A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) promoveu a capacitação Comunicar para Proteger, reunindo profissionais para debater a cobertura jornalística de casos de feminicídio. O evento destacou a importância de uma abordagem responsável, visando evitar a revitimização das vítimas e de seus familiares, além de combater a glamourização da violência. A iniciativa, conforme divulgado pela EBC, reforça o compromisso da empresa com os direitos humanos e a igualdade de gênero.
Jornalismo e a Luta Contra a Violência de Gênero
A capacitação teve como foco a apresentação do Guia de Comunicação de Feminicídios no Distrito Federal. O objetivo foi promover uma reflexão profunda sobre o papel do jornalismo na abordagem da violência de gênero, buscando práticas que preservem a dignidade das vítimas e contribuam para a conscientização e prevenção de novos casos. A forma como um feminicídio é noticiado pode tanto reforçar estereótipos prejudiciais quanto ajudar a contextualizar a violência de gênero como um grave problema social a ser enfrentado.
Diretrizes para uma Cobertura Sensível e Responsável
Conduzida pela juíza Fabriziane Zapata, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), e pelo delegado Marcelo Zago Gomes Ferreira, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a capacitação apresentou diretrizes e boas práticas essenciais. O encontro abordou como evitar a revitimização e a glamourização da violência, um ponto crucial para garantir o respeito às vítimas e seus familiares. A discussão também se aprofundou nos impactos da cobertura jornalística sobre a sociedade como um todo, ressaltando a responsabilidade da imprensa na construção de uma narrativa que fomente a compreensão e a prevenção.
A diretora-presidente da EBC, Antonia Pellegrino, enfatizou o compromisso da empresa: “Promover essa formação é reafirmar o compromisso da EBC com uma comunicação pública responsável, comprometida com os direitos humanos e com a igualdade de gênero”. Ela complementou que a cobertura jornalística de feminicídios deve ir além do relato do crime, contribuindo para que a sociedade compreenda as causas e contextos da violência contra as mulheres.
Myrian Pereira, diretora de jornalismo da EBC, destacou o pioneirismo da empresa em cobrir temas relevantes para a sociedade. “Agora que o tema tem ganhado cada vez mais espaço nos outros veículos, queremos também ter um diferencial, fazendo uma cobertura cada vez mais responsável e que apresenta à sociedade os serviços públicos disponíveis para combater tal violência”, afirmou.
Experiência e Conhecimento no Combate à Violência contra a Mulher
A juíza Fabriziane Zapata possui vasta experiência no enfrentamento à violência contra a mulher, atuando há anos no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Riacho Fundo e coordenando projetos voltados à educação e segurança pública sob a perspectiva de gênero. O delegado Marcelo Zago Gomes Ferreira, por sua vez, foi coordenador do Grupo de Trabalho Imprensa, responsável pela elaboração do Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal, demonstrando expertise no tema.
Ambos os especialistas ressaltaram a importância cultural do tema. “É um tema cultural e enraizado, por isso não podemos fechar os olhos para essa realidade”, disse Zapata. “É nosso dever auxiliar, de alguma maneira, e ensinar a população com a ajuda do jornalismo”, completou o delegado. Durante o curso, foi distribuído um Guia de Bolso para Jornalistas, com diretrizes para uma cobertura mais cidadã, e enfatizada a necessidade de incluir informações sobre serviços de apoio às vítimas em todas as reportagens sobre feminicídio.
Onde Buscar Ajuda em Casos de Violência
Para vítimas de violência ou para quem deseja denunciar, existem canais de ajuda disponíveis 24 horas por dia: DISQUE 190 (Polícia Militar) para emergências e ameaças iminentes, DISQUE 197 (Polícia Civil) para denúncias anônimas e repasse de informações, e LIGUE 180 (Central de Atendimento à Mulher) para orientação sobre direitos e encaminhamentos. Para atendimento jurídico gratuito, recomenda-se procurar a Defensoria Pública do estado.


