Campo Grande: R$ 6 bilhões no orçamento, mas falta dinheiro para moradia popular

O debate sobre o grave déficit habitacional em Mato Grosso do Sul ganhou força em audiência pública na Assembleia Legislativa. A falta de recursos para políticas de moradia digna foi o ponto central das discussões, com críticas contundentes à gestão orçamentária atual.

Vereador denuncia falta de recursos para habitação em Campo Grande

Campo Grande, apesar de contar com um orçamento robusto de quase R$ 6 bilhões, enfrenta sérias dificuldades para suprir a demanda por moradias populares. O vereador Landmark Rios (PT) destacou a urgência em direcionar verbas específicas para o setor, criticando a escassez de investimentos que afeta diretamente a população mais vulnerável.

Durante a audiência pública “Fraternidade e Moradia”, realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) e promovida pela Arquidiocese de Campo Grande, CNBB Regional Oeste 1 e a própria ALEMS, Rios enfatizou que a discussão sobre habitação deve, primordialmente, ocorrer no âmbito do orçamento público.

“É no orçamento que nós precisamos debater”, afirmou o parlamentar, ressaltando a necessidade de alocar recursos de forma mais eficaz para garantir o direito à moradia digna. Conforme divulgado pela imprensa local, a iniciativa busca aumentar o montante destinado à construção de casas populares e programas habitacionais.

O vereador apresentou um projeto de lei em seu mandato na Câmara Municipal que propõe a destinação de 1% do orçamento de Campo Grande exclusivamente para políticas habitacionais. A proposta visa “colocar tinta na caneta de quem executa a política pública de habitação”, como ele mesmo descreveu, para dar mais agilidade e efetividade às ações.

Déficit habitacional em Campo Grande atinge números alarmantes

O cenário apresentado pelo vereador Landmark Rios é preocupante. Ele citou que mais de 30 mil a 40 mil pessoas aguardam por uma casa própria na Capital, e aproximadamente 220 ocupações ou favelas já se formaram. Muitas dessas comunidades, segundo ele, estão localizadas em áreas periféricas, longe da visibilidade de quem reside nas regiões centrais.

A audiência, proposta pelo deputado estadual Pedro Kemp (PT), buscou reunir diferentes atores sociais e representantes do poder público para traçar caminhos concretos no enfrentamento do déficit habitacional. A moradia foi destacada como um direito fundamental, essencial para a dignidade, segurança e pertencimento social.

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo metropolitano de Campo Grande, reforçou que a questão da moradia transcende a esfera religiosa, sendo um tema de cidadania que exige parceria entre o poder público e a sociedade civil organizada. Ele ressaltou a importância da Campanha da Fraternidade em abordar temas de grande relevância social.

Alto custo de construção dificulta a oferta de moradias populares

Maria do Carmo Avesani Lopes, diretora-presidente da Agehab-MS, apresentou dados que evidenciam o alto custo da construção civil como um dos principais entraves. Ela explicou que o subsídio integral de uma moradia atenderia a pouquíssimas pessoas, dado que uma casa pode custar em torno de R$ 120 mil, sem incluir terreno e infraestrutura.

A estratégia dos programas habitacionais, segundo Lopes, é equilibrar subsídios e financiamentos para ampliar o alcance das famílias. O foco é priorizar aqueles com menor poder aquisitivo e auxiliar também as famílias que quase conseguem alcançar a casa própria por conta própria.

Cláudio Marques, diretor-presidente da Agência Municipal de Habitação (Emha), apresentou projeções alarmantes para a Capital. Estudos indicam que Campo Grande poderá necessitar de cerca de 117 mil novas moradias até 2035. Desse total, 67 mil seriam destinadas à população com renda de até três salários mínimos.

Atualmente, apenas 882 unidades estão em construção para a faixa 1 do programa Minha Casa Minha Vida, que atende famílias com renda de até R$ 2.850. Marques reiterou que o orçamento destinado à habitação ainda é pequeno diante da demanda, descrevendo a situação como um “cobertor curto”.

Ele concluiu que a ampliação dos recursos para habitação é crucial para reverter o quadro. “Quando se fala em orçamento para habitação, se fala em mudança de vida, dignidade e comprometimento. Essa pauta precisa entrar cada vez mais no debate público”, enfatizou. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de investimento contínuo é um dos principais gargalos para a solução do problema habitacional na cidade.

A situação exige um olhar atento e ações coordenadas entre os poderes e a sociedade. O Campo Grande NEWS reafirma a importância de políticas públicas robustas e com orçamento adequado para garantir o direito à moradia digna a todos os cidadãos.

A discussão sobre o orçamento e a destinação de verbas para habitação em Campo Grande, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, é um passo fundamental para reverter um cenário que afeta milhares de famílias e para construir um futuro mais justo e com mais dignidade para a população.