China inspeciona 17 plantas de carne brasileiras em setembro

Uma missão de inspetores chineses visitará dezessete plantas de processamento de carne no Brasil entre os dias 20 e 28 de setembro. A decisão tomada por esses representantes definirá o acesso de unidades da JBS, Minerva e da recém-formada MBRF (fusão entre Marfrig e BRF) ao mercado chinês, que é o maior comprador de carne bovina e de frango do Brasil. Esta inspeção é um dos principais fatores que influenciam os preços da carne no mercado interno e a balança comercial do agronegócio brasileiro. Conforme informações divulgadas por órgãos do setor, o resultado desta visita pode impactar os volumes de exportação por anos.

China define acesso à carne brasileira planta por planta

A China adota uma política rigorosa para conceder acesso ao seu mercado, liberando a exportação unidade por unidade, e não para um país inteiro. Durante a missão, os inspetores avaliarão rigorosamente as condições de higiene, rastreabilidade, supervisão veterinária e a manutenção de registros em cada planta, comparando-as com os exigentes requisitos chineses. Somente as instalações que cumprirem todas as exigências serão adicionadas à lista oficial de plantas aprovadas, permitindo que seus produtos sejam exportados para a China. Plantas que falharem na inspeção, independentemente do desempenho de suas vizinhas, não terão autorização para exportar.

Gigantes da carne sob escrutínio chinês

As empresas envolvidas na inspeção são nomes de peso no setor. A JBS é reconhecida como a maior empresa de carne do mundo em termos de receita, com operações espalhadas pelo Brasil. A Minerva se destaca como a maior exportadora de carne bovina da América do Sul, tendo expandido sua atuação através de aquisições em países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai. A MBRF é a entidade resultante da fusão estratégica entre Marfrig e BRF, unindo operações de carne bovina e de aves sob uma única companhia. É importante notar que reportagens que mencionam a BRF, em vez de MBRF, podem estar utilizando o nome anterior à fusão, já que a entidade sob inspeção é a recém-criada MBRF.

O poder da China nos preços da carne brasileira

A influência da China no mercado de carne brasileiro é inegável. O país asiático é, de longe, o maior comprador de carne bovina brasileira. Qualquer alteração na demanda chinesa reverbera diretamente nos preços do gado no Brasil, um impacto que chega até o consumidor final nos açougues. Plantas que obtêm a aprovação chinesa ganham uma vantagem competitiva significativa, pois têm acesso direto ao maior mercado consumidor do mundo. Uma missão que aprove sete unidades expande a capacidade do canal de exportação que, por sua vez, tem um papel crucial na definição do preço doméstico da carne.

Histórico de suspensões e novas regras

O histórico de relações comerciais entre Brasil e China no setor de carne inclui momentos de tensão. Em 2021 e novamente em 2023, a China suspendeu completamente as importações de carne bovina brasileira após a detecção de casos atípicos de Encefalopatia Esponjiforme Bovina (EEB). Cada uma dessas suspensões durou semanas e resultou em prejuízos de centenas de milhões de dólares para os exportadores brasileiros. No entanto, o protocolo atual entre os dois países prevê, em certas circunstâncias, a suspensão apenas da planta afetada, em vez de uma proibição nacional. Essa mudança ressalta a importância crescente da aprovação em nível de planta para a manutenção das exportações.

O que ainda não está confirmado

Apesar de a janela de inspeção, o número de plantas e as empresas envolvidas estarem confirmados, alguns detalhes ainda permanecem em aberto. A autoridade chinesa responsável pela missão ainda não foi oficialmente nomeada nas informações disponíveis até o momento. Embora a Administração Geral de Alfândegas da China (GACC) normalmente lidere esse tipo de inspeção, essa informação não foi explicitada para esta missão específica. Da mesma forma, as plantas individuais que serão inspecionadas não foram divulgadas publicamente, mantendo um certo grau de sigilo sobre os locais exatos que passarão pelo escrutínio.

Impacto econômico e para o consumidor

O agronegócio é o maior setor exportador do Brasil, e a carne representa um de seus componentes mais sensíveis politicamente. As exportações de carne bovina têm apresentado crescimento na última década, com o principal gargalo sendo o acesso a mercados, e não a capacidade produtiva. As aprovações de plantas também são importantes para a moeda brasileira, pois a carne é um produto que gera receita em dólares, essencial para a economia do país. Para os consumidores brasileiros, o efeito tende a ser o oposto: um aumento na capacidade de exportação geralmente se traduz em preços mais altos da carne no mercado interno, conforme o Campo Grande NEWS checou em análises de mercado.

O que observar após a inspeção

Os próximos passos após a conclusão da missão, em 28 de setembro, serão cruciais. O mercado aguarda a publicação da lista de plantas aprovadas, um processo que geralmente leva algumas semanas. Um ponto de atenção será verificar se todas as dezessete unidades passarão na inspeção, pois, historicamente, nem sempre todas as plantas são aprovadas. Acompanhar os volumes de importação chineses no quarto trimestre, divulgados mensalmente pela GACC, também será fundamental. Além disso, os preços do arroba do boi no Brasil tendem a reagir às aprovações antes mesmo que os embarques efetivamente ocorram, como o Campo Grande NEWS costuma analisar em suas matérias sobre o agronegócio.

A confiança na capacidade do Brasil de atender aos padrões internacionais é testada a cada nova inspeção. A relação comercial com a China, conforme atesta a cobertura do Campo Grande NEWS, é vital para o setor e para a economia brasileira como um todo, exigindo atenção constante aos detalhes e às exigências dos mercados compradores.