Trabalhadores, lideranças sindicais e movimentos sociais se reuniram em Campo Grande para exigir o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil. O ato, que contou com a presença do vereador Landmark Rios (PT), reivindicou “mais horas para viver”, criticando a atuação de parlamentares que se opõem a essas pautas.
Mais tempo para viver, menos para trabalhar
A mobilização, realizada em um cruzamento movimentado da capital sul-mato-grossense, reuniu representantes de importantes entidades como a Central Única dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul (CUT-MS) e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada de Mato Grosso do Sul (Sinticop-MS). Faixas com o lema “mais horas para viver” e críticas a parlamentares da extrema-direita que atuam contra a redução da jornada e a ampliação de direitos trabalhistas marcaram o evento.
Durante a manifestação, relatos de trabalhadores expuseram o profundo desgaste físico e emocional provocado pela escala de trabalho atual. A principal demanda é por mais tempo para a convivência familiar, descanso adequado e, consequentemente, melhor qualidade de vida. “É puxado. A gente trabalha seis por um e acaba pagando o sábado durante a semana. Se mudasse para uma escala melhor, teria mais tempo para a família, para descansar, para viver também”, desabafou Ademilson Pereira, 56 anos, funcionário da indústria, evidenciando a exaustão sentida pela categoria.
O presidente do Sinticop-MS, Walter Vieira, apontou que a resistência histórica à redução da jornada de trabalho vem de setores empresariais que priorizam o lucro. “O capital sempre vai tentar manter seus interesses. Toda vez que surge uma pauta para melhorar a vida do trabalhador aparece esse discurso de que vai quebrar o comércio ou a indústria. Mas isso nunca se confirma”, declarou Vieira, ressaltando que a preocupação com a sustentabilidade do negócio muitas vezes se sobrepõe ao bem-estar dos empregados.
Vieira ainda reforçou que experiências internacionais demonstram um caminho diferente, onde jornadas mais equilibradas resultam em aumento de produtividade e melhor qualidade de vida. “Um trabalhador com mais tempo de descanso e convivência social produz mais e trabalha melhor”, completou, defendendo que o investimento no bem-estar do funcionário é um caminho inteligente para as empresas.
Em consonância, o presidente da CUT-MS, Vilson Gregório, criticou a postura de parte do Congresso Nacional, que, segundo ele, atua para impedir avanços nos direitos trabalhistas. “Quando surge uma pauta voltada para o trabalhador, o papel deles é dificultar. A direita não trabalha em favor do trabalhador, trabalha em favor do patrão”, afirmou Gregório, demonstrando a polarização política em torno das questões trabalhistas.
Gregório também se manifestou contra declarações recentes de representantes empresariais que compararam trabalhadores a animais de produção. “Isso mostra como parte do empresariado enxerga o trabalhador, apenas como lucro. Não pensam na saúde mental, na família e na qualidade de vida das pessoas”, lamentou, destacando a desumanização presente em certas visões corporativas, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Landmark critica deputados contrários à redução da jornada
Durante o ato, o vereador Landmark Rios (PT) direcionou críticas a deputados federais que apresentaram propostas para ampliar a carga horária semanal e adiar o debate sobre a redução da jornada. Landmark enfatizou a falta de compromisso desses parlamentares com a classe trabalhadora brasileira.
“Esses deputados não têm compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Estão tentando jogar essa discussão para daqui dez anos enquanto milhões de pessoas seguem adoecendo com jornadas exaustivas”, declarou o vereador, ressaltando a urgência da pauta para a saúde e bem-estar dos trabalhadores.
O parlamentar rebateu o argumento de que a redução da jornada prejudicaria o comércio e a indústria, reforçando a ideia de que um trabalhador mais motivado e com melhor qualidade de vida é mais produtivo. “O trabalhador mais motivado, com mais disposição e qualidade de vida produz mais. O trabalhador não pode ser tratado como máquina”, concluiu Landmark, defendendo um tratamento mais humano e produtivo para os empregados, como apurado pelo Campo Grande NEWS.
A luta pela redução da jornada de trabalho e pelo fim de escalas exaustivas como a 6×1 ganha força em Campo Grande, impulsionada por vozes como a do vereador Landmark Rios e de representantes sindicais, que buscam garantir “mais horas para viver” e uma vida mais digna para os trabalhadores brasileiros. A discussão, que envolve o futuro dos direitos trabalhistas, segue aquecida e aponta para a necessidade de um debate mais aprofundado sobre o modelo de trabalho no país, conforme o Campo Grande NEWS documenta.

