Confusão em praça termina em tragédia
Uma briga entre crianças em uma praça de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, teve um desfecho trágico na noite desta sexta-feira (19). A discussão infantil escalou para uma confusão entre adultos que resultou na morte de Fábio Ferreira da Silva, conhecido como Fabinho. Ele foi baleado por um sargento da Polícia Militar que estava de folga no local. O caso chocou os moradores que acompanhavam o jogo da seleção brasileira na Praça Rosária Trotta.
O policial militar foi identificado como Wellington Sacramento dos Santos. Ele estava na praça com a esposa e os netos quando a briga começou. Após o ocorrido, o sargento se apresentou espontaneamente na delegacia, prestou depoimento e foi liberado. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) abriu um inquérito para investigar as circunstâncias da morte e apurar as diferentes versões apresentadas.
A investigação agora busca esclarecer a dinâmica dos fatos, que conta com duas narrativas conflitantes: a de testemunhas e a do policial, que alega ter agido em legítima defesa. A Corregedoria da Polícia Militar também instaurou um procedimento para apurar a conduta do sargento. Imagens de câmeras de segurança da região foram recolhidas e podem ser cruciais para a elucidação do caso.
O início da confusão
Tudo começou com um desentendimento comum entre crianças que brincavam na praça. Segundo relatos de testemunhas, a situação se agravou quando o irmão mais velho de um dos meninos, um adolescente de 15 anos, se aproximou para entender o que acontecia. Neste momento, o sargento Wellington, avô de uma das crianças envolvidas, teria empurrado o jovem e perguntado onde estava o pai dele, elevando a tensão no local.
O pai do adolescente, Wanderson Soares da Silva, estava próximo assistindo ao jogo do Brasil com seu amigo, Fábio Ferreira da Silva. Ao serem informados da confusão, os dois foram até a praça para intervir. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a chegada dos adultos marcou o início da escalada fatal do conflito.
Versões conflitantes do crime
Existem duas versões sobre o que aconteceu em seguida. Testemunhas afirmam que Fabinho tentou apaziguar a situação, pedindo que o policial soltasse o adolescente que ele estaria segurando. Nesse momento, o sargento teria sacado a arma e efetuado os disparos que atingiram e mataram Fábio.
Já o sargento Wellington apresentou outra narrativa em seu depoimento. Ele alega que, após a discussão inicial, o adolescente chamou os dois homens, Fábio e Wanderson, que passaram a discutir com ele. O policial afirma ter sido agredido e, em legítima defesa, sacou a arma e atirou duas vezes contra Fábio, que, segundo ele, avançava em sua direção. O PM também admitiu ter dado uma coronhada em Wanderson, que o teria segurado pelo pescoço.
Investigação em andamento
Fábio e Wanderson foram socorridos e levados ao Hospital Municipal Rocha Faria. Infelizmente, Fábio não resistiu aos ferimentos e morreu. Wanderson foi atendido por um ferimento na cabeça e liberado ainda na madrugada. O caso, que o Campo Grande NEWS acompanha de perto, foi inicialmente registrado na 35ª DP (Campo Grande), mas a investigação foi transferida para a Delegacia de Homicídios.
A Polícia Civil ouviu o sargento, sua esposa e Wanderson. A principal dúvida que a investigação busca responder, conforme checado pelo Campo Grande NEWS, é por que o policial não foi preso em flagrante, mesmo tendo confessado a autoria dos disparos. A análise das imagens de segurança será fundamental para confrontar as versões e determinar a responsabilidade de cada um dos envolvidos na tragédia.


