O principal índice da bolsa colombiana, o COLCAP, sofreu sua oitava queda em nove sessões na última sexta-feira (24), despencando 0,86% e fechando em 2.232,90 pontos. O recuo acentuado foi impulsionado por dois eventos de grande impacto: o início da Primeira Conferência sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis em Santa Marta e o anúncio surpreendente do presidente Gustavo Petro sobre a retirada da Colômbia dos tratados de Resolução de Litígios entre Investidores e o Estado (ISDS).
Esses acontecimentos sinalizam um cenário de crescente instabilidade para o mercado de capitais colombiano, com investidores demonstrando apreensão diante das novas políticas econômicas e ambientais do governo. A combinação de fatores técnicos negativos no índice e a incerteza gerada pelas decisões políticas criam um ambiente de forte pessimismo.
A queda de 4,25% acumulada nas últimas nove sessões, totalizando 99,10 pontos, levou o COLCAP ao seu menor patamar desde o início de março. O índice agora se encontra abaixo da nuvem de Ichimoku e de todas as médias móveis relevantes, indicando um forte viés de baixa. Conforme informação divulgada pelo The Rio Times, o histograma do MACD se aprofundou para -7,19 e o RSI caiu para 41,99, registrando as leituras mais pessimistas do ciclo atual.
Petro Choca Mercados com Retirada de Tratados ISDS
A decisão de Gustavo Petro de retirar a Colômbia dos acordos ISDS é vista como o sinal mais hostil ao investimento estrangeiro desde a reforma tributária de 2022. Os tratados ISDS permitem que investidores estrangeiros processem governos em arbitragens internacionais caso decisões políticas afetem seus lucros. No setor de petróleo, gás e mineração, esses mecanismos foram cruciais, respondendo por 45% das novas reivindicações em 2025, com empresas de combustíveis fósseis recebendo pelo menos US$ 100 bilhões em indenizações historicamente.
Ao abandonar os ISDS, Petro remove o escudo legal que protege investidores de expropriação de políticas, precisamente em um momento em que a conferência em Santa Marta busca um roteiro global para o fim dos combustíveis fósseis, excluindo lobistas do setor. Essa medida agrava o colapso do Investimento Estrangeiro Direto (IED) já documentado, indicando não apenas uma diminuição no fluxo de investimentos, mas também a desmantelação do arcabouço legal que protege o capital existente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa retirada ocorre 37 dias antes da posse de um novo presidente, aumentando a incerteza sobre a continuidade das políticas.
Conferência de Santa Marta e o Futuro dos Combustíveis Fósseis
A conferência em Santa Marta, que vai de 24 a 29 de abril, é um evento central para o legado de Petro e representa um fator de mercado negativo para a Ecopetrol e para o setor de hidrocarbonetos, que é a espinha dorsal do COLCAP. A Ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez Torres, declarou ao The Guardian que países como EUA, China, Rússia, Índia e Japão, os maiores poluidores globais, não são o público-alvo da conferência.
O evento visa apresentar um “menu de soluções” para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, com um segmento ministerial de alto nível nos dias 28 e 29 de abril, onde a presença de Petro é esperada. Para uma nação cuja receita governamental depende significativamente das exportações de petróleo bruto, sediar uma cúpula global anti-combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, retirar-se de tratados de proteção a investimentos cria um paradoxo que o próximo presidente terá que gerenciar. Petro está, de fato, travando compromissos políticos que restringirão a liberdade de seu sucessor para reverter o curso. O Campo Grande NEWS monitora de perto os desdobramentos dessa política energética.
Análise Técnica e Níveis Chave para o COLCAP
Tecnicamente, o COLCAP mostra sinais de fraqueza acentuada. O índice abriu em 2.252,27, atingiu um pico de 2.267,91 e caiu para um mínimo de 2.231,19 antes de fechar em 2.232,90. A atual cotação é a mais baixa desde a primeira semana de março, com o índice firmemente posicionado abaixo da nuvem Ichimoku e de todas as médias móveis. O MACD histograma se aprofundou em -7,19 e o RSI caiu para 41,99, indicando leituras de baixa mais profundas do ciclo.
A banda inferior de Bollinger em 2.201,35 surge como o próximo alvo de baixa imediato, representando cerca de 1,4% abaixo do fechamento de sexta-feira. A zona de fundo da correção de março, entre 2.150 e 2.180, é o suporte mais profundo, enquanto a linha de tendência de longo prazo, próxima a 2.100, representa o piso estrutural. Sem um catalisador significativo, como uma mudança nas pesquisas eleitorais, um aumento no preço do petróleo ou um sinal do Banco Central da Colômbia (BanRep), o COLCAP não tem motivos técnicos para parar de cair. Todos os indicadores apontam para baixo, o quadro político está se deteriorando e a eleição presidencial ainda está em aberto.
Eleições Presidenciais e o Caminho a Seguir
A eleição presidencial, com o primeiro turno marcado para 31 de maio, está a apenas 37 dias de distância, com um segundo turno em 21 de junho sendo quase certo. O mercado aguarda um sinal decisivo nas pesquisas, com um candidato se destacando em cenários de segundo turno e tornando o resultado previsível, para que haja uma recuperação sustentada. Até que esse sinal surja, o COLCAP continuará precificando a deterioração das políticas implementadas no final do mandato de Petro. A conferência de Santa Marta, com seu segmento ministerial de alto nível, pode gerar novos compromissos políticos que complicarão a situação para o próximo presidente. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a incerteza eleitoral e política contribui para o atual pessimismo.
O viés para o mercado colombiano é fortemente pessimista, sem um piso visível no horizonte. O COLCAP, a 2.233 pontos, está abaixo da nuvem, da média móvel de 200 dias e próximo à banda inferior de Bollinger, precificando o ambiente de investimento mais hostil desde a posse de Petro. A banda inferior de Bollinger em 2.201 é o próximo alvo, com os fundos de março em 2.150-2.180 como suporte mais profundo. Apenas uma mudança decisiva nas pesquisas eleitorais ou um salto no preço do petróleo podem reverter a tendência de queda. A conferência em Santa Marta esta semana adiciona mais risco político. Faltam 37 dias para 31 de maio, e o COLCAP está em queda livre.


