A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil). Esta pesquisa é considerada uma das mais abrangentes sobre o envelhecimento no país, disponibilizando cerca de 100 indicadores de saúde para pessoas com 60 anos ou mais. Os dados revelam que o envelhecimento no Brasil envolve desafios que vão muito além da ausência de doenças, destacando a influência de fatores urbanos, sociais e estruturais na qualidade de vida dessa parcela da população.
Conforme informação divulgada pela Fiocruz, a iniciativa inédita conta com uma plataforma online para acesso a informações sobre condições de vida, funcionalidade, ambiente social e acesso a políticas públicas. Estes dados são cruciais para a formulação de políticas públicas eficazes e para a compreensão aprofundada das necessidades da população idosa brasileira, conforme o Campo Grande NEWS checou.
A pesquisa evidencia que o ambiente urbano e a segurança são determinantes significativos para a saúde e o bem-estar dos idosos. Fatores como a infraestrutura das cidades impactam diretamente a mobilidade e a autonomia, enquanto a insegurança gerada pela violência e criminalidade causa medo e vulnerabilidade social.
Medo de Cair e Insegurança Urbana: Desafios nas Cidades
Um dos aspectos alarmantes revelados pelo estudo é a percepção do ambiente urbano por parte dos idosos. Cerca de 42,7% dos idosos em áreas urbanas relatam medo de cair devido a condições precárias de calçadas, passeios ou vias públicas. Este percentual, que atinge 50,5% entre as mulheres e aumenta com a idade, sublinha um problema estrutural que compromete a mobilidade, a autonomia e a participação social da população idosa.
A coordenadora do Elsi-Brasil, Maria Fernanda Lima-Costa, ressalta a urgência de políticas públicas voltadas para a adaptação das cidades. “Os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades para uma população cada vez mais envelhecida, incluindo acessibilidade, segurança viária, mobilidade e planejamento urbano inclusivo”, avalia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a segurança é outro ponto crítico, com 12,1% dos idosos considerando sua vizinhança muito insegura em relação à violência e criminalidade, o que representa aproximadamente 3,8 milhões de pessoas vivendo em contextos de medo e vulnerabilidade.
Hipertensão Arterial: Um Desafio de Saúde Pública
A hipertensão arterial sistêmica continua sendo uma das condições de saúde mais prevalentes entre os idosos. A pesquisa identificou que 34,4% dos idosos apresentam níveis de pressão arterial compatíveis com hipertensão (14 por 9 ou acima), o que equivale a cerca de 11 milhões de brasileiros que necessitam de acompanhamento clínico. Essa condição, que aumenta progressivamente com a idade, pode levar a desfechos graves como infarto, AVC e insuficiência renal.
A prevalência da hipertensão é de 31,9% entre 60 e 69 anos, chegando a 40,1% entre os com 80 anos ou mais. Os pesquisadores enfatizam a importância do rastreamento regular e do fortalecimento da atenção primária para evitar o subdiagnóstico e as complicações. A falta de sintomas aparentes da hipertensão torna o monitoramento constante essencial para a prevenção.
Perda de Capacidade Funcional e a Necessidade de Apoio
A perda da capacidade funcional é outro eixo central do estudo. 20,4% dos idosos brasileiros apresentam dificuldade em realizar ao menos uma atividade básica da vida diária, como se vestir, tomar banho ou levantar da cama. Essa limitação afeta cerca de 6,5 milhões de pessoas, impactando sua autonomia e sobrecarregando familiares e sistemas de saúde.
A limitação funcional é mais comum entre mulheres (23,1%) do que entre homens (17%) e aumenta drasticamente com a idade, atingindo 44,2% entre aqueles com 80 anos ou mais. Um dado preocupante é que, entre os idosos com dificuldades, apenas 37,9% recebem ajuda, evidenciando uma lacuna significativa na rede de apoio. Conforme o Campo Grande NEWS checou, somente 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido treinamento, o que aponta para a necessidade urgente de políticas de cuidado de longa duração e qualificação de cuidadores.
O Papel Essencial do SUS e da Estratégia Saúde da Família
A pesquisa reafirma o papel central do Sistema Único de Saúde (SUS) no cuidado da população idosa brasileira. Cerca de dois terços das pessoas com 60 anos ou mais têm o SUS como única fonte de atenção à saúde. A Estratégia Saúde da Família (ESF), por sua vez, vincula 69,2% dos idosos, o que representa aproximadamente 22,2 milhões de pessoas.
“Os dados reforçam evidências de que o SUS e a ESF constituem estruturas essenciais para a promoção do envelhecimento saudável, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas”, afirma a coordenadora do Elsi-Brasil. A plataforma online do Elsi-Brasil, lançada com os resultados da terceira onda, oferece um painel de indicadores para apoiar pesquisadores, gestores e a sociedade civil no monitoramento das condições de vida e necessidades da população idosa, alinhado à Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) das Nações Unidas.


