Déficit comercial da Costa Rica dispara e atinge US$ 2,9 bilhões em 2026

O déficit comercial de bens da Costa Rica atingiu a marca de US$ 2,9 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, um aumento significativo em relação ao saldo negativo registrado anteriormente. Os dados divulgados pelo Banco Central da Costa Rica (BCCR) apontam que o mês de setembro, por si só, contribuiu com aproximadamente US$ 502 milhões para esse déficit, superando o valor de agosto.

Essa expansão do déficit é um sinal de alerta para a economia costarriquenha, indicando que o país está importando mais bens do que exportando. O cenário se torna ainda mais complexo com a recente imposição de uma tarifa de 12,5% pelos Estados Unidos sobre certos produtos exportados pela Costa Rica, medida que entrou em vigor em julho de 2026.

A principal preocupação reside na performance das exportações para a América do Norte, o mercado mais importante para os produtos costarriquenhos. No primeiro semestre, as vendas para essa região apresentaram uma queda de 2%. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa redução pode estar ligada a fatores econômicos globais e às novas tarifas impostas pelos EUA, embora os dados ainda não permitam uma análise definitiva da correlação.

Desaceleração nas exportações e impacto da tarifa americana

Os dados do Banco Central da Costa Rica, compilados a partir de registros alfandegários, revelam um quadro desafiador. O déficit acumulado até julho era de US$ 1,96 bilhão, subindo para US$ 2,40 bilhões até agosto e alcançando os US$ 2,90 bilhões em setembro. O salto em setembro, de cerca de US$ 502 milhões, foi consideravelmente maior do que os US$ 439 milhões registrados em agosto, representando um aumento de aproximadamente 68% acima da média mensal observada entre janeiro e agosto.

No período de janeiro a agosto de 2026, as exportações totais de bens da Costa Rica registraram um crescimento modesto de 4%, totalizando US$ 15,68 bilhões. No entanto, a queda nas vendas para a América do Norte, que responde por 48% das exportações, é um ponto de atenção. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa retração contrasta com o bom desempenho em outros mercados, como a Ásia, que apresentou um crescimento de 25%, e a Europa, com alta de 10%.

O Ministério do Comércio Exterior (Comex) da Costa Rica atribuiu o crescimento geral de 4% a um cenário de incertezas geopolíticas e comerciais. A ministra Indiana Trejos destacou que, apesar dos desafios, o resultado é considerado favorável. No entanto, a falta de divulgação dos dados de exportação de setembro pelo Comex até a data da consulta impede uma análise completa do impacto imediato das novas tarifas americanas.

Setores chave e o que observar no futuro

Os setores de equipamentos de precisão e médicos continuam liderando as exportações, representando 46% do total com US$ 7,29 bilhões, embora com um crescimento de apenas 1%. As exportações de produtos elétricos e eletrônicos mostraram um desempenho mais robusto, com um aumento de 18%, enquanto o setor de plásticos registrou uma queda de 5%. Esses números são cruciais para entender a dinâmica do comércio exterior costarriquenho e seu impacto na balança comercial.

Para exportadores e investidores americanos, o déficit crescente indica uma Costa Rica que demanda mais bens estrangeiros do que consegue suprir com suas próprias exportações. A tarifa americana de 12,5% sobre alguns produtos, que entrou em vigor em julho, adiciona uma camada de complexidade à relação comercial. O café, abacaxi, banana e suco de laranja estão entre os produtos isentos da tarifa, mas o impacto total da medida sobre as exportações ainda está sob análise.

O que está em jogo agora são os próximos relatórios. A divulgação dos dados de exportação de setembro pelo Comex e o balanço comercial de outubro pelo BCCR serão determinantes para confirmar se o aumento do déficit em setembro foi um evento isolado ou o início de uma tendência de aprofundamento do desequilíbrio comercial. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a ausência de informações detalhadas sobre a composição exata do déficit em setembro (se por maior importação ou menor exportação) e a impossibilidade de comparar os dados com o mesmo período do ano anterior adicionam incerteza à análise.

O cenário econômico da Costa Rica

A Costa Rica ocupa a 9ª posição em um ranking de 14 países na América Latina, com 36,5 pontos no Índice de Poder. Seu pilar mais forte é a capacidade estatal e segurança, enquanto o meio militar é seu ponto mais fraco. O país se alinha mais próximo a Washington em termos de orientação geopolítica. Essa posição no cenário internacional pode influenciar suas relações comerciais e a forma como lida com os desafios econômicos atuais.

O deficit comercial crescente é um indicador que merece atenção, especialmente para os envolvidos no comércio bilateral. Acompanhar as próximas divulgações de dados será fundamental para compreender a evolução da economia costarriquenha e seus impactos no cenário regional e internacional. A análise detalhada desses números permitirá uma visão mais clara sobre a saúde econômica da Costa Rica e suas perspectivas futuras.