Equador em alerta: 9 licitações falham e risco de apagão em outubro aumenta

O Equador enfrenta um cenário energético preocupante com a recente declaração de fracasso da licitação para aluguel de geradores a diesel em Pascuales. O leilão, que visava suprir uma demanda de 50 MW com um orçamento de 77 milhões de dólares, foi anulado em 4 de maio de 2026 após a desqualificação de todos os quatro licitantes por não cumprirem requisitos mínimos ou prazos contratuais. Este é o segundo contrato de energia a falhar em menos de um mês, intensificando o déficit energético do país.

Equador caminha para apagão com falhas em licitações de energia

A Corporación Eléctrica del Ecuador (Celec) confirmou o fim do processo licitatório para o aluguel de geradores a diesel em Pascuales. O objetivo era ter a nova capacidade operacional até o final de agosto de 2026, a tempo para o período de estiagem, conhecido como “estiaje”, que ocorre entre outubro e março. A não conformidade dos licitantes com os requisitos técnicos e prazos estabelecidos, conforme documentos do Sistema Oficial de Contratación Pública, selou o destino do projeto.

Este revés se soma à declaração de abandono da licitação El Descanso III (20 MW), promovida pela Elecaustro, em 7 de abril, com um orçamento de 32,6 milhões de dólares. Marco Acuña, coordenador do Consejo Consultivo de Ingenierías y Economía, lamentou a situação, afirmando que os licitantes falharam em atender às exigências básicas dos editais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o problema estrutural é grave, com o operador da rede nacional, Cenace, alertando desde o final de 2025 a necessidade de 866 MW de nova geração firme para evitar a dependência de importações da Colômbia.

A projeção para 2026 aponta para um déficit total de 1.439,8 MW, um aumento de 48,9% em relação aos 966,5 MW de 2025. A situação é agravada pela dependência hidrelétrica do país, que responde por cerca de 40% do suprimento nacional através do complexo Paute, e pela queda nos níveis dos reservatórios. O reservatório de Mazar, que alimenta o Paute, já perdeu 14 metros de sua cota máxima e o rio Paute opera com vazão significativamente abaixo do ideal.

Nove licitações falharam desde 2024, totalizando 871 MW não construídos

A lista de procedimentos de geração térmica que fracassaram desde 2024 é extensa. Além dos recentes casos de Pascuales e El Descanso III, estão incluídos Ecuagran II (100 MW em aluguel térmico flutuante), 340 MW da empresa italiana Ansaldo, a unidade de emergência Quevedo III (50 MW) e Salitral (100 MW) sob a Progen, Esmeraldas III (91 MW) sob a Austral Technical Management, e as prioridades da Celec: Esmeraldas IV (150 MW), Durán (100 MW) e Pascuales (260 MW). Os contratos com a Progen estão em um limbo jurídico devido a alegadas falhas de cumprimento, com a Celec já tendo pago 97,4 milhões de dólares à empresa até junho de 2025.

Risco de apagão aumenta e custo da energia dispara

A modelagem de risco do Cenace indica uma probabilidade de 13% de déficit energético durante a estação seca de outubro de 2025 a março de 2026. As projeções futuras são ainda mais alarmantes, com 17% de risco para 2026-2027, 23% para 2027-2028 e um pico de 50% para 2028-2029. Em um cenário de seca severa, o custo da energia não fornecida pode ultrapassar 2,6 bilhões de dólares. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o Equador importa diesel, e o preço do galão dobrou de 2 para 4 dólares nas últimas semanas, impactado pela guerra no Oriente Médio. Isso elevou o custo marginal da geração térmica de 22 centavos de dólar por kWh para 38 centavos de dólar por kWh.

A situação hídrica agrava o quadro. O rio Coca Codo Sinclair opera abaixo do necessário, enquanto a demanda diária por energia atingiu um recorde de 5.110 MW em maio de 2025. O Cenace estima um crescimento anual da demanda de cerca de 315 MW. A incerteza sobre a renovação de contratos de aluguel de balsas de geração de energia, como o Erin Sultan que expira em julho de 2026, adiciona mais um fator de risco ao sistema elétrico equatoriano. As importações da Colômbia, essenciais para cobrir a lacuna, têm cobertura confirmada apenas até abril de 2026, exigindo negociações urgentes para a próxima estação seca. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de capacidade de geração própria e a dependência de fontes externas tornam o país vulnerável a choques de oferta e demanda.

O que esperar nos próximos meses

A Celec precisa relançar a licitação de Pascuales em semanas para tentar cumprir o cronograma de agosto. A expiração do contrato da balsa Erin Sultan em julho de 2026, que fornece 300 MW, adiciona pressão. A incerteza sobre um substituto para essa capacidade é um ponto crítico. As importações da Colômbia são uma tábua de salvação temporária, mas sua renovação para o próximo período de seca é fundamental. A escalada nos preços do diesel, impulsionada por fatores geopolíticos, encarece ainda mais a geração térmica emergencial, aumentando o custo total do déficit energético para o país.