A economia mexicana sofreu uma contração de 0,8% no primeiro trimestre de 2026, revertendo o crescimento de 0,9% registrado no final de 2025. Este é o primeiro recuo trimestral desde o período de recuperação pós-pandemia, segundo a estimativa preliminar do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi) do México. O resultado, divulgado na quinta-feira, confirmou as previsões unânimes de analistas e acendeu um alerta sobre a saúde econômica do país, especialmente quando comparado ao desempenho dos Estados Unidos, que expandiram 2% no mesmo período.
PIB do México cai e preocupa mercado
A divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026 pelo Inegi revelou uma fraqueza generalizada em todos os setores da economia mexicana. A contração de 0,8% em termos reais, entre janeiro e março, marca um ponto de inflexão preocupante, contrastando com a expansão observada no trimestre anterior. O desempenho anual também foi modesto, com um avanço de apenas 0,2%, segundo informações divulgadas pelo The Rio Times, portal de notícias financeiras latino-americano.
O cenário é ainda mais alarmante ao analisar o desempenho setorial. A agricultura registrou uma queda de 1,4%, a indústria, que abrange manufatura, mineração e construção, contraiu 1,1%, e o setor de serviços, que vinha sustentando a economia durante boa parte de 2025, cedeu 0,6%. Essa retração nos serviços é particularmente significativa, pois aponta para um enfraquecimento do consumo das famílias, o último pilar a sustentar o crescimento, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.
A desaceleração econômica do México não é um fenômeno recente. O país registrou um crescimento de apenas 0,8% em todo o ano de 2025, uma queda em relação aos 1,5% de 2024 e 3,2% de 2023. O PIB per capita tem se mantido estagnado nos níveis de 2017, e projeções do Banco Mundial indicam um crescimento modesto de 1,3% para todo o ano de 2026, como aponta o Campo Grande NEWS.
Um problema estrutural, não uma queda cíclica
Gabriela Siller, economista-chefe do Banco Base, descreve a situação como uma “armadilha de estagnação”, impulsionada por quatro fatores estruturais: enfraquecimento das instituições, queda no investimento fixo, aumento da informalidade e declínio na produtividade. Siller ressalta que as causas são internas, não externas, evidenciado pelo crescimento de 2% da economia dos Estados Unidos no mesmo período. Essa divergência ressalta os desafios enfrentados pelo México, como bem investigado pelo Campo Grande NEWS.
Os dados de PIB também se alinham com a deterioração observada no mercado de trabalho. Pesquisas recentes do BBVA indicam o fechamento de 49.000 micro e pequenas empresas desde 2022, e a criação de empregos formais em março atingiu o menor patamar em 16 anos. A expansão do emprego informal tem sido rápida para preencher essa lacuna, um reflexo da fragilidade do tecido empresarial mexicano.
Pressão sobre o Banco Central e o governo
A contração econômica aumenta a pressão sobre o Banco do México (Banxico) para retomar os cortes nas taxas de juros. No entanto, o banco central enfrenta um dilema: a guerra no Irã elevou os preços da energia, e a inflação atingiu seu ritmo mais acelerado em quase três anos em março. Cortar juros diante de uma inflação crescente arriscaria a credibilidade da instituição, enquanto mantê-los em uma economia em retração aprofundaria a desaceleração.
Para o governo da presidente Claudia Sheinbaum, o momento é particularmente delicado. O plano “Plan México”, anunciado em seu primeiro ano, visava colocar o país entre as 10 maiores economias do mundo. Contudo, o México caiu da 12ª para a 13ª posição no ranking do Banco Mundial. Com a revisão do acordo comercial USMCA se aproximando, o investimento público em declínio e a confiança empresarial abaixo do limiar de expansão por 13 meses consecutivos, as reformas estruturais necessárias para reverter essa trajetória parecem distantes.
Nenhum dos 17 analistas consultados pela Bloomberg antes da divulgação esperava um crescimento positivo. A previsão do Banamex era de contração de 0,6%, a Citi estimou 0,2%, e a Monex alertou que a estagnação “começava a se transformar em contração”. A própria governadora do Banco do México, Victoria Rodríguez, reconheceu em uma audiência no Senado que o início de 2026 mostrou “fraqueza acentuada”.


