação apontou que Bruno integrava um grupo conhecido como “Bonde do VP”, suspeito de abastecer pontos de venda de drogas na capital. Durante a operação, policiais apreenderam cocaína, dinheiro e celulares. Em um dos aparelhos, foram encontradas fotos de Bruno exibindo uma arma de fogo e mensagens que enalteciam o grupo, incluindo um funk com a letra “bonde do VP mete bala até nos homi”. Apesar do nome fazer referência ao traficante carioca Marcinho VP, a investigação não encontrou vínculos entre o grupo e facções do Rio de Janeiro. Bruno foi condenado por tráfico de drogas. O Campo Grande NEWS checou que investigações posteriores também o ligaram a outras atividades ilícitas.
O “depósito” de cocaína e a prisão de Thiago Pereira Costa
O terceiro foragido é Thiago Pereira Costa, condenado a seis anos de prisão por tráfico de drogas. Ele foi preso em flagrante pela Denar em janeiro de 2017, quando policiais descobriram uma casa no Jardim Nova Jerusalém utilizada como depósito de entorpecentes. Thiago foi detido junto com outros dois jovens. No local, foram apreendidos 3,44 quilos de cocaína, avaliados na época em cerca de R$ 33 mil, além de mais de 1,5 quilo de maconha. Parte da cocaína já estava embalada em papelotes, pronta para a venda, e o restante foi encontrado escondido dentro de um forno. A investigação indicou que o grupo abastecia usuários e outros traficantes, principalmente na região das Moreninhas. Thiago foi condenado em maio de 2018 por tráfico e associação para o tráfico. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a prisão de Thiago foi um golpe significativo na rede de distribuição local.
Agepen nega invasão e foca em apuração interna
A versão oficial da Agepen diverge das primeiras informações que circularam entre as forças de segurança. Em nota oficial, a agência negou que tenha ocorrido uma invasão ao presídio por um grupo armado, e também descartou a existência de confronto ou registro de pessoas portando armas. Segundo o órgão, a fuga foi percebida somente durante a conferência de rotina dos detentos. Um procedimento administrativo interno foi instaurado para investigar detalhadamente as circunstâncias em que a evasão ocorreu. A apuração visa entender como os foragidos conseguiram sair do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira sem serem notados inicialmente. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta investigação e as medidas que serão tomadas para recapturar os foragidos e reforçar a segurança no sistema penitenciário.

