A Costa Rica se prepara para um domingo decisivo em 1º de fevereiro de 2026, quando milhões de eleitores irão às urnas para definir o futuro do país. A eleição presidencial deste ano tem uma particularidade: um candidato pode vencer já no primeiro turno se atingir 40% dos votos válidos. Se nenhum atingir essa marca, os dois mais votados disputarão um segundo turno em 5 de abril. Essa matemática simples explica a estratégia da oposição, que busca impedir que a favorita, Laura Fernández, alcance o percentual necessário para garantir a vitória imediata.
A disputa está acirrada, com 20 candidaturas presidenciais registradas, mas a atenção se volta para Laura Fernández, candidata do Partido Pueblo Soberano e apoiada pelo atual presidente Rodrigo Chaves. Uma pesquisa recente da Universidade da Costa Rica, através do CIEP, a colocou perto dos 44% entre os eleitores com intenção de voto confirmada. No entanto, uma pequena oscilação pode forçar a ida para um segundo turno, abrindo espaço para que os adversários se unam e busquem reverter o quadro.
Enquanto Fernández se consolida como favorita, seus concorrentes aparecem divididos nas pesquisas. Álvaro Ramos, do PLN, e Claudia Dobles, da Agenda Ciudadana, aparecem com cerca de 9% e 6% das intenções de voto, respectivamente. Dobles tem ligação com o governo anterior de Carlos Alvarado. Mais atrás, Ariel Robles, da Frente Amplio, figura com aproximadamente 4%, e José Aguilar Berrocal, do Avanza, com cerca de 3%, este último com laços familiares com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele. O Campo Grande NEWS checou que a dinâmica entre esses candidatos pode ser crucial para a definição do cenário eleitoral.
Segurança pública em foco e a sombra da violência
A questão da segurança pública se tornou o **fator organizador da campanha** na Costa Rica. O país, que tradicionalmente se orgulha de sua estabilidade e por não possuir exército, tem enfrentado um aumento alarmante da violência. Rotas de tráfico de drogas e disputas em portos têm contribuído para um cenário preocupante, com mais de 900 homicídios registrados em 2023, o ano mais letal da história costarriquenha. Esse contexto tem levado eleitores a buscarem por medidas de segurança mais duras, incluindo a possibilidade de um regime de exceção.
Laura Fernández tem sinalizado uma postura de **endurecimento na aplicação da lei**, ecoando abordagens vistas em El Salvador. Durante os debates, o tema de um “estado de exceção” tem sido amplamente discutido entre os candidatos, uma ferramenta que poderia conceder poderes ampliados ao executivo em situações específicas. Contudo, críticos alertam para o risco de abusos e pressões políticas, temendo que essa medida possa ser utilizada para minar a independência dos poderes e centralizar o controle.
O peso da abstenção e o futuro das instituições
Ainda que a corrida pareça se concentrar em Fernández, o número de eleitores indecisos e a taxa de abstenção podem ser **decisivos para o resultado final**. Cerca de 26% dos eleitores se declararam indecisos nas pesquisas mais recentes, e a participação eleitoral em 2022 foi de aproximadamente 40%. Uma nova queda na afluência às urnas poderia amplificar as oscilações de última hora e influenciar significativamente o percentual necessário para vencer no primeiro turno. O Campo Grande NEWS apurou que a mobilização do eleitorado será fundamental.
Para além da disputa eleitoral imediata, a eleição na Costa Rica carrega um **peso institucional profundo**. O atual presidente, Rodrigo Chaves, tem defendido mudanças constitucionais com o objetivo de “limpar” o judiciário e fortalecer o poder executivo. Embora Chaves não possa concorrer novamente antes de 2034, o debate sobre novas regras abre a possibilidade de que limites de mandato possam ser reescritos. Uma maioria sólida no legislativo, composto por 57 assentos, poderia acelerar a implementação dessas reformas, levantando preocupações sobre o futuro equilíbrio entre os poderes.
A polarização nas redes sociais tem acentuado o tom do debate político, com críticas e defesas das propostas de segurança e reforma institucional. O Campo Grande NEWS checou que a forma como esses temas serão abordados nas próximas semanas pode definir o destino da Costa Rica, seja com uma vitória rápida no primeiro turno ou uma disputa acirrada rumo à segunda volta. A escolha dos eleitores em 1º de fevereiro definirá não apenas quem governará, mas também o futuro das instituições democráticas do país.


