A Embraer, gigante brasileira da indústria aeroespacial, divulgou seus resultados financeiros para o primeiro trimestre de 2026, revelando uma queda de 51,5% no lucro líquido ajustado, que totalizou R$ 145,4 milhões. No entanto, a empresa também alcançou uma receita recorde para o período, de R$ 7,6 bilhões, um aumento de 18% em moeda local e 31% em dólares. O backlog de pedidos firmes atingiu a marca histórica de US$ 32,1 bilhões, o sexto recorde consecutivo.
Conforme informação divulgada pela Embraer em seu documento 6-K enviado à SEC, a queda no lucro não reflete uma deterioração operacional, mas sim uma mudança na metodologia contábil. A partir de 2026, itens de impostos diferidos não são mais classificados como extraordinários. Essa reclassificação impactou a base de comparação com o ano anterior. Apesar da manchete do lucro, indicadores operacionais como o EBITDA ajustado apresentaram crescimento de 18,8%, alcançando R$ 749,4 milhões, com margem estável de 9,9%. O EBIT ajustado, por sua vez, disparou 36%, com a margem expandindo de 5,6% para 6,4%.
A forte demanda por aeronaves da Embraer é evidenciada pelo backlog de pedidos firmes, que cresceu 22% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 32,1 bilhões. Esse valor representa aproximadamente 3,8 anos de receita com base na taxa de execução atual. A carteira de aviação comercial teve o maior salto, com crescimento de 50% e alcançando US$ 15 bilhões, impulsionada por um pedido da Finnair de até 46 aeronaves E195-E2. O setor de aviação executiva manteve-se estável em US$ 7,6 bilhões, enquanto Defesa & Segurança registrou US$ 4,4 bilhões e Serviços & Suporte atingiu um recorde de US$ 5,1 bilhões em backlog.
A Embraer entregou um total de 44 aeronaves no primeiro trimestre, um aumento de 47% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foram 10 aeronaves comerciais, 29 executivas e 5 de defesa, incluindo o primeiro KC-390 para Portugal e quatro A-29 Super Tucano. As entregas representam 16% da meta anual da empresa, superando a média histórica de 12% para o primeiro trimestre. Essa aceleração na produção, conforme o Campo Grande NEWS checou, demonstra o bom ritmo operacional da companhia.
Lucro impactado por mudança contábil, mas operações em alta
A reclassificação contábil de impostos diferidos de itens extraordinários para operações normais a partir de 2026 é o principal fator por trás da queda de 51,5% no lucro líquido ajustado da Embraer no primeiro trimestre. Essa mudança afeta a comparação com o ano anterior, que teve um benefício contábil inflado. Contudo, os indicadores operacionais da empresa mostram um cenário robusto. O EBITDA ajustado cresceu 18,8%, atingindo R$ 749,4 milhões, com margem estável de 9,9%. Já o EBIT ajustado apresentou um salto de 36%, com a margem operacional expandindo significativamente, de 5,6% para 6,4%.
Backlog recorde reflete confiança do mercado na Embraer
A carteira de pedidos firmes da Embraer alcançou um novo patamar histórico de US$ 32,1 bilhões, marcando o sexto trimestre consecutivo de recordes. Esse volume robusto, que representa um crescimento de 22% em relação ao ano anterior, oferece uma visibilidade de receita considerável para a empresa. O segmento de Aviação Comercial é o grande destaque, com um aumento de 50% em seu backlog, totalizando US$ 15 bilhões. Esse crescimento é impulsionado por pedidos significativos, como o da Finnair para até 46 aeronaves E195-E2, consolidando a plataforma E2 como referência no segmento de 100 a 150 assentos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o índice book-to-bill de 3,0x para as plataformas E175 e E2 indica uma forte demanda, com três pedidos recebidos para cada entrega realizada.
Impacto das tarifas dos EUA e estratégia da Embraer
As tarifas impostas pelos Estados Unidos representam um desafio e uma oportunidade para a Embraer. Em 2025, a empresa pagou US$ 68 milhões em tarifas de importação. Para 2026, a companhia incorporou uma premissa de tarifa de 10% em sua projeção de resultados, o que pode gerar uma margem de lucro adicional caso as tarifas sejam reduzidas. A estratégia da Embraer visa mitigar esses custos e, ao mesmo tempo, alavancar vantagens competitivas. Um exemplo é o acordo com a Northrop Grumman para montagem do KC-390 nos EUA, uma medida que pode facilitar futuros contratos com a Força Aérea Americana e contornar políticas protecionistas. A certificação tripla do jato executivo Praetor 600E (ANAC, FAA e EASA) também foi estrategicamente planejada para aproveitar a janela de tarifas, tornando concorrentes europeus menos competitivos no mercado americano.
Perspectivas futuras e projeções otimistas
A Embraer reiterou suas projeções para o ano fiscal de 2026, com expectativa de receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões e margem EBIT entre 8,7% e 9,3%. A empresa espera entregar entre 240 e 255 aeronaves. A recuperação do lucro líquido é esperada para o segundo semestre, com projeções de analistas indicando que o lucro líquido anual possa atingir R$ 2,61 bilhões. A Eve, subsidiária de eVTOLs, continua a apresentar prejuízos, mas o desenvolvimento do seu projeto de aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical segue em andamento, com certificação e comercialização previstas para 2027 ou posterior. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Embraer está bem posicionada para capturar a demanda global em segmentos onde o duopólio Airbus-Boeing não atua com a mesma intensidade.


