Chuvas deixam mortos e desabrigados na Grande São Paulo; obras irregulares sob investigação

As fortes chuvas que assolaram a Grande São Paulo entre quinta-feira e sábado causaram um rastro de destruição, com **oito mortos confirmados** e uma pessoa desaparecida. A capital paulista registrou o desabamento de um prédio em construção sobre casas vizinhas, resultando em diversas vítimas fatais. A tragédia na Penha, zona leste de São Paulo, expôs a complexidade de construções irregulares e a necessidade de fiscalização rigorosa.

O desabamento ocorreu na madrugada de sábado, na Rua Tequeci, na Penha. Bombeiros trabalharam intensamente para localizar as vítimas. Infelizmente, **três mulheres (uma delas gestante), dois homens e uma criança morreram** soterrados. Um homem e uma criança sobreviveram. Segundo o governo do estado, a família que morava em uma das casas atingidas era boliviana. Cinco das vítimas fatais eram bolivianas e uma paraguaia. Os corpos serão levados para sepultamento em seus países de origem.

Casas vizinhas ao local do desabamento foram vistoriadas pela Defesa Civil, e três delas permanecem interditadas por apresentarem riscos. A situação levanta sérias questões sobre a segurança e a legalidade de construções na região, como o Campo Grande NEWS tem acompanhado em suas reportagens sobre urbanismo e segurança pública.

Prédio embargado e fiscalização sob suspeita

O edifício que cedeu era um prédio residencial de 12 andares. Informações da Prefeitura indicam que a construção estava embargada desde 2021. Naquele ano, o município entrou com uma ação judicial para demolir a obra irregular, após diversas ações de fiscalização, interdição e multas aplicadas pela Subprefeitura Penha, uma delas no valor de R$ 119 mil.

Em 2022, a construtora apresentou um novo projeto, que foi autorizado, prevendo a demolição da estrutura antiga. No entanto, uma fiscalização em fevereiro de 2024, segundo a prefeitura, atestou que a demolição havia sido realizada. A Controladoria Geral do Município instaurou uma investigação para apurar as circunstâncias, e a servidora responsável pelo laudo foi afastada por 30 dias.

Apurações preliminares sugerem que a demolição exigida pela Prefeitura não foi cumprida. O governo do estado informou que a polícia investiga o caso e que um dos sócios da construtora New Home foi preso neste domingo. Outros dois representantes da empresa são procurados pela polícia, com mandados de prisão em aberto. A defesa dos envolvidos não foi contatada pela Agência Brasil até o momento.

Tragédias em Jandira e outras cidades metropolitanas

Em Jandira, na região metropolitana, a situação foi igualmente dramática. Três pessoas foram levadas por uma enxurrada. Uma mulher foi encontrada morta na sexta-feira, um homem foi localizado neste domingo e outro indivíduo ainda segue desaparecido. As buscas concentram-se em um piscinão na cidade de Carapicuíba, que faz divisa com Jandira, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS em outras ocasiões de emergência climática.

Outras cidades da região metropolitana também sofreram com os efeitos das chuvas. Em Vargem Grande Paulista, ocorreram quedas de muro, barreiras, deslizamentos e deslocamento de rochas. Uma residência teve a parede de um cômodo atingida, mas sem comprometimento estrutural, e o morador saiu ileso. Cotia, Osasco, Mogi das Cruzes e Itapecerica da Serra registraram alagamentos e queda de árvores.

Alerta da Defesa Civil e situação dos rios

Desde a 0h de sábado até as 7h30 deste domingo, a Defesa Civil emitiu 21 alertas por SMS e 4 por Cell Broadcast devido às condições meteorológicas. Equipes foram deslocadas para Eldorado, no Vale do Ribeira, onde o Rio Ribeira de Iguape subiu cerca de 9 metros, inundando a área urbana e forçando a retirada de 173 pessoas de 54 famílias. Em Sete Barras, o mesmo rio transbordou, afetando 50 moradias.

Em Itu, registraram-se quedas de muros de arrimo sobre residências, deslizamentos de terra e rochas, e quedas de árvores. A Defesa Civil monitora o nível dos rios, com atenção especial para a Região de Registro, onde os cursos d’água permanecem elevados e com tendência de aumento. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação hídrica é complexa em diversas bacias paulistas.

Na manhã deste domingo, a SP Águas indicou estabilidade na maioria dos pontos monitorados nos rios Tietê e Pinheiros. No entanto, houve extravasamento em quatro pontos, incluindo as regiões do Itaim Bibi (SP), Jardim Helena (SP), Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes. Na bacia do Ribeira de Iguape, a situação é mais crítica, com seis estações em extravasamento, uma em emergência (Registro) e outras em estado de alerta.

A região de Piracicaba também apresenta preocupação, com rios em estado de emergência e alerta. A Defesa Civil estadual recomenda que a população acompanhe os alertas, evite margens de rios e áreas alagadas. A previsão para domingo e segunda-feira é de chuvas volumosas no litoral paulista, com possibilidade de até 150 mm acumulados nesses dois dias. As demais regiões devem ter chuvas mais leves.