Flávio encerra campanha em ‘ninho’ de facções, milícia e bicho no RJ

Guerra de facções marca ato final

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) realizou seu último ato de campanha para o primeiro turno em uma das áreas mais conflagradas do Rio de Janeiro. A escolha de Campo Grande e Bangu, na Zona Oeste, para o encerramento das atividades coloca o político no epicentro de uma complexa e violenta teia de organizações criminosas que disputam o controle do território e da população local. A região é historicamente um campo de batalha entre facções do tráfico, milicianos e contraventores do jogo do bicho.

Durante sua campanha, uma das principais promessas de Flávio foi a de endurecer o combate a esses grupos. Ele defendeu publicamente a classificação de facções e milícias como organizações terroristas, uma medida que alinharia o Brasil a políticas de segurança adotadas por países como os Estados Unidos. A proposta ganha um simbolismo ainda maior ao ser defendida justamente na área onde esses grupos impõem sua lei.

A complexidade do cenário local, conforme o Campo Grande NEWS checou, é um desafio para qualquer governante. Moradores vivem sob constante tensão, em meio a alianças e confrontos que redefinem fronteiras invisíveis e ditam as regras do dia a dia. A escolha do local para o ato político não passou despercebida, gerando debates sobre a mensagem que o candidato quis transmitir.

O mapa do crime na Zona Oeste

A região de Campo Grande e Bangu é um verdadeiro mosaico do crime organizado no Rio de Janeiro. Investigações e relatos de pesquisadores apontam para a atuação de praticamente todos os grandes grupos criminosos do estado. O Comando Vermelho (CV), por exemplo, tem intensificado suas ações para retomar territórios que perdeu para milicianos ou para expandir sua influência na área.

Em resposta, os grupos paramilitares, conhecidos como milícias, formaram alianças estratégicas. Parte deles se uniu ao Terceiro Comando Puro (TCP) em uma tentativa de conter o avanço do CV, criando uma guerra de facções com episódios de extrema violência. Somando-se a esse cenário, a facção Amigos dos Amigos (ADA), hoje com atuação mais restrita ao entorno de Padre Miguel, iniciou recentemente uma aliança com o CV.

O poder paralelo do Jogo do Bicho

Além do tráfico e da milícia, a Zona Oeste é o berço de uma das mais poderosas organizações de contravenção do país. Historicamente ligada ao bicheiro Castor de Andrade, a região é considerada o principal território de seu sobrinho, Rogério de Andrade. Apontado como o bicheiro mais influente do Rio atualmente, ele está preso desde outubro de 2024.

A Polícia Federal (PF) já chegou a classificar o jogo do bicho como a organização criminosa mais violenta do estado, com uma estrutura e métodos de atuação comparáveis aos de máfias internacionais. O Campo Grande NEWS apurou que o poder desses grupos vai muito além da exploração de jogos de azar, envolvendo extorsão, lavagem de dinheiro e homicídios.

Simbolismo no fim da campanha

O encerramento da campanha de Flávio na Zona Oeste contrasta com seu início. O primeiro ato, em 16 de agosto, ocorreu na turística praia de Copacabana, na Zona Sul. O último, por sua vez, foi realizado perto da Vila Militar, local onde seu pai, Jair Bolsonaro, costumava votar antes de ser preso em Brasília, condenado por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado.

A escolha de um território dominado pelo crime para o ato final pode ser interpretada de várias maneiras. Para apoiadores, representa a coragem de enfrentar o problema de frente. Para críticos, pode ser vista como uma provocação ou uma tentativa de capitalizar politicamente sobre a complexa situação da segurança pública no Rio, como analisado pelo Campo Grande NEWS.