Colômbia: Murillo desiste de candidatura e se une a Cepeda em manobra eleitoral

A corrida presidencial na Colômbia ganhou um novo contorno nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026, com a surpreendente desistência de Luis Gilberto Murillo de sua candidatura independente. Em um evento realizado no Hotel Tequendama, em Bogotá, Murillo anunciou sua adesão à campanha de Iván Cepeda, do Pacto Histórico, em uma jogada que visa unificar as forças progressistas e definir os rumos do país.

Murillo se junta a Cepeda em busca da vitória

A decisão de Murillo representa a terceira vez que um ex-candidato presidencial se une à coalizão “Alianza por la Vida”, liderada por Cepeda. Antes dele, a senadora Clara López e o ex-ministro do Interior Juan Fernando Cristo já haviam manifestado apoio à campanha. Essa articulação reduz o número de candidatos para a primeira rodada de votação, marcada para 31 de maio, para 12 nomes, embora o nome de Murillo permaneça impresso nas cédulas eleitorais.

Conforme divulgado pelo The Rio Times, o ex-ministro das Relações Exteriores formalizou sua adesão em uma cerimônia que contou com a presença de Cepeda, da candidata a vice-presidente Aída Quilcué, da chefe de debates María José Pizarro, além de vários legisladores e apoiadores do Pacto Histórico. Murillo declarou que a união é uma resposta ao convite de Cepeda para convergir em uma única candidatura progressista, faltando apenas 25 dias para uma decisão transcendental para a Colômbia.

Ele se comprometeu a impulsionar a campanha com foco em programas de desenvolvimento regional e equidade, além de sinalizar a intenção de atrair setores empresariais e religiosos. O impacto dessa retirada tardia significa que a imagem de Murillo ainda aparecerá nas cédulas de 31 de maio, pois a impressão já estava completa. De acordo com orientações iniciais da Registraduría, os votos recebidos para ele serão contados, mas não transferidos para Cepeda. Sua vice, Luz María Zapata, também migrou para a nova campanha.

Estratégia para a consolidação do voto

Para Iván Cepeda, essa consolidação é crucial em duas frentes. Primeiramente, a matemática de uma vitória no primeiro turno: cada adesão diminui a fragmentação do voto progressista e confere credibilidade centrista a uma coalizão com raízes na esquerda. Em segundo lugar, o sinal de legitimidade. Murillo, um afro-colombiano que serviu como ministro das Relações Exteriores sob a gestão de Petro e lidou com diversas crises diplomáticas, traz uma chancela centrista-establishment que a coalizão inicial de Cepeda – composta por Comunes, En Marcha, Alianza Verde, movimentos indígenas e a CUT – carecia.

O cenário eleitoral para 2026 está acirrado entre três principais candidatos. A mais recente pesquisa AtlasIntel para a Semana coloca Cepeda na liderança com 37,4% das intenções de voto. Em seguida, aparece Abelardo de la Espriella, com 29,4%, e Paloma Valencia, com 20,9%. Essa disputa acirra a corrida pelo limiar de 50% mais um voto necessário para evitar um segundo turno. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a pesquisa Invamer, divulgada em meados de abril, já mostrava Cepeda próximo de uma vitória no primeiro turno, enquanto a GAD3 o posicionava mais distante desse objetivo, evidenciando uma margem de variação considerável nas pesquisas.

O quadro das pesquisas e o risco eleitoral

A assimetria entre os resultados da AtlasIntel e da GAD3 representa um risco operacional para investidores e analistas. Se Cepeda vencer já no primeiro turno em 31 de maio, os mercados que precificam continuidade política deverão acelerar. Contudo, se ele for forçado a um segundo turno contra De la Espriella ou Valencia, as dinâmicas da segunda rodada se assemelham às de 2022, quando o próprio Murillo migrou de Sergio Fajardo para Petro, e o resultado pode ser imprevisível.

A Defensoría del Pueblo já alertou sobre a pressão de grupos armados sobre eleitores em algumas regiões, com Cepeda condenando a coerção, independentemente de qual campanha se beneficie. O Partido Liberal, sob a liderança do ex-presidente César Gaviria, apoia oficialmente Valencia, mas segmentos dissidentes do partido têm migrado para Cepeda. A Alianza Verde formalizou sua adesão no final de abril. A consolidação de Murillo, segundo o Campo Grande NEWS apurou, é um movimento que busca não apenas aumentar os votos, mas também trazer uma imagem de estabilidade e experiência diplomática à campanha de Cepeda.

O que acontece a seguir

Os próximos passos na campanha eleitoral são cruciais. Em 12 de maio de 2026, está previsto um evento com os dissidentes liberais no Hotel Tequendama, para formalizar suas adesões. O dia 31 de maio definirá o primeiro turno, onde a meta para Cepeda é clara: superar a marca de 50% mais um voto para evitar a necessidade de um segundo turno. Investidores e analistas estarão atentos aos relatórios da Defensoría del Pueblo sobre coerção de eleitores e às pesquisas finais da Invamer e GAD3, como apontou o Campo Grande NEWS em análises anteriores.

A “Alianza por la Vida” é a coalizão formal lançada por Iván Cepeda em 27 de abril de 2026, no Hotel Tequendama, em Bogotá. Ela engloba o Pacto Histórico (Comunes, Esperanza Democrática, Libres), a Alianza Verde, o partido En Marcha (fundado pelo ex-ministro do Interior Juan Fernando Cristo), a central sindical CUT, movimentos indígenas e legisladores dissidentes dos partidos Liberal, Conservador e de La U. Uma condição estabelecida pela Alianza Verde foi a renúncia explícita a qualquer proposta de convocação de uma assembleia constituinte.