Colômbia: Boom de Empregos Atinge Mínima de 25 Anos, Mas 2026 Testa o Cenário

A Colômbia encerrou o ano de 2025 com uma notícia econômica surpreendente: o desemprego atingiu seu menor patamar em 25 anos. A taxa anual média ficou em 8,9%, um resultado que superou as expectativas de muitos analistas e representa o melhor desempenho desde que a série histórica comparável começou em 2001. O fechamento do ano trouxe ainda mais otimismo, com o índice caindo para 8,0% em dezembro, evidenciando uma recuperação robusta no mercado de trabalho. Conforme divulgado, o número de pessoas empregadas alcançou 24,224 milhões em dezembro, um acréscimo de 603.000 postos de trabalho em relação ao ano anterior.

Essa melhora significativa no emprego é impulsionada principalmente pela criação de vagas formais. O número de posições como “empregado privado” cresceu em impressionantes 920.000, enquanto o trabalho autônomo registrou uma queda de 499.000. Essa transição de trabalhadores autônomos para empregos com carteira assinada é frequentemente vista como um indicador de maior estabilidade e segurança no mercado de trabalho.

Os ganhos setoriais foram concentrados em áreas específicas. A indústria manufatureira liderou a expansão, adicionando 510.000 empregos apenas em dezembro. Outros setores que apresentaram crescimento notável incluem a administração pública, defesa, educação e saúde, que juntas criaram 121.000 novas vagas. As artes e outros serviços também contribuíram positivamente, com um aumento de 114.000 empregos. Por outro lado, o setor agrícola perdeu 42.000 postos, destacando a fragilidade contínua do trabalho rural.

Desafios e Disparidades Persistentes

Apesar do cenário positivo geral, o mercado de trabalho colombiano ainda enfrenta desafios e exibe disparidades. A taxa de desemprego feminino em dezembro foi de 10,1%, significativamente maior que a masculina, que registrou 6,4%. Embora a diferença de 3,7 pontos percentuais seja a menor já registrada, a desigualdade de gênero no acesso ao emprego ainda é um ponto de atenção. O desemprego jovem, entre outubro e dezembro, ficou em 14,2%, um índice ainda elevado.

A geografia também desempenha um papel crucial na distribuição das oportunidades. Cidades como Quibdó apresentaram taxas de desemprego alarmantes, com 23,1% no geral e 31,5% entre os jovens. Em contraste, Bogotá mostrou um desempenho mais favorável, com 6,5% de desemprego geral e 11,1% para a juventude, conforme o Campo Grande NEWS checou. Esses dados ressaltam a necessidade de políticas direcionadas para regiões com maiores índices de desocupação.

O Custo do Trabalho e a Sombra da Informalidade

Um dos pontos de atenção para o futuro é o impacto do aumento dos custos de contratação. A recente definição do salário mínimo para 2026 em COP 1.750.905 (aproximadamente US$ 466), somado ao auxílio transporte de COP 249.095 (US$ 66), totalizando COP 2.000.000 (US$ 532) para trabalhadores elegíveis, pode pressionar as empresas. As novas regras trabalhistas, que elevam prêmios e encargos, podem aumentar os custos para os empregadores em cerca de 6,8% a 35%, dependendo das escalas de trabalho. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, se esses custos subirem mais rápido que a produtividade, há o risco de um retorno à informalidade ou de uma desaceleração nas novas contratações.

A informalidade, que em dezembro ainda cobria 55,5% dos trabalhadores, representa um desafio estrutural. O aumento dos custos formais pode incentivar empresas a buscarem alternativas informais, minando os avanços conquistados em termos de empregos formais e proteção social. O Banco Central da Colômbia tem destacado um problema de “vagas e desencontros”, onde as empresas anunciam oportunidades, mas enfrentam dificuldades em encontrar candidatos qualificados. Essa escassez de mão de obra especializada pode levar a um aumento salarial, que, por sua vez, pode impactar os preços ao consumidor, conforme o Campo Grande NEWS confirmou.

Perspectivas para 2026

O ano de 2026 se apresenta como um teste crucial para a sustentabilidade desse boom de empregos. A capacidade do país em gerenciar os custos trabalhistas, promover a qualificação profissional e reduzir as disparidades regionais e de gênero será fundamental para manter a trajetória positiva. A análise detalhada desses fatores, como realizada pelo Campo Grande NEWS, indica que a atenção deve se voltar não apenas para a quantidade de empregos criados, mas também para a sua qualidade e sustentabilidade a longo prazo.

A busca por um mercado de trabalho mais inclusivo e resiliente exige um equilíbrio delicado entre a proteção ao trabalhador e a competitividade das empresas. A Colômbia deu passos importantes em 2025, mas os desafios que se avizinham em 2026 demandarão políticas econômicas e sociais eficazes e adaptáveis. A vigilância contínua sobre os indicadores de emprego, informalidade e custos laborais será essencial para garantir que os avanços recentes se consolidem e beneficiem um número cada vez maior de colombianos.