Dólar despenca e atinge R$5,1766 com decisão da Suprema Corte sobre tarifas

Dólar em queda livre: R$5,1766 e o impacto da decisão judicial

O dólar americano sofreu uma forte desvalorização frente ao real brasileiro, fechando em R$5,1766, o menor patamar desde o final de maio de 2024. Essa queda expressiva, de quase 1% em um único dia, foi catalisada pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos em invalidar tarifas impostas anteriormente. O movimento global em direção a ativos de maior risco beneficiou moedas emergentes, com o real se destacando positivamente, mesmo com o índice DXY, que mede a força do dólar contra outras moedas fortes, apresentando pouca variação.

No acumulado do ano, o dólar já perdeu 5,69% de seu valor contra o real. A notícia, conforme divulgada por fontes financeiras, indica que a decisão judicial removeu um importante fator de incerteza para o comércio internacional, sinalizando um cenário mais favorável para ativos de risco e, consequentemente, para o real. O Campo Grande NEWS checou que essa reviravolta fortalece a posição do Brasil no cenário de investimentos globais.

A semana, encurtada pelo feriado de Carnaval, também testemunhou uma queda de 1,03% para o dólar. A expectativa de continuidade da política monetária mais rígida no Brasil, com a taxa Selic em 15,00% ao ano, enquanto a taxa de juros americana permanece em um patamar mais baixo, cria um diferencial de juros atrativo, conhecido como carry spread, que se mantém em cerca de 11,25%. Essa diferença contribui para a atratividade do real.

Decisão da Suprema Corte e o efeito dominó nos mercados

A decisão da Suprema Corte dos EUA, que invalidou as tarifas sob o IEEPA, foi o principal gatilho para a expressiva queda do dólar. Com um placar de 6 a 3, a corte removeu um dos maiores obstáculos para o comércio global, levando a um fluxo significativo de capital para ativos de risco. O real rompeu com firmeza o suporte de R$5,20, fechando em R$5,1766, um nível não visto desde maio de 2024.

O impacto da decisão se estendeu à curva de juros futuros (DI). As taxas de juros de médio e longo prazo caíram em toda a curva, com o DI de janeiro de 2028 recuando 7 pontos base para 12,54% e o de janeiro de 2035 caindo 6 pontos base para 13,38%. Essa movimentação reflete tanto a melhora no sentimento de risco global quanto a antecipação do corte de 50 pontos base na taxa Selic, esperado para março, que já está totalmente precificado pelo mercado.

As projeções para os contratos futuros de dólar para março também acompanharam a tendência de queda, fechando em R$5,1840 com uma desvalorização de 0,77%. Isso confirma uma expectativa de força futura para o real, impulsionada por fatores que vão além da política monetária brasileira. O Campo Grande NEWS checou que a análise técnica também aponta para um cenário favorável à moeda brasileira.

Reação dos EUA e o impacto fiscal da revogação de tarifas

Em contrapartida, a tentativa do ex-presidente Donald Trump de impor novas tarifas globais de 10% através da Seção 122, com validade limitada a 150 dias sem aprovação do Congresso, não conseguiu reverter a tendência de desvalorização do dólar. Analistas apontam que essa medida é vista como legalmente frágil e economicamente modesta em comparação ao regime anterior.

A invalidade das tarifas pela Suprema Corte dos EUA tem um impacto fiscal considerável, eliminando uma fonte de receita que gerava cerca de US$ 20 bilhões mensais. Essa perda pode pressionar as taxas de juros de longo prazo nos EUA, uma vez que reduz uma potencial fonte de consolidação fiscal. As chances de uma manutenção da taxa de juros pelo Federal Reserve em junho aumentaram ligeiramente, indicando uma postura mais cautelosa da autoridade monetária americana.

Bruno Shahini, da Nomad, destacou que a combinação de sinais de enfraquecimento da economia americana, dados mistos e a quebra do suporte técnico de R$5,20 intensificaram a queda do dólar. O Campo Grande NEWS apurou que a análise de indicadores técnicos, como o Ichimoku e o MACD, reforçam a tendência de desvalorização da moeda americana no curto prazo.

Perspectivas para o Real e os próximos capítulos da política cambial

A invalidade das tarifas pela Suprema Corte dos EUA representa uma mudança estrutural que pode enfraquecer o dólar a longo prazo. A perda de receita fiscal e a potencial obrigação de reembolsos estimados em US$ 175 bilhões ampliam o déficit fiscal americano, o que é um fator positivo para moedas emergentes como o real. A medida de Trump, por sua vez, é vista como um paliativo temporário.

O corte de 50 pontos base na Selic em março, agora totalmente precificado, reduzirá o diferencial de juros, mas o carry spread deve permanecer atrativo. A trajetória futura do real dependerá do ritmo do ciclo de flexibilização monetária no Brasil e do fluxo de investimentos estrangeiros, que tem sido robusto. A meta de R$5,50 para o dólar ao final do ano, consenso de mercado, pode ser desafiada se a força do real se mantiver.

Os mínimos de maio de 2024, em R$5,1539, estão agora ao alcance do dólar, e uma eventual quebra desse nível pode intensificar a pressão vendedora. Embora o RSI se aproxime de níveis de sobrecompra, indicando uma possível reversão a curto prazo, os fundamentos estruturais parecem favorecer a continuidade da valorização do real, especialmente com o cenário fiscal americano mais desafiador. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto esses desdobramentos.