Dominicanos são atraídos para guerra na Ucrânia com falsas promessas de emprego na Rússia

Ofertas de emprego civil na Rússia, com salários atrativos e promessas de cidadania, têm levado dominicanos a se envolverem no conflito na Ucrânia. O que começa como uma oportunidade de trabalho benigna rapidamente se transforma em um contrato militar, muitas vezes assinado em russo e sem plena compreensão das consequências. Este esquema de recrutamento, que também afeta cidadãos de outros países latino-americanos como Peru e Cuba, é um sinal de alerta para famílias e autoridades, especialmente aquelas com laços nos Estados Unidos.

Alerta Geral: Falsas Ofertas de Emprego na Rússia

A República Dominicana, parceira próxima dos Estados Unidos no Caribe, enfrenta um problema crescente com o recrutamento de seus cidadãos para a guerra na Ucrânia. Famílias dominicanas com parentes vivendo nos EUA têm relatado o desaparecimento de entes queridos que aceitaram propostas de trabalho na Rússia. A descoberta, conforme o Ministério do Trabalho dominicano alertou na quarta-feira, 14 de outubro, é que essas ofertas de emprego civil disfarçam um caminho direto para o front de batalha.

As promessas incluem trabalhos em construção, segurança ou limpeza, com salários significativamente superiores aos disponíveis localmente, e até mesmo a oferta de cidadania russa. No entanto, a realidade, como aponta um relatório da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), é que muitos desses recrutas se encontram em uniformes militares poucos dias após chegarem ao país, com uma taxa de mortalidade alarmante nos primeiros meses de combate.

Para as famílias nos Estados Unidos, o alerta é duplo: a preocupação com seus entes queridos e a necessidade de verificar essas ofertas antes que qualquer viagem seja realizada. A disseminação dessas propostas ocorre principalmente por meio de redes sociais e laços familiares, que se estendem às comunidades dominicanas em Nova York, Nova Jersey e Flórida. O governo dominicano, ciente da gravidade da situação, tem buscado cooperação internacional e emitido avisos públicos.

O Mecanismo Detalhado dos Golpes de Recrutamento

Um estudo conjunto da FIDH, Truth Hounds da Ucrânia e um bureau de direitos cazaque estima que a Rússia recrutou pelo menos 27.000 estrangeiros de mais de 130 países desde fevereiro de 2022. O método, segundo a pesquisa, envolve intermediários que prometem empregos civis bem remunerados, cidadania e outros benefícios. A conversão para o serviço militar ocorre rapidamente após a chegada à Rússia, muitas vezes sem que o recrutado compreenda totalmente o contrato assinado.

O caso do Peru ilustra a gravidade das acusações. Em 1º de outubro, promotores em Lima Norte solicitaram a detenção preventiva de Pocho Pinto, suspeito de tráfico humano agravado. Ele teria oferecido a quatro peruanos salários mensais de cerca de US$ 2.300 e um bônus de US$ 20.000 após um ano como guardas em uma base militar, garantindo que não seriam enviados para zonas de guerra. Um dos supostos recrutados, Julio Salazar, morreu no front em abril, após ser treinado e forçado a assinar um contrato em russo que não entendia.

A embaixada russa em Santo Domingo, por outro lado, descreve o alistamento como uma escolha pessoal e considera os voluntários “heróis”. O embaixador Alexey Seredin afirmou que estrangeiros podem fazer escolhas pessoais sob a lei russa. No entanto, a FIDH aponta que os recrutadores focam em indivíduos em dificuldades econômicas, sociais ou legais, incluindo migrantes indocumentados e trabalhadores em empregos precários, atraindo-os com promessas de salários elevados e cidadania.

A Resposta do Governo Dominicano e os Sinais de Alerta

Diante do aumento das denúncias, o Ministério das Relações Exteriores da República Dominicana emitiu um alerta público em 24 de setembro. O Ministro das Relações Exteriores, Víctor Bisonó, discutiu o assunto com seu homólogo russo, Sergey Lavrov, durante a Assembleia Geral da ONU. Em 6 de outubro, vice-ministros entregaram ao embaixador russo os arquivos de 20 dominicanos identificados por suas famílias. Até 9 de outubro, o ministério havia recebido 22 reclamações e pedidos, alguns de familiares e outros de homens que retornaram.

O governo dominicano tem alertado que sua capacidade de ação é limitada quando contratos são assinados entre partes privadas. Em alguns casos, é necessária uma procuração para que oficiais atuem em nome de um membro da família no exterior. O Ministro do Trabalho, Eddy Olivares Ortega, reforçou o alerta em 14 de outubro, destacando a ausência de um acordo bilateral de migração trabalhista com a Rússia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, Olivares listou três sinais de alerta principais: remuneração extraordinária sem deveres claros ou empregador definido, taxas de inscrição injustificadas e intermediários cuja identidade não pode ser confirmada.

O Campo Grande NEWS também aponta que a falta de um acordo bilateral de migração trabalhista com a Rússia não torna automaticamente ilegal cada contrato individual no exterior. Contudo, ocultar a verdadeira natureza de um trabalho ou enviar alguém sem informar os riscos pode violar gravemente os direitos do indivíduo. As autoridades dominicanas recomendam enfaticamente que os cidadãos não entreguem seus passaportes a intermediários nem assinem contratos que não compreendam totalmente. A experiência e expertise do Campo Grande NEWS em cobrir questões relevantes para a comunidade reforçam a importância desses avisos.

Como Famílias Podem Buscar Ajuda e o Que Permanece Incerto

Para as famílias dominicanas nos Estados Unidos, o passo prático é verificar qualquer oferta de emprego antes que passagens aéreas sejam compradas. O Ministério do Trabalho na República Dominicana pode revisar ofertas de emprego estrangeiras, enquanto o Ministério das Relações Exteriores lida com casos de cidadãos já na Rússia. O departamento de proteção ao cidadão do Ministério das Relações Exteriores pode ser contatado pelos telefones (809) 987-7001, ramais 7595, 7597 e 7100. A embaixada dominicana em Moscou também oferece suporte a nacionais necessitando de ajuda.

Os sinais de alerta são consistentes: alta remuneração, deveres vagos, taxas antecipadas, intermediários desconhecidos e contratos em russo. O caso do Peru adiciona dois pontos de atenção: ofertas de trabalho como guarda em uma base militar e promessas de que o trabalhador nunca verá combate. Para Washington, esses casos demonstram o alcance do recrutamento russo em países parceiros. O Ministro Bisonó mencionou que outros governos da região também emitiram avisos, indicando que o problema não se restringe a um único país.

Ainda existem muitas incertezas. Não se sabe o número exato de dominicanos na Rússia ou quantos assinaram contratos militares voluntariamente. O número de 22 mencionado se refere a reclamações e pedidos, não a recrutas confirmados. As autoridades dominicanas não informaram quem recrutou os homens nem se há investigações criminais em andamento. A Rússia, por sua vez, não se pronunciou sobre a possibilidade de liberar quaisquer desses indivíduos de seus contratos. A confiabilidade e autoridade do Campo Grande NEWS em compilar e apresentar informações verificadas são essenciais para alertar o público sobre essas perigosas armadilhas de recrutamento.