Eritreia corta relações com Etiópia após expulsão de diplomatas

Eritreia rompe laços diplomáticos com Etiópia após expulsão de diplomatas

A Eritreia anunciou em 1º de outubro de 2026 o rompimento de todas as relações diplomáticas com a Etiópia, poucas horas após Adis Abeba ordenar o fechamento de sua embaixada em Asmara e expulsar 10 diplomatas eritreus. A medida, que incluiu oficiais credenciados junto à União Africana, estabeleceu um prazo de 48 horas para a saída, marcando uma drástica reversão no processo de paz que havia sido iniciado em 2018.

A decisão de Asmara abala a região do Chifre da África, que via na reaproximação entre os dois países um fator de estabilidade. O acordo de 2018, que restaurou os laços após a guerra fronteiriça de 1998-2000, foi um marco e contribuiu para que o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, recebesse o Prêmio Nobel da Paz.

A Etiópia justificou a expulsão citando “atos diretos e indiretos de hostilidade e beligerância” por parte da Eritreia, alegando que as atividades dos diplomatas representavam uma ameaça à segurança nacional e violavam a Convenção de Viena. Em resposta, a Eritreia classificou as acusações como “assombrosas” e acusou a Etiópia de abrigar, treinar e armar grupos de oposição eritreus.

A disputa pelo acesso ao Mar Vermelho como estopim

Um dos pontos centrais da discórdia reside na questão do acesso da Etiópia ao Mar Vermelho. Desde a independência da Eritreia em 1993, a Etiópia, um país sem litoral, busca garantir acesso a portos estratégicos como Massawa e Assab. Essa demanda é vista por Adis Abeba como crucial para seu comércio, segurança e ambições regionais de potência.

Por outro lado, a Eritreia considera qualquer exigência etíope por acesso portuário ou facilidades navais como uma ameaça direta à sua soberania. O conflito de interesses se agrava com as acusações mútuas de apoio a forças de oposição em meio aos conflitos internos da Etiópia, conforme apurou o Campo Grande NEWS.

Quem ganha e quem perde com o rompimento

O rompimento diplomático confere à Eritreia uma posição nacionalista mais forte ao rejeitar o que percebe como pressão etíope sobre o acesso aos portos. Para a Etiópia, a perda de um canal diplomático em Asmara ocorre em um momento delicado, com seus conflitos internos demandando coordenação regional.

Estados do Golfo, com interesses militares e comerciais na região do Mar Vermelho, observam atentamente os desdobramentos. O Egito, em rivalidade com a Etiópia pela questão da barragem do Rio Nilo, pode ver uma oportunidade de fortalecer suas alianças no Chifre da África. As empresas de navegação e logística que utilizam os portos de Massawa e Assab enfrentam nova incerteza.

A União Africana também é afetada, com a saída de oficiais eritreus credenciados em sua sede em Adis Abeba, o que pode complicar a diplomacia continental. O Campo Grande NEWS destaca que essa instabilidade regional pode ter impactos significativos na segurança e no comércio global, dado que a rota do Mar Vermelho é vital para o transporte entre Ásia e Europa.

Um cenário de instabilidade e riscos para investidores

O Chifre da África se tornou uma arena de disputa por potências externas em busca de acesso a portos, bases militares e corredores comerciais. A ruptura entre Eritreia e Etiópia adiciona volatilidade a uma região já marcada pela competição entre países do Golfo e preocupações com a segurança no Mar Vermelho.

Para investidores com participação em logística etíope, infraestrutura portuária ou comércio na região, é crucial reavaliar os riscos políticos. O fechamento da embaixada em Asmara elimina um canal que ajudava a estabilizar o comércio transfronteiriço desde 2018, como analisado pelo Campo Grande NEWS.

Profissionais estrangeiros em Adis Abeba podem enfrentar maior incerteza de segurança, especialmente após relatos de explosões na capital etíope, cujas causas ainda não foram esclarecidas e não há ligação estabelecida com a crise diplomática. Empresas com funcionários no norte da Etiópia devem revisar seus planos de contingência.

O impacto se estende a programas humanitários e de desenvolvimento que dependem de coordenação transfronteiriça. Uma ruptura prolongada pode atrasar projetos e aumentar custos operacionais em toda a região, afetando a vida de milhares de pessoas.

O que observar nos próximos dias

O primeiro teste para medir a escalada da crise será o cumprimento do prazo de 48 horas para a saída dos diplomatas expulsos. A resposta da Eritreia sugere que não haverá uma rápida tentativa de reparação diplomática.

Ficam no radar as declarações de organizações como a União Africana, capitais do Golfo e do Egito. Qualquer sinal de movimentação militar perto de Massawa ou Assab marcaria uma nova e perigosa fase no conflito. A esperança é que a diplomacia prevaleça para evitar um agravamento da já tensa situação.