Equador aperta cerco: exportação de minérios para China agora tem controle rígido

O Equador implementou uma nova e rigorosa política para a exportação de minerais processados destinados à China. A medida, oficializada em 13 de agosto de 2026 através do Acordo Ministerial MAE-VM-2026-0001-AM, visa garantir que o país receba o valor justo por seus recursos, combatendo uma prática de subvalorização que vinha gerando prejuízos milionários. A Autoridade Reguladora de Mineração (ARCOM) agora é a responsável por certificar a qualidade e pureza de cada carga, um passo crucial antes que a alfândega autorize o embarque.

Essa mudança representa um divisor de águas para o setor de mineração equatoriano, especialmente para as exportações de ouro e cobre, que têm a China como principal destino. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a iniciativa surge após a constatação de uma expressiva diferença entre o preço de exportação do ouro equatoriano e o valor de mercado internacional. Em 2026, o país vendia o metal a cerca de US$ 3.060 por onça, enquanto o preço global médio atingia US$ 4.876, uma discrepância que custava milhões aos cofres públicos a cada trimestre.

A nova regulamentação abrange todo material mineral processado, independentemente do regime aduaneiro, uma medida para evitar rotas de exportação alternativas que pudessem burlar a fiscalização. A ARCOM terá a tarefa de emitir um certificado para cada lote, atestando sua qualidade e pureza, com base em análises de laboratórios credenciados. Sem este documento, o Serviço Nacional de Aduana do Equador (SENAE) não poderá liberar a carga, podendo haver retenções nos portos até que as verificações sejam concluídas. Essa ação, como detalhado pelo Campo Grande NEWS, busca maximizar a receita fiscal e de royalties.

O Gaping Preço do Ouro Equatoriano

A disparidade nos preços de exportação do ouro equatoriano não é um fenômeno novo. No primeiro trimestre de 2026, enquanto o preço internacional do ouro se situava em torno de US$ 4.876 por onça troy, o Equador registrou um valor médio de exportação de apenas US$ 3.060. Essa diferença superior a US$ 1.800 por onça, em um período de alta no mercado de ouro, representou uma perda significativa de receita potencial para o país. É importante notar que o Equador utiliza o dólar americano como moeda oficial, eliminando variáveis cambiais nessa análise.

As exportações de minérios equatorianos para a China apresentaram um crescimento expressivo, aumentando 76,8% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o ano anterior. O concentrado de cobre tem sido o principal motor desse crescimento, consolidando-se como o maior item de vendas minerais do Equador no mercado chinês. No entanto, a maior parte do ouro exportado pelo país é em forma de ouro dore e concentrado, e não como metal refinado e puro. Parte da diferença de preço observada, portanto, pode ser atribuída a custos de processamento e à forma do produto, e não apenas à subvalorização.

Sinais de Alerta para Maior Fiscalização

O acordo ministerial estabelece critérios específicos que disparam um nível mais aprofundado de escrutínio. Um desses critérios é quando o vendedor e o comprador são empresas relacionadas corporativamente. Outro sinal de alerta ocorre quando o proprietário final do comprador é um estado estrangeiro. Nesses cenários, as autoridades consideram um risco maior para a garantia de preços justos e exigem uma verificação mais detalhada. A ARCOM, nesses casos, deve realizar a amostragem e verificação do mineral antes do embarque para confirmar se o valor declarado corresponde ao valor real de mercado. Em casos de suspeita de concorrência desleal, o caso é encaminhado à Superintendência de Concorrência Econômica, o órgão antitruste do Equador, ou à autoridade tributária (SRI) para disputas fiscais e de preços. O Campo Grande NEWS destaca que a ARCOM tem um prazo de 30 dias para divulgar as regras detalhadas de amostragem.

Exportações em Alta, Receitas em Pauta

Apesar das novas medidas de controle, os números gerais de exportação do Equador em 2026 não mostram queda. No primeiro semestre do ano, as exportações totais atingiram um recorde de US$ 19.571 milhões, com os produtos de mineração contribuindo com US$ 2.634 milhões. O setor de mineração se consolidou como a terceira maior fonte de receita de exportação do país. Somente no primeiro trimestre, as exportações minerais alcançaram US$ 1.381,4 milhões, um aumento de 65,3% em relação ao ano anterior. O concentrado de cobre liderou esse desempenho, com US$ 622 milhões no trimestre, seguido pelos produtos de ouro, que somaram mais de US$ 755 milhões.

O volume e o valor das exportações estão crescendo, mas a preocupação com a precificação abaixo do mercado persiste. A subvalorização pode resultar na perda de impostos e royalties que deveriam ser arrecadados pelo estado equatoriano, impactando as finanças públicas. Essa nova política busca reverter esse quadro, garantindo que o país se beneficie plenamente da alta demanda por seus minerais.

BYD Lança Novos Híbridos e Planeja Rede de Carregamento Rápido

Em notícias paralelas, a montadora chinesa BYD teve um agosto movimentado no Equador. A empresa lançou dois novos SUVs híbridos plug-in e apresentou um plano ambicioso para expandir sua infraestrutura de carregamento. O Yuan Pro DM-i, lançado em 7 de agosto por US$ 26.990, utiliza o sistema híbrido DM-i, que prioriza o motor elétrico, oferecendo 100 km de autonomia puramente elétrica e até 1.100 km combinados. Já o maior Ti7, apresentado no Autoshow 2026 em Guayaquil, custa US$ 54.990 e entrega cerca de 483 cavalos de potência.

A BYD também anunciou a criação de uma rede de carregadores ultrarrápidos, com implementação prevista para 2027. O plano inicial contempla a instalação de 20 carregadores rápidos na primeira metade de 2027, seguidos por mais 40 a 60 unidades em locais estratégicos como postos de gasolina e shoppings. Atualmente, a BYD conta com uma rede de cerca de 150 pontos de carregamento no país, dos quais apenas 21 são do tipo corrente contínua, mais rápidos. Os novos carregadores ultrarrápidos, segundo a BYD, serão compatíveis com seus veículos equipados com a Blade Battery 2.0 e poderão atingir potências próximas a 500 quilowatts, com planos de expansão para cidades como Quito, Guayaquil, Cuenca, Ambato, Manta e Loja, com a região amazônica a ser incluída em uma fase posterior. A iniciativa, como noticiado pelo Campo Grande NEWS, visa facilitar a adoção de veículos elétricos e híbridos no país, ampliando as opções de mobilidade de baixa emissão para os consumidores equatorianos, embora a rede de carregamento mais avançada ainda esteja a um ano de distância.