Costa Rica: Ministro das Relações Exteriores é Demitido em Meio a Polêmica com Presidente

O ministro das Relações Exteriores da Costa Rica, Manuel Tovar, foi demitido na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, após apenas 139 dias no cargo. A decisão, anunciada pela presidência, ocorreu enquanto Tovar liderava a delegação costarriquenha na Assembleia Geral da ONU. A alegação principal é que o ministro compareceu a uma sessão do “Escudo das Américas” com Donald Trump no dia 22 de setembro sem informar a Presidente Laura Fernández.

A presidência classificou a atitude de Tovar como “negligência” que causou “grande dano estratégico” ao impedir a participação da chefe de Estado. Essa acusação, no entanto, contrasta com o fato de que a reunião era pública há dias e que a própria Presidente Fernández havia anunciado em julho que pularia a semana da ONU para focar em assuntos internos. A substituição de Tovar será feita pela Ministra do Comércio Exterior, Indiana Trejos, que assumirá interinamente após retornar de Nova Iorque. Conforme apurou o Campo Grande NEWS, Tovar se torna o ministro das Relações Exteriores com o menor tempo de serviço desde 1948.

Demissão Inesperada em Nova Iorque

A demissão de Manuel Tovar pegou muitos de surpresa, especialmente pelo momento em que ocorreu: durante uma cúpula internacional. A presidência da Costa Rica emitiu um comunicado afirmando que Tovar participou da reunião com Donald Trump “sem dar aviso prévio ou informar a Presidente da República sobre sua participação”. A alegação de “negligência” e “grande dano estratégico” ressalta a gravidade com que o governo enxerga a ausência da Presidente Fernández em um evento considerado fundamental na luta contra o narcotráfico e o crime organizado.

Em um gesto de apaziguamento, a Presidente Fernández se desculpou publicamente à embaixadora dos Estados Unidos, Melinda Hildebrand, durante um evento de doação de equipamentos de segurança. “Lamento minha ausência na reunião convocada pelo governo dos Estados Unidos”, declarou Fernández, admitindo que o erro na comunicação do convite “não passou despercebido”. Ela reforçou seu “firme compromisso” com o “Escudo das Américas”, uma coalizão liderada pelos EUA.

O Encontro com Trump e a Controvérsia

A reunião do “Escudo das Américas”, que contou com a presença de líderes como Donald Trump, Javier Milei (Argentina) e José Antonio Kast (Chile), ocorreu na sede da ONU. O encontro, que faz parte de uma iniciativa lançada em março de 2026 para combater o crime organizado, reuniu dez presidentes. Quinze governos, incluindo a Costa Rica, emitiram uma declaração conjunta contra grupos criminosos, também conhecida como “narco-terroristas”, e planejam buscar consultas junto à OEA. A declaração também aborda aspectos econômicos, como a triagem de investimentos e regulamentações para infraestrutura digital.

No entanto, a alegação de falta de comunicação por parte de Tovar levanta questionamentos. O próprio ministro havia informado ao Miami Herald em 17 de setembro sobre a sessão de alto nível planejada para a semana seguinte em Nova Iorque. Outros países, como Paraguai e República Dominicana, anunciaram a participação de seus líderes. O Departamento de Estado dos EUA também publicou a agenda, nomeando o Secretário de Estado Marco Rubio como anfitrião. A Presidente Fernández, por sua vez, havia manifestado desde julho a intenção de não participar da semana da ONU, priorizando agendas de segurança e investimento em seu país. Em 22 de setembro, ela estava em Barranquilla, Colômbia, reunida com o Presidente Abelardo de la Espriella, em sua primeira viagem oficial ao exterior.

Repercussão e Futuro Político

A demissão de Manuel Tovar gerou reações diversas no cenário político costarriquenho. Parlamentares da oposição expressaram surpresa e criticaram a instabilidade no gabinete ministerial. Manuel González, ex-ministro das Relações Exteriores, comentou que nunca viu um ministro ser removido no meio de uma cúpula. Especialistas consultados pelo La Nación sugeriram que o momento da demissão poderia enfraquecer a candidatura de Rebeca Grynspan, costarriquenha que busca a secretaria-geral da ONU, para a qual Tovar expressou apoio em Nova Iorque. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a substituta interina, Indiana Trejos, possui sólida experiência em comércio exterior, tendo trabalhado em acordos com os Estados Unidos e a União Europeia.

Manuel Tovar, por sua vez, aceitou a decisão com serenidade e agradeceu pela oportunidade de servir. “Aceito este momento com grande paz”, escreveu em sua conta no X, anteriormente Twitter. A nomeação de Indiana Trejos como ministra interina das Relações Exteriores indica a prioridade que o governo Fernández dá às relações comerciais e diplomáticas. A decisão, conforme o Campo Grande NEWS analisou, sinaliza a importância que a Presidente atribui aos laços com a administração Trump e a necessidade de manter uma comunicação transparente em assuntos de segurança internacional, especialmente após recentes declarações de Tovar sobre o rompimento de relações com Cuba.

O que vem a seguir

Os próximos passos incluem a nomeação de um novo ministro das Relações Exteriores permanente e a definição de quem fará o discurso da Costa Rica na Assembleia Geral da ONU. A situação levanta questões sobre a estabilidade política e a condução da política externa do país. A demissão de Tovar, como noticiado pelo Campo Grande NEWS, é um marco na história diplomática da Costa Rica, com o ministro servindo pelo menor período desde 1948, evidenciando um período de turbulência na diplomacia costarriquenha.