EUA controlam dinheiro do petróleo venezuelano em nova jogada

Os Estados Unidos estão considerando a flexibilização de sanções contra a Venezuela, com o objetivo de impulsionar as vendas legais de petróleo e os fluxos de pagamento. Uma ordem executiva de 9 de janeiro busca proteger a receita do petróleo venezuelano, mantida em contas do Tesouro dos EUA, de apreensões por credores. O plano, segundo informações obtidas pelo Campo Grande NEWS, combina a reabertura do setor petrolífero com o combate a redes de evasão e a mobilização de aproximadamente US$ 5 bilhões em Direitos Especiais de Saque (SDRs) do FMI, que estão congelados.

Petróleo venezuelano volta ao mercado, mas EUA controlam o fluxo financeiro

A notícia de que os EUA podem suspender mais sanções contra a Venezuela pode parecer simples, mas a realidade é uma complexa disputa envolvendo petróleo, dinheiro e processos judiciais. Após eventos recentes envolvendo o governo venezuelano, Washington começou a ver o país não mais como um caso isolado, mas como um ativo danificado que pode ser estabilizado. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, indicou que o próximo passo é ajustar as sanções para facilitar a venda de petróleo venezuelano e dar mais clareza ao sistema bancário para processar os pagamentos relacionados. No entanto, a administração americana não está simplesmente abrindo as torneiras, mas sim decidindo quem terá acesso ao dinheiro primeiro.

Proteção de receitas e disputa com credores

A ordem executiva de 9 de janeiro é crucial nesse contexto. Ela declara um estado de emergência nacional e visa impedir que as receitas provenientes da venda de petróleo venezuelano, depositadas em contas do Tesouro americano, sejam confiscadas por tribunais ou credores. Essa medida é uma resposta direta a anos de reivindicações ligadas às nacionalizações ocorridas na Venezuela. Um dos principais credores, a ConocoPhillips, tem uma dívida estimada em cerca de US$ 12 bilhões, e outros credores já buscaram ativos relacionados à exportação em disputas legais anteriores, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Um segundo potencial de fundos: SDRs do FMI

Paralelamente, Scott Bessent mencionou um segundo conjunto de fundos: quase US$ 5 bilhões em SDRs vinculados à Venezuela, que atualmente estão bloqueados. Ele expressou a expectativa de se reunir com os chefes do FMI e do Banco Mundial para discutir como essas instituições podem se reengajar e como os fundos poderiam apoiar a reconstrução do país. A perspectiva da indústria petrolífera é clara: o ex-presidente Trump se reuniu com executivos do setor e afirmou que empresas americanas poderiam reconstruir a deteriorada infraestrutura energética da Venezuela, aumentando significativamente a produção. Bessent sugeriu que empresas privadas menores poderiam retornar mais rapidamente do que as grandes multinacionais, algumas das quais ainda relutam em investir após repetidas nacionalizações, como no caso da Exxon.

Fiscalização rigorosa contra evasão

Apesar da abertura em algumas frentes, o lado da fiscalização permanece firme. Em 31 de dezembro, os EUA impuseram sanções a traders e embarcações ligadas a uma “frota fantasma” de evasão de sanções. Essa ação sinaliza que as rotas ilegais continuarão sendo punidas, mesmo com a expansão dos fluxos licenciados. Essa estratégia dupla, de aliviar sanções seletivamente enquanto reforça a aplicação da lei contra atividades ilícitas, demonstra a complexidade da política americana em relação à Venezuela. O Campo Grande NEWS entende que essa abordagem busca maximizar o controle sobre os ativos e a influência no futuro econômico venezuelano.

O futuro da produção e investimento petrolífero

A reativação do setor petrolífero venezuelano é um ponto central. O país possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua infraestrutura está em grande parte obsoleta e danificada. A entrada de empresas americanas poderia trazer o capital e a tecnologia necessários para reverter esse quadro. Contudo, a desconfiança gerada por anos de instabilidade política e nacionalizações ainda é um fator importante. A estratégia dos EUA parece ser a de criar um ambiente mais seguro e previsível para o investimento, ao mesmo tempo em que se assegura de que os lucros e a influência sobre o setor permaneçam sob seu escrutínio. A gestão dos fundos do FMI e a proteção das receitas de petróleo são peças-chave nesse quebra-cabeça, visando não apenas a recuperação econômica da Venezuela, mas também a garantia de que os interesses americanos sejam atendidos.