A Ginga Cia de Dança inicia uma nova jornada com o projeto “Rompendo Silêncios”, levando arte e reflexão social para as cidades de Dourados, Ponta Porã e Campo Grande. A iniciativa, que já percorreu outras localidades de Mato Grosso do Sul, tem como objetivo principal debater a violência contra a mulher através da dança contemporânea, oferecendo apresentações gratuitas e oficinas formativas para o público. A proposta visa não apenas a apreciação artística, mas também a formação de novas plateias e o diálogo aberto sobre temas sensíveis.
Projeto “Rompendo Silêncios” chega à fronteira de MS
O espetáculo e o projeto “Rompendo Silêncios”, da renomada Ginga Cia de Dança, desembarcam em Dourados no dia 17 de abril, seguem para Ponta Porã em 18 de abril e encerram o circuito em Campo Grande no dia 1º de maio. Mais do que apresentações artísticas, a iniciativa promove ações formativas com oficinas gratuitas de dança contemporânea e momentos de bate-papo com o público após cada sessão. Essas atividades buscam criar um espaço de troca e reflexão sobre as questões abordadas na obra.
Anteriormente, o espetáculo já foi apresentado em Miranda e Anastácio, além de ter ocupado os palcos da capital sul-mato-grossense por quatro vezes, alcançando um público total de mais de 5.500 pessoas. Agora, o foco se volta para a região de fronteira, uma conquista possível graças ao financiamento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (Minc), com operacionalização do Governo de Mato Grosso do Sul, via Fundação de Cultura de MS. O projeto conta ainda com o apoio do Núcleo de Artes Cênicas da UFGD e da Prefeitura de Ponta Porã.
Chico Neller, diretor e coreógrafo da Ginga Cia de Dança, destaca a importância de levar a produção para o interior. “Levar o trabalho para o interior é uma decisão política e artística. A gente entende que não faz sentido concentrar esse tipo de produção só nos grandes centros. Quando chegamos nessas cidades, especialmente em regiões de fronteira, não estamos só apresentando um espetáculo, estamos nos colocando em contextos em que essas questões são muito presentes”, afirma Neller.
A Urgência dos Dados: Feminicídios em Mato Grosso do Sul
Os dados sobre violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul reforçam a relevância do projeto “Rompendo Silêncios”. Conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 2021 e 2025, mais de 180 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado. O ano de 2022 foi o mais violento, com 44 casos registrados, e o estado figura entre aqueles com as maiores taxas de feminicídios do país. Em 2025, foram 39 casos, superando os 35 de 2024, com uma taxa acima da média nacional. Nos primeiros meses de 2026, já são nove feminicídios. Esses números alarmantes evidenciam não só o crescimento da violência letal, mas também a fragilidade da rede de proteção.
Chico Neller explica que a obra aborda a violência contra as mulheres de forma direta, mas sem ser didática. “Ela não organiza respostas, ela abre questões. O que tenho percebido é que as pessoas saem afetadas, muitas vezes em silêncio, elaborando. Esse tipo de reação, mais reflexiva do que imediata, me interessa porque indica que a obra continua operando depois que termina”, reflete o coreógrafo.
“Rompendo Silêncios”: Uma Obra de Dança Contemporânea
O espetáculo “Rompendo Silêncios” é uma obra de dança contemporânea que mergulha nas estruturas invisíveis que moldam as relações humanas. A peça tensiona narrativas estabelecidas sobre poder, gênero e identidade, inspirando-se no trabalho anterior “Silêncio Branco” (2022). A proposta é expandir o debate sobre a violência para além de suas manifestações mais óbvias, oferecendo um olhar sensível sobre os silenciamentos que permeiam o cotidiano.
Em cena, os corpos exploram os limites entre opostos e zonas de incerteza, desafiando a dicotomia fixa entre vítima e opressor. A criação busca abrir espaço para novas possibilidades de existência, proporcionando uma experiência imersiva e provocadora. O movimento se torna uma linguagem potente de resistência, reflexão e transformação, convidando o público a atravessar camadas de sentido e a imaginar novas formas de convivência.
Oficina “Corpo (In)submissos”: Dança como Ato Político
Complementando a experiência do espetáculo, o projeto “Rompendo Silêncios” oferece a oficina “Corpo (In)submissos” nas três cidades. A atividade parte da dualidade entre submissão e insurgência para investigar como o corpo absorve, reage e ressignifica experiências de opressão e silenciamento. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a oficina é aberta a artistas da dança, estudantes e ao público em geral, com foco em jovens a partir de 16 anos e adultos.
A proposta é uma vivência crítica e poética, onde o corpo se transforma em voz e a dança se manifesta como um ato político. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas através dos links disponibilizados para cada cidade. A equipe do Campo Grande NEWS ressalta a importância dessas iniciativas para o acesso à cultura e ao debate social.
Ginga Cia de Dança: 40 Anos de Arte e Engajamento
Em 2026, a Ginga Cia de Dança celebra quatro décadas de história, consolidando-se como um dos grupos de dança contemporânea mais importantes de Mato Grosso do Sul. Ao longo de sua trajetória, a companhia se destaca pela criação de obras que mesclam pesquisa estética, engajamento social e formação de público. A atuação da Ginga Cia tem sido fundamental para ampliar o alcance da dança no estado e em todo o país, como bem documenta o Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre a cena cultural.
Programação Detalhada:
Dourados (MS)
Oficina: 17 de abril, das 9h às 11h, na Sala de Preparação Corporal do Núcleo de Artes Cênicas – UFGD. Vagas limitadas. Inscrições: https://forms.gle/og5UGyih9XN23JiQA.
Espetáculo: 17 de abril (sexta-feira), às 20h, na Caixa Cênica do Núcleo de Artes Cênicas da UFGD. Entrada gratuita (retirada de ingressos 30 minutos antes).
Ponta Porã (MS)
Oficina: 18 de abril, das 9h às 11h, na Sala de Dança – Rua General Osório n° 2150 (antiga estação ferroviária). Vagas limitadas. Inscrições: https://forms.gle/sb8yVvD4UjR3pJ1BA.
Espetáculo: 18 de abril (sábado), às 19h, no Auditório do Centro Internacional de Convenções de Ponta Porã. Entrada gratuita (retirada de ingressos 30 minutos antes).
Campo Grande (MS)
Oficina: 29 de abril, das 19h30 às 21h30, na Ginga Espaço de Dança – Rua Brigadeiro Tobias n° 956 – Bairro Taquarussu. Vagas limitadas. Inscrições: https://forms.gle/qoCWHCeSQoKgWsGt5.
Espetáculo: 1º de maio (sexta-feira), às 19h, no Teatro Aracy Balabanian. Entrada gratuita (retirada de ingressos 30 minutos antes).

