Ferro-velho em Campo Grande vendia até semáforo e trilho de trem

Depósito ilegal choca moradores da região

Uma operação de inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro resultou na prisão de um homem e na descoberta de um verdadeiro cemitério de bens públicos em Campo Grande. Em um ferro-velho que operava ilegalmente, os agentes encontraram quase duas toneladas de materiais sem qualquer comprovação de origem, incluindo itens que deveriam estar servindo à população nas ruas. A ação expôs um esquema de receptação que causava prejuízos diretos à cidade e aos seus moradores, conforme informações divulgadas pelo portal R7.

A investigação, conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), mirava locais suspeitos de comercializar produtos de furto na Zona Oeste. Ao chegarem ao estabelecimento na região da Carobinha, os policiais se depararam com um cenário surpreendente. O volume de material público armazenado de forma irregular era imenso, levantando sérias questões sobre a rede criminosa por trás do esquema.

O proprietário do local, identificado como Rubemar José Alves, foi preso em flagrante e agora responderá por crimes graves. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a ação policial foi um duro golpe contra a criminalidade que afeta diretamente a infraestrutura urbana e a segurança da população local.

Itens apreendidos vão de placas a trilhos de trem

Durante a vistoria no ferro-velho, os agentes da DRF encontraram uma variedade impressionante de itens furtados. Foram apreendidas mais de 400 placas de sinalização de trânsito, muitas delas em bom estado de conservação. Além das placas, a polícia localizou semáforos da CET-Rio, trilhos de trem pertencentes à concessionária MRS, hidrantes, bueiros e uma grande quantidade de fios de cobre.

Segundo a Polícia Civil, parte significativa dos objetos foi subtraída da Prefeitura do Rio de Janeiro e de outras empresas que prestam serviços públicos essenciais. A remoção desses itens das ruas não só gera um enorme prejuízo financeiro, mas também coloca a vida das pessoas em risco, seja pela falta de sinalização no trânsito ou pela interrupção de serviços básicos.

Funcionamento ilegal e ‘gato de luz’

Além da posse do material roubado, o próprio funcionamento do estabelecimento era completamente irregular. Os policiais constataram que o ferro-velho não possuía licença ou qualquer tipo de autorização dos órgãos competentes para operar. Para agravar a situação, o local era abastecido por uma ligação clandestina de energia elétrica, popularmente conhecida como “gato de luz”.

Essa prática, além de ser crime de furto, representa um grande perigo, com alto risco de incêndios e acidentes. A descoberta reforça o caráter clandestino de toda a operação mantida por Rubemar, que lucrava à custa de bens que pertencem a toda a sociedade.

Dono alegou doação, mas não apresentou provas

Questionado pelos agentes sobre a origem dos materiais, Rubemar José Alves apresentou uma justificativa que não se sustentou. Ele alegou que havia recebido todos os itens, incluindo os semáforos e as placas, como uma doação da própria CET-Rio. No entanto, quando solicitado a apresentar qualquer documento que comprovasse a transação, ele não conseguiu fornecer nenhuma prova.

A falta de documentação foi crucial para a sua prisão em flagrante por receptação qualificada e furto qualificado. O Campo Grande NEWS checou que a ausência de notas fiscais ou termos de doação é um forte indicativo da origem ilícita dos produtos em ferros-velhos.

Após a realização dos procedimentos legais na delegacia, o preso foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça para responder pelos crimes. A investigação continua para identificar outros possíveis envolvidos no esquema de furto e receptação, como o Campo Grande NEWS continuará acompanhando.