Cria do Santa Luzia: Arthur Dias na Seleção Brasileira é orgulho para Campo Grande

De Campo Grande para a Seleção Brasileira principal. A convocação do zagueiro Arthur Dias, de 19 anos, pelo técnico Carlo Ancelotti, é motivo de imenso orgulho para familiares e vizinhos do bairro Santa Luzia, em Campo Grande. A trajetória do jovem jogador, que deu seus primeiros passos no futebol em campos modestos do bairro, agora alcança o ápice com a camisa amarela do Brasil, representando a concretização de um sonho de infância.

Arthur Dias: A ascensão de um craque do Santa Luzia

Arthur Dias, zagueiro de 19 anos natural de Campo Grande, foi chamado pela primeira vez para a Seleção Brasileira principal. A convocação veio na primeira lista de Ancelotti após a Copa do Mundo de 2026, dando início ao ciclo para o Mundial de 2030. O jogador, que atualmente defende o Athletico-PR, está entre os defensores convocados para os amistosos contra Austrália e Índia. Essa notícia ecoou com grande alegria no bairro Santa Luzia, onde Arthur cresceu e deu os primeiros chutes na bola.

Para os moradores do Santa Luzia, acompanhar a evolução de Arthur Dias tem sido uma jornada emocionante. Desde as brincadeiras nas ruas do bairro até os treinos levados a sério pela família, cada passo foi observado com carinho e expectativa. A ida para o Athletico-PR, aos 15 anos, já era um grande feito, mas a convocação para a Seleção principal eleva o orgulho a um novo patamar, mostrando que o talento lapidado em Campo Grande pode brilhar no cenário mundial.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a trajetória de Arthur Dias é um testemunho de dedicação, talento e, acima de tudo, forte apoio familiar. O pai foi fundamental para levá-lo ao futebol desde cedo, passando por projetos locais como o Pelezinho e a Funlec, antes de rumar para Curitiba. Essa base sólida, construída no bairro Santa Luzia, é celebrada por todos que acompanharam de perto a ascensão do jovem zagueiro. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a notícia da convocação reacendeu memórias e fortaleceu o sentimento de pertencimento no bairro.

Um sonho que começou no Santa Luzia

O tio de Arthur, Mauro Aparecido Mores Neto, de 49 anos, soube da convocação por meio de sua irmã e destacou a paixão do sobrinho pela bola desde muito cedo. “Desde a barriga da mãe dele. O guri não parava com a bola, não. Aqui ele passava o dia inteiro batendo bola. Era terrível, mas ele gostava muito”, relatou Mauro, ressaltando a vocação precoce do jogador.

Antes de se destacar no Athletico-PR, Arthur passou por importantes projetos de formação em Campo Grande. Seu pai o incentivava nos treinos no Pelezinho e, posteriormente, ele teve a oportunidade de integrar a Funlec. A partir daí, seu talento começou a ser lapidado, abrindo caminhos para as categorias de base do clube paranaense. “Da Funlec, ele já começou a ir para fora, até que foi para o Athletico, em Curitiba”, explicou o tio.

A mudança para Curitiba ocorreu quando Arthur tinha apenas 15 anos. No Athletico-PR, ele iniciou sua jornada nas categorias de base, construindo gradualmente o caminho que o levaria às seleções brasileiras. Segundo Mauro, as convocações para as categorias inferiores eram frequentes. “Ele sempre foi convocado. Desde o Sub-17, depois Sub-20 e agora chegou à Seleção principal. Se não me engano, quando foi convocado para uma das seleções de base, ele até foi capitão”, afirmou.

Vizinhança celebra a conquista do “cria” do bairro

Veria Lúcia, vizinha há cerca de 40 anos no Santa Luzia, acompanhou de perto o crescimento de Arthur. Ela se lembra de ver a avó do jogador levá-lo para a escola e de suas promessas de infância. “Sempre, sempre. Eu via a avó dele levando ele para a escola. Ele estudava e sempre falava: ‘Eu vou crescer, vou crescer’. E também dizia que ia levar a avó dele com ele. E hoje ela está lá com ele”, contou Veria, emocionada.

A promessa de infância se tornou realidade. Arthur primeiro foi para Curitiba sozinho, depois levou a mãe e, posteriormente, a avó para morar com ele. “Ela está lá, toda feliz, e não quer saber de voltar”, disse Veria. A vizinha também recorda Arthur como um menino educado, que brincava com os primos e passava tempo em sua casa enquanto a avó trabalhava. “Ele era muito educado, não era pessoa de ficar na rua, essas coisas”, lembrou.

