Foragido por estupro mata namorada no RJ e é achado morto na cela

Suspeito era foragido por crime contra ex-namorada

Um caso de feminicídio no Rio de Janeiro revelou uma teia de violência e um histórico de crimes. Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, de 35 anos, foi preso em flagrante na última quarta-feira (22) como o principal suspeito pela morte da namorada, a modelo e influenciadora Ana Luiza Mateus Souza, de 29 anos. Horas após sua prisão, ele foi encontrado morto em sua cela.

O que agrava o caso é que Endreo não era um desconhecido da polícia. Ele era considerado foragido da Justiça de Mato Grosso do Sul, onde respondia por crimes graves contra uma ex-companheira. O mandado de prisão preventiva havia sido expedido a pedido do Ministério Público após denúncias de agressão, estupro e cárcere privado.

A investigação, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, mostra que o suspeito conseguiu escapar por meses, iniciando um novo relacionamento que terminou de forma trágica. A morte de Ana Luiza, que caiu do 13º andar de um prédio na Barra da Tijuca, expôs a falha em deter um agressor em série.

Histórico de violência e fuga

A ficha criminal de Endreo em Mato Grosso do Sul é extensa. Uma ex-namorada o denunciou à Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) em outubro do ano passado. Em seu relato, ela afirmou ter sido mantida em cárcere privado por 24 horas, período no qual foi forçada a manter relações sexuais, enforcada com um cinto e agredida no rosto, resultando em uma fratura comprovada por laudos médicos.

Apesar da gravidade das acusações, Endreo foi preso, mas liberado pouco tempo depois. A vítima continuou a receber ameaças, o que levou o Ministério Público a solicitar sua prisão preventiva em novembro. Desde então, ele era oficialmente um foragido. Todos os pedidos de habeas corpus feitos por sua defesa foram negados pela Justiça, segundo checagem do Campo Grande NEWS.

A ‘gaiola de ouro’ no Rio de Janeiro

Após fugir, Endreo se estabeleceu no Rio de Janeiro. Foi durante o Carnaval deste ano que ele conheceu Ana Luiza Mateus Souza em um camarote na Sapucaí. O relacionamento, que durou cerca de três meses, era visto com desconfiança por amigos da modelo baiana.

Um amigo de infância, João da Cruz Neto, relatou que a jovem parecia estar vivendo uma “gaiola de ouro”. Ela diminuiu o contato com amigos e familiares e, em uma conversa com uma amiga, confessou se sentir presa. A situação chegou ao limite na noite da tragédia.

O pedido de socorro e o fim trágico

Na noite de sua morte, Ana Luiza conseguiu ligar para a mãe após uma briga intensa com Endreo. “Eles brigaram muito, ele saiu do apartamento. Quando ele saiu, ela ligou para a mãe e contou tudo. A mãe mandou comprar passagem e voltar na hora”, contou o amigo.

Desesperada, a modelo comprou uma passagem para as 6h da manhã seguinte e enviou fotos à amiga mostrando hematomas nas pernas. “Ela mandou foto das pernas machucadas. Falou do cárcere privado, que ele estava batendo nela”, afirmou João. A crença era que Endreo não voltaria ao apartamento naquela noite.

No entanto, o agressor retornou. Acredita-se que, ao encontrar as malas de Ana Luiza prontas, uma nova e fatal discussão tenha começado. Preso, Endreo não confessou o assassinato, mas admitiu culpa pela morte, descrevendo ao delegado Renato Martins um cenário de extrema violência psicológica e moral contra a vítima momentos antes da queda.

Morte na cela encerra o caso

Horas após ser levado para a delegacia, Endreo Lincoln Ferreira da Cunha foi encontrado morto na cela. As investigações preliminares, de acordo com o portal Campo Grande NEWS, indicam que ele teria usado a própria bermuda para se enforcar, configurando um aparente suicídio.

Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, não se cale. A Central de Atendimento à Mulher, no número 180, funciona 24 horas e oferece acolhimento e orientação. Em situações de risco imediato, ligue para a Polícia Militar no 190. Sua denúncia pode salvar uma vida.