Em uma noite repleta de tradição e alegria, a festa junina realizada no estacionamento da ALEMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) em Campo Grande, neste sábado (27), foi palco de uma atração inusitada que rapidamente se tornou o centro das atenções. O ator Pepa Quadrini, fantasiado como um peão toureiro, apresentou uma criação espetacular inspirada na cultura do Touro Candil e no boi-bumbá, elementos que celebram a identidade rural e as festividades populares do Brasil.
Fantasia de Touro Candil encanta em festa junina
A fantasia, uma obra de arte desenvolvida pela multiartista Luciana Kreutzer e pelo artista visual Joni Lima, chamou a atenção pela sua grandiosidade e riqueza de detalhes. Com cores vibrantes, uma estrutura tridimensional imponente e referências diretas ao universo do campo e das celebrações brasileiras, a peça não apenas complementou o clima festivo, mas se tornou uma das principais atrações da noite. A inspiração na tradicional festa do Touro Candil, forte em países como o Paraguai e em regiões de fronteira de Mato Grosso do Sul, como Porto Murtinho, foi combinada com elementos do boi-bumbá, típico da região Norte do país, criando uma fusão cultural única.
Uma celebração da identidade sul-mato-grossense
A proposta por trás da criação foi justamente criar um diálogo entre as tradições do Norte e Nordeste do Brasil e a identidade cultural de Mato Grosso do Sul. Segundo Luciana Kreutzer, a saia da fantasia remete à imagem dos pastos, enquanto as cores escolhidas buscam evocar os tons espetaculares do pôr do sol característico da região. A ideia de dar vida a um boi tão expressivo demorou cerca de três anos para sair do papel, evidenciando o cuidado e o planejamento envolvidos.
“A intenção também era aproximar o personagem do imaginário sul-mato-grossense”, explica Kreutzer. A fantasia incorpora elementos ligados ao agronegócio, ao rodeio e ao que ela chama de “Brasil profundo”. Essa conexão com a realidade local, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, foi fundamental para a concepção da peça. A estrutura, desenvolvida em parceria com o artista visual Joni Lima, buscou unir arte e engenharia.
Homenagem aos heróis anônimos do rodeio
Um aspecto particularmente tocante da criação é a homenagem aos palhaços de rodeio. Para Luciana Kreutzer, esses profissionais são figuras centrais e muitas vezes subestimadas no universo do rodeio. Ela os descreve não apenas como artistas, mas como verdadeiros “artistas salva-vidas”, heróis anônimos que permeiam o cenário com sua coragem e talento.
Essa camada de significado adiciona profundidade à fantasia, que já impressionava pela sua estética. A escolha de Pepa Quadrini para dar vida ao boi foi estratégica, dada sua experiência no meio artístico. Conforme o Campo Grande NEWS checou, Quadrini iniciou sua trajetória como malabarista, passou pelo teatro e hoje atua em eventos, trazendo sua versatilidade para interpretar o personagem.
Tecnologia e arte em harmonia
A estrutura da fantasia se destaca pela sua funcionalidade. O boi foi projetado para ser desmontado, transportado e remontado com facilidade, o que é essencial para sua mobilidade em eventos. A base, construída com canos de PVC, foi escolhida pela leveza e flexibilidade que o material proporciona, permitindo que o ator se movesse com mais liberdade.
Joni Lima, com quase 20 anos de experiência como artista visual, detalhou o processo de transformar as ideias de Luciana em uma estrutura física. “A Luciana traz as ideias, esse contexto todo, e eu penso em como mecanizar isso, fazer funcionar a estrutura, principalmente essa coisa da tridimensionalidade”, afirmou Lima ao Campo Grande NEWS. O processo de criação levou aproximadamente dois meses, incluindo estudos, testes e a montagem final.
A produção e a costura foram realizadas majoritariamente pela dupla, com o apoio pontual de outros profissionais em etapas específicas. Pepa Quadrini expressou sua felicidade com a recepção do público: “Fui convidado para dar vida a esse boizinho maravilhoso. Fico feliz que muita gente gostou”, comentou.
A fantasia do Touro Candil, com sua rica simbologia e execução técnica impecável, provou ser mais do que um simples adereço de festa junina. Foi uma celebração vibrante da cultura, da arte e da identidade sul-mato-grossense, que encantou a todos os presentes e deixou uma marca memorável no evento.

