Falsa gravidez e meses de busca por menina antecederam sequestro de bebê

Mulher planejou sequestro de bebê por meses para realizar sonho de ter uma filha

Uma mulher de 28 anos, identificada como Suzilaine da Graça Costa, está presa após planejar e executar o sequestro de uma recém-nascida em Campo Grande. A investigação, detalhada pela delegada Anne Karine Trevizan, titular da DEPCA, revelou que Suzilaine buscou ativamente por gestantes em grupos de WhatsApp com o objetivo de encontrar uma menina com características específicas. O crime, que chocou a comunidade, não envolve tráfico infantil ou facções criminosas, sendo classificado como um ato isolado e meticulosamente arquitetado.

Segundo a delegada, Suzilaine agiu com o claro intuito de ter uma filha, buscando por meses gestantes que dariam à luz em período similar ao seu. A suspeita não estava grávida, e a motivação para o sequestro parece ter sido a preservação de seu relacionamento, conforme relatado por ela para justificar uma suposta gravidez perdida. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a mulher já possuía outros filhos, que foram criados pela avó devido a períodos em que ela esteve presa.

Para concretizar seu plano, Suzilaine desenvolveu uma relação de confiança com a mãe da bebê, uma adolescente de 17 anos. Através de doações de roupas e fraldas, além de visitas regulares, a suspeita se apresentou como uma pessoa solícita e disposta a ajudar, conquistando gradualmente a família. A aproximação inicial ocorreu em grupos de WhatsApp de bairro, onde doações e trocas de itens para crianças são comuns, como destaca o Campo Grande NEWS em suas apurações.

Aproximação e confiança: a estratégia da sequestradora

A delegada Anne Karine Trevizan explicou que a estratégia de Suzilaine envolveu a criação de um vínculo com a jovem mãe. Durante cerca de um mês, a suspeita realizou doações de itens essenciais para bebês e visitava a residência da adolescente, apresentando-se como alguém muito prestativa. Essa fachada permitiu que ela ganhasse a confiança da família e se aproximasse da recém-nascida.

A aproximação, de acordo com a polícia, começou em grupos de WhatsApp de bairros, onde é comum a troca de doações de roupas, alimentos e outros itens para crianças. Suzilaine teria se aproveitado dessa rede de solidariedade para se infiltrar na vida da adolescente e de sua família, conquistando a confiança necessária para executar o plano.

Em um dos momentos da aproximação, Suzilaine disse trabalhar com produção de fotos e chegou a combinar uma sessão fotográfica com a bebê. No entanto, os familiares não permitiram que a criança saísse de casa devido ao frio. No dia seguinte, a suspeita elaborou uma nova estratégia para levar a adolescente e a bebê.

O sequestro e a fuga para o Paraguai

No dia do sequestro, Suzilaine teria prometido R$ 100 para que a mãe cuidasse de uma suposta filha de seis meses. No entanto, a investigação aponta que a criança que ela mencionou era, na verdade, sua neta. Para dificultar a identificação, Suzilaine criou uma conta em um aplicativo de transporte um dia antes do crime, demonstrando o planejamento detalhado da ação.

Ela utilizou o aplicativo para buscar as duas adolescentes e a bebê, levando-as para um imóvel que serviria como cativeiro. No local, contou com a ajuda de um homem, que também foi preso. As adolescentes foram deixadas em um matagal, enquanto Suzilaine seguiu com a recém-nascida.

Posteriormente, a suspeita levou a bebê para a casa de sua filha, onde trocou as roupas da criança para que parecesse um menino e também o bebê-conforto, antes de seguir viagem em direção ao Paraguai. Suzilaine foi presa no país vizinho junto com seu companheiro, Alex Melo de Abreu.

Falsa gravidez e motivações ocultas

A delegada Anne Karine revelou que Suzilaine contou ao companheiro que estava grávida e, posteriormente, que havia perdido o bebê após uma curetagem. No entanto, investigações na Santa Casa de Campo Grande não confirmaram o procedimento, levando a polícia a crer que Suzilaine nunca esteve grávida, como já era comentado por sua própria família.

Acredita-se que a intenção de Suzilaine ao obter uma criança fosse também a de preservar seu relacionamento com o companheiro. A delegada ressaltou que a história de