Veria sempre incentivou Arthur a não descuidar dos estudos. “Eu falava para ele: ‘Tem que estudar, você não pode largar os estudos’. Porque futebol você sabe como é: hoje você está bem, amanhã você não sabe. Então tem que estudar, nunca deixar o estudo”, aconselhava. Apesar de não ser um aluno dedicado aos livros, Arthur conseguia acompanhar as aulas com atenção. “Ele nunca foi de ficar no livro, mas só de prestar atenção na sala de aula já conseguia aprender”, disse.

Hoje, Veria acompanha os jogos do zagueiro pelo Athletico pela televisão e se preocupa com as quedas e lesões. “Na hora pensei: ‘Nossa, a mãe dele deve estar apavorada de ver ele cair e se machucar’. Agora, a torcida da vizinha ganhou uma nova dimensão. “Estou muito feliz por ele. Agora estou torcendo para o vizinho. Feliz pelo filho, feliz por ele. Graças a Deus. Se Deus quiser, vai para frente”, afirmou.

Orgulho em cada etapa da carreira

Wilma da Silva Torres, moradora do bairro há 33 anos, também acompanhou Arthur desde pequeno, jogando no Pelezinho. “O pai levando, a mãe levando, o tio levando. A gente viu ele crescer”, contou Wilma, que vê Arthur como um filho. A relação com a família se estendeu às irmãs de Arthur, que frequentavam a casa de Wilma desde pequenas.

Para Wilma, as convocações para as seleções de base já eram motivo de emoção. A chamada para a equipe principal elevou o orgulho a um novo patamar. “Foi um orgulho tremendo. Eu tenho orgulho das minhas filhas, mas senti um orgulho como se fosse um filho meu. Vai ser emocionante ver ele numa Copa do Mundo, ver ele jogando na Seleção Brasileira”, declarou.

Wilma resume a trajetória de Arthur como uma escalada gradual. “Já era emocionante, porque ele passou pelo Sub-16, pelo Sub-20. Foi cavalgando um degrau de cada vez. E olha aí onde ele chegou.” Para a vizinha, agora “o mundo é pequeno” para Arthur. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a comunidade do Santa Luzia se sente representada pelo sucesso do zagueiro.

“Cria do Santa Luzia”: um vínculo que permanece

Mesmo com a carreira consolidada e a distância de Campo Grande, Arthur Dias mantém fortes laços com o bairro onde cresceu. Sua mãe e avó continuam ligadas ao Santa Luzia, e o jogador faz questão de visitar familiares e amigos sempre que retorna à cidade. Recentemente, esteve em Campo Grande para o aniversário da filha de seu tio.

A rotina intensa de jogos e viagens torna as visitas menos frequentes. “Agora é mais em ocasiões especiais, porque ele viaja muito e tem muitos jogos. Às vezes minha irmã fala: ‘O Arthur foi para não sei de onde jogar’. É difícil até acompanhar”, contou Mauro. Para Vilma, a distância não diminuiu o vínculo com o bairro: “Com certeza. Cria do Santa Luzia. Tem gente que não conhece o Arthur aqui na vila, mas ele é o Arthur, ele é nosso, ele é do Santa Luzia. E a gente está muito orgulhosa, muito orgulhosa mesmo”, afirmou.

Vilma guarda uma promessa especial: se Arthur disputar uma Copa do Mundo, ela pretende transformar sua casa em uma homenagem ao jogador, pintando a rua, o muro e estampando o rosto dele. “Vou fazer isso por você, por orgulho do nosso bairro.” A expectativa é que, quando Arthur entrar em campo pela Seleção, a torcida do Santa Luzia tome conta do bairro. “Quando ele entrar em campo numa Copa, a gente vai estar reunido e vai fazer bagunça nesse Santa Luzia”, disse Vilma. “Já pensou ele trazer uma taça para nós? Vai ter muito orgulho”, completou.

Uma trajetória construída em família e com apoio comunitário

Para o tio Mauro, a convocação de Arthur é inseparável do esforço familiar. “Com certeza. O pai ajudou, a mãe sempre ajudou, muitos amigos também. Então é uma conquista muito grande”, afirmou. Mauro já guarda uma lembrança especial: uma camiseta da Seleção Brasileira. “É muito maravilhoso. Eu já tenho até a camiseta da Seleção Brasileira. É uma conquista que não é para qualquer um. Tudo tem um preço, e ele não está lá à toa”, declarou.

A convocação de Arthur Dias é o ápice de uma jornada que começou na infância em Campo Grande, passou pelo futebol de base e chegou às seleções inferiores antes de alcançar a equipe principal. Agora, o menino que passava os dias jogando bola no Santa Luzia terá pela frente o primeiro compromisso com a Seleção Brasileira. O Brasil enfrentará a Austrália duas vezes, em 25 e 29 de setembro, em Townsville e Brisbane, respectivamente. Posteriormente, a equipe seguirá para a Índia, onde enfrentará a seleção local em 3 de outubro, em Calcutá.