O principal índice da Bolsa de Santiago, o IPSA, fechou em alta de 0,45% nesta segunda-feira (18), atingindo 10.467,78 pontos. A valorização ocorreu mesmo após a divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Chile registrou uma contração de -0,5% no primeiro trimestre de 2026, um resultado pior do que o esperado pelo mercado, que previa uma leve expansão de +0,1%. A resiliência do mercado chileno foi ancorada principalmente pela alta do preço do cobre e por expectativas de uma política monetária mais branda.
IPSA ignora PIB fraco e fecha em alta com cobre como suporte
O mercado chileno demonstrou notável capacidade de absorção diante de um dado econômico desfavorável. O IPSA conseguiu reverter as perdas iniciais, impulsionado por um movimento de compra que elevou o índice próximo às máximas do dia. O preço do cobre, principal commodity de exportação do país, manteve-se acima da marca de US$ 4,50 por libra, atuando como um colchão para o peso chileno e mitigando os efeitos negativos do fraco desempenho do PIB. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa mesma âncora já havia sustentado o mercado na sexta-feira anterior diante de choques externos.
A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026 pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) revelou uma contração de 0,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este resultado não apenas ficou abaixo do consenso de mercado, que projetava um crescimento de 0,1%, mas também se situou fora de todas as previsões individuais. A performance econômica do trimestre foi a pior desde 2023, refletindo a dificuldade de diversos setores produtivos.
A contração do PIB foi puxada principalmente pelo setor de mineração, que encolheu 3,1% devido à menor qualidade do minério de cobre. A pesca sofreu um colapso de 18,6%, enquanto a agricultura registrou queda de 5,4% e a indústria manufatureira, de 2,0%. O setor de serviços pessoais, com um crescimento de 2,4%, foi o único ponto positivo em meio a um cenário predominantemente negativo. O Campo Grande NEWS ressalta que, apesar da gravidade dos números, o mercado já precificava parte dessa desaceleração.
Setores chave e a influência do cobre no mercado
A performance setorial no primeiro trimestre foi marcada por dificuldades generalizadas. A mineração, espinha dorsal da economia chilena, sentiu o impacto da queda na qualidade do minério, além de fatores como condições climáticas e manutenções. A pesca, um setor com grande relevância regional, apresentou um desempenho desastroso, enquanto a agricultura e a indústria manufatureira também não conseguiram sustentar o ritmo de crescimento. O único setor a apresentar resultados positivos foi o de serviços pessoais, demonstrando uma resiliência em contraste com os demais.
Neste contexto, o preço do cobre se destaca como um fator crucial para a estabilidade econômica e do mercado financeiro chileno. A commodity, negociada acima de US$ 4,50 por libra, não só fortaleceu o peso chileno, mas também serviu de escudo contra a volatilidade externa, como o “choque Warsh” mencionado na análise do Campo Grande NEWS. A capacidade do cobre de manter seu valor é um pilar fundamental para a economia do país.
Expectativas para o Banco Central e o futuro da política monetária
A divulgação do PIB fraco no primeiro trimestre fortalece os argumentos para um corte na taxa básica de juros pelo Banco Central do Chile (BCCh) em sua próxima reunião em junho. A taxa de juros, que se encontra em 4,50% desde março e abril, pode ser ajustada para baixo em busca de estimular a atividade econômica. A inflação, especialmente em relação aos combustíveis importados, tem sido um fator de cautela para o BCCh, mas a contração econômica pode inclinar a balança para um corte de 25 pontos base, visando apoiar o crescimento.
A análise técnica do índice IPSA também oferece insights importantes. O índice fechou acima do que é conhecido como “chão da nuvem” em 10.309,01 pontos, com a mínima do dia atingindo 10.329, o que representa uma margem de segurança de 20 pontos. A força relativa (RSI) do índice, apesar de ainda indicar condições de sobrevenda com 39,45, mostra sinais de recuperação. As médias móveis de 20 e 50 dias, situadas em 10.631 e 10.738 respectivamente, representam os próximos níveis de resistência a serem observados.
O futuro próximo do mercado chileno dependerá de alguns fatores chave. A manutenção do preço do cobre acima de US$ 4,50 por libra é essencial para continuar blindando o peso. A divulgação do próximo índice Imacec, referente a maio, será crucial para avaliar a trajetória da economia no segundo trimestre. Um resultado positivo pode indicar uma recuperação, enquanto um novo indicador negativo confirmaria a deterioração. A reforma tributária em discussão, que prevê a redução do imposto corporativo, também é vista como um potencial catalisador para o mercado no segundo semestre de 2026, com projeções otimistas do Morgan Stanley para o IPSA.
O que esperar a seguir para a economia chilena
Os analistas do Campo Grande NEWS apontam que a capacidade do Chile de absorver choques domésticos, como o PIB fraco, sem grandes abalos no mercado de ações, é um sinal de maturidade. A precificação antecipada das más notícias, o suporte técnico do “chão da nuvem” e a expectativa de estímulo monetário configuram um cenário de cauteloso otimismo. A atenção se volta agora para os próximos indicadores econômicos e para as decisões do Banco Central, que terão um papel fundamental em guiar a trajetória da economia chilena no restante do ano.

