Economia do Chile em queda livre: contração pelo terceiro mês e mineração em colapso

A economia chilena atravessa um momento delicado, registrando contração pelo terceiro mês consecutivo. Em março, o índice Imacec, que mede a atividade econômica, apresentou queda de 0,1% em comparação com o ano anterior. Esse cenário levou o primeiro trimestre a uma retração de 0,3%, marcando o pior desempenho trimestral desde 2023. A notícia, divulgada em 4 de maio de 2026, coincide com a decisão unânime do Banco Central chileno de manter a taxa de juros em 4,5%, citando o aumento dos preços do petróleo e a instabilidade no Oriente Médio como fatores de risco.

Diante do quadro preocupante, o Subsecretário da Fazenda, Juan Pablo Rodríguez, declarou “emergência econômica”, vinculando a medida à proposta de lei de reconstrução nacional apresentada pelo governo de José Antonio Kast ao Congresso. A situação reflete um ambiente de incerteza, onde a queda na produção de minérios e manufaturados contrasta com a recuperação parcial dos setores de comércio e serviços.

O Imacec de março de 2026, principal indicador da atividade econômica mensal, surpreendeu negativamente, caindo 0,1% na comparação anual, contrariando as expectativas de mercado que previam uma alta de 0,7%. Apesar disso, a série ajustada sazonalmente mostrou uma recuperação de 0,3% em relação ao mês anterior. O índice não-mineração, por sua vez, apresentou um desempenho mais robusto, com alta de 0,9% anual e 0,5% mensal.

A queda na produção de bens foi significativa, com uma retração de 5,2% na comparação anual, fortemente puxada pelo setor de mineração, que despencou 6,5%. A extração de cobre, principal produto de exportação do Chile, foi a mais afetada. No acumulado do primeiro trimestre, a mineração registrou contração de 2,4%, a manufatura de 2,7% e outros bens de 4,2%. O comércio e os serviços tentaram mitigar os efeitos negativos, com altas de 1,4% e 1,6%, respectivamente.

Mineração em declínio e projeções pessimistas

Especialistas alertam que a fraqueza no setor de mineração tende a persistir. Valentina Apablaza, da Libertad y Desarrollo, expressou preocupação de que uma recuperação isolada do setor não-mineração possa não ser suficiente para impulsionar o crescimento anual acima de 2%. As projeções indicam uma possível retomada do crescimento em abril, mas a base de comparação mensal é elevada, o que pode mascarar a fragilidade da recuperação.

O Banco Central do Chile, em sua reunião de política monetária de março, manteve a taxa de juros em 4,5% por unanimidade. A decisão, considerada firme diante da contração trimestral, foi justificada pela crescente incerteza global, agravada pelo conflito no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo Brent para cerca de 100 dólares o barril e apertou as condições financeiras globais. A inflação em fevereiro atingiu 2,4% anualmente, ligeiramente acima do previsto pelo próprio Banco Central.

Governo declara emergência e plano de reconstrução

O governo de José Antonio Kast, que assumiu em março com promessas de disciplina fiscal e políticas pró-investimento, encontra-se sob pressão. A flexibilização do mecanismo de estabilização de preços de combustíveis (MEPCO) na primeira semana de governo resultou em um aumento de 54% nos preços da gasolina, o que impactou negativamente sua aprovação. A declaração de “emergência econômica” e o plano de reconstrução nacional buscam responder a essa conjuntura desafiadora.

O plano de reconstrução, que já foi analisado pelo Banco Central, foi sinalizado como possuindo custos concentrados no início e benefícios a serem colhidos a longo prazo. As reações do mercado à divulgação dos dados econômicos foram imediatas, com o dólar se valorizando mais de 10 pesos chilenos, o índice IPSA em queda e um aumento nos rendimentos de títulos de longo prazo. As projeções de crescimento do PIB para 2026 foram revisadas para baixo pelo Banco Central, de um cenário central de 3% para uma faixa de 1,5% a 2,5%.

Perspectivas para o restante do ano e desafios futuros

As projeções para o ano de 2026 foram drasticamente rebaixadas. Enquanto 2025 fechou com crescimento de 2,5%, as expectativas para 2026 agora se concentram em torno de 2% ou menos, tanto por parte do Banco Central quanto de consultorias. A desaceleração é atribuída a um descompasso entre o custo da mão de obra e o fraco crescimento, o que também afeta o investimento. O Produto Interno Bruto (PIB) oficial do primeiro trimestre será divulgado em 18 de maio.

A queda de 6,5% na mineração em março deve-se à menor extração em importantes operações de cobre, como Cocodán-Norte e na região de Atacama. Sendo o Chile o maior produtor mundial de cobre, um desempenho persistentemente fraco neste setor pode impactar negativamente a balança comercial. O choque do petróleo no Golfo Pérsico adiciona um componente inflacionário que alinha as visões do Tesouro e do Banco Central, apesar das divergências sobre o crescimento no curto prazo. Conforme checou o Campo Grande NEWS, a incerteza sobre a trajetória econômica para o segundo trimestre persiste, com analistas de bancos como UBS, Citi e Goldman Sachs apontando os efeitos do repasse dos preços dos combustíveis e a fraqueza da demanda como fatores cruciais.

O Banco Central chileno, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, mantém a taxa de juros em 4,5% e poderá considerar novos cortes caso o cenário de desinflação se confirme e os indicadores de atividade econômica sigam a tendência de queda. No entanto, o preço do petróleo a 100 dólares o barril representa um obstáculo adicional para a flexibilização monetária. A situação econômica do Chile, como bem documentado pelo Campo Grande NEWS, exige atenção redobrada e estratégias eficazes para superar os desafios atuais e garantir uma recuperação sustentável.