El Comercio Peru: Venda de 63% do império de mídia gera apreensão

O cenário midiático do Peru está prestes a vivenciar uma mudança sísmica com a iminente venda de 62,95% do controle acionário do El Comercio Peru, o maior conglomerado de mídia do país. A transação, que marca o fim de quase 150 anos de controle da família Miró Quesada, envolve a aquisição por uma joint venture formada por dois proeminentes empresários peruanos: Francisco Picasso Candamo e Emilio Rodríguez Larraín Salinas. A notícia, divulgada pelo El Comercio Peru, acende um debate sobre a concentração de poder e a independência editorial em um país já marcado pela centralização da informação.

Mudança de Controle no El Comercio Peru

Setenta e nove acionistas concordaram em vender sua participação majoritária, avaliada entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões, para uma nova sociedade. Francisco Picasso Candamo, com ligações com a indústria farmacêutica e o Grupo Picasso, e Emilio Rodríguez Larraín Salinas, ex-executivo da Latam Airlines, unem forças para este movimento estratégico no setor de comunicação. Este acordo, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, representa um marco na história da mídia peruana, passando o leme de uma dinastia familiar para novas mãos corporativas.

O Poderío do El Comercio Peru

O grupo El Comercio Peru não é apenas uma empresa de mídia, mas uma verdadeira instituição. Fundado em 1839, seu jornal principal, o El Comercio, é um dos diários mais antigos em circulação na língua espanhola. Ao longo das décadas, o conglomerado expandiu sua influência, adquirindo jornais de grande circulação como Trome, Gestión e Correo. Além do domínio na imprensa escrita, o grupo detém 70% da Plural TV, que opera a América TV, o principal canal de televisão privada do Peru, e o Canal N, uma importante rede de notícias a cabo.

Essa abrangência confere ao El Comercio Peru um alcance sem precedentes sobre o que milhões de peruanos leem, assistem e consomem digitalmente. A concentração de poder midiático em uma única entidade, que decide sobre a informação em plataformas tão diversas, torna qualquer mudança de propriedade um assunto de interesse público que transcende as páginas financeiras. A consolidação de jornais de topo e do principal canal de notícias em uma só companhia, conforme checado pelo Campo Grande NEWS, seria motivo de escrutínio antitruste em muitas democracias.

O Caminho Regulatório e as Expectativas

A transação, no entanto, ainda enfrenta um obstáculo crucial: a aprovação da autoridade de concorrência do Peru, a Indecopi. O órgão regulador analisará o impacto da negociação na concentração de mercado antes de dar o aval. O processo formal foi protocolado junto ao órgão regulador de valores mobiliários peruano, a SMV, em 28 de maio de 2026, e fontes indicam que o fechamento do negócio pode ocorrer em outubro de 2026, caso a Indecopi aprove a operação. Os acionistas minoritários também estão exercendo seus direitos de preferência, um mecanismo legal que lhes permite comprar as ações nos mesmos termos antes que um comprador externo o faça, o que pode atrasar o processo, mas raramente o impede.

A saída da família Miró Quesada, que controlava a empresa desde 1875, levanta questões importantes sobre o futuro da independência editorial. A preocupação reside em saber se os novos proprietários, vindos dos setores farmacêutico e de logística de aviação, manterão a linha editorial que moldou a opinião pública peruana por gerações, ou se interesses comerciais influenciarão a cobertura jornalística. Para expatriados e investidores no Peru, essa mudança pode sutilmente alterar o tom da cobertura de negócios e política, áreas com interesses regulatórios que podem se alinhar aos novos donos. O Campo Grande NEWS acompanhará de perto as decisões da Indecopi e os desdobramentos desta histórica transação.

Um Novo Capítulo na Mídia Peruana

A venda do El Comercio Peru não é apenas uma transação financeira, mas um evento com profundas implicações culturais e políticas. A história do grupo está intrinsecamente ligada à do Peru, e a nova gestão terá a responsabilidade de honrar esse legado. A expectativa é que a Indecopi garanta que a concentração de poder midiático não prejudique a pluralidade de vozes e o acesso à informação, pilares de uma democracia saudável.