Enfermeira presa em clínica de emagrecimento é solta em Campo Grande

A enfermeira de 39 anos que foi presa em flagrante durante uma fiscalização em uma clínica de emagrecimento e estética em Campo Grande foi liberada após audiência de custódia nesta sexta-feira (15). A prisão ocorreu na quinta-feira (14), quando equipes encontraram mais de mil medicamentos vencidos no local. A Clínica Canela, alvo da operação, segue funcionando mesmo com o alvará vencido.

Clínica sob investigação após denúncia

A Clínica Canela, localizada em Campo Grande, está sendo investigada após denúncias sobre a suposta venda irregular de medicamentos para emagrecimento. Durante a operação conjunta, que contou com a participação da polícia, do Conselho Regional de Medicina (CRM), do Procon MS e da Vigilância Sanitária, foram encontrados 1.294 unidades de medicamentos vencidos armazenados na clínica. Além disso, foram identificados indícios de prescrição irregular de medicamentos, propaganda enganosa e venda casada, conforme apurado pelo Procon.

A enfermeira, que atuava como responsável técnica pela clínica, foi detida por ter sido a única profissional encontrada no local durante a fiscalização. Segundo a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), ela teria tentado impedir o trabalho dos fiscais em uma das salas do estabelecimento. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o alvará de funcionamento da clínica estava vencido, o que representa uma séria irregularidade para o funcionamento do local.

Medicamentos vencidos e operações suspeitas

Em um depósito nos fundos da clínica, medicamentos vencidos e outros dentro da validade estavam armazenados juntos. Uma funcionária relatou que o local seria utilizado por um médico da unidade. O Conselho Regional de Medicina (CRM) também apontou outras irregularidades graves, incluindo a presença de medicamento antiarrítmico vencido, falta de itens essenciais em carrinhos de emergência, prescrição inadequada de terapia hormonal e divulgação de especialidades médicas que a equipe da clínica não possui.

A suspeita de venda casada se baseia no direcionamento de pacientes a laboratórios específicos para a compra dos produtos prescritos. Essa prática, segundo o Procon, configura uma irregularidade na relação de consumo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o proprietário da clínica, sua esposa e outras médicas responsáveis não se encontravam no local durante a operação. A clínica agora tem 20 dias para apresentar sua defesa oficial sobre as irregularidades encontradas.

Clínica se defende e nega irregularidades

Em nota oficial enviada ao portal G1, a Clínica Canela afirmou que está colaborando com os órgãos de fiscalização e negou as acusações. A instituição declarou que não fabrica, manipula, rotula ou comercializa medicamentos de forma irregular. A defesa da clínica enfatiza que sua atuação é exclusivamente médica, focada em avaliação, acompanhamento e prescrição individualizada, quando indicada.

A clínica também refutou a prática de venda casada, alegando que os pacientes têm total liberdade para adquirir medicamentos em qualquer estabelecimento de sua confiança. Conforme o Campo Grande NEWS checou, apesar das sérias irregularidades apontadas, a Clínica Canela continua operando normalmente em Campo Grande, enquanto aguarda o desenrolar do processo administrativo.