A bolsa mexicana teve um dia de forte recuperação na sexta-feira, registrando seu melhor desempenho desde junho. O índice S&P/BMV IPC fechou em alta de 2,14%, impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo o maior alívio fiscal sobre o diesel do ano e uma economia governamental significativa nos gastos públicos. Esses elementos sinalizam um cenário promissor para os investidores, apesar de algumas incertezas cambiais. Conforme divulgado pelo The Rio Times, a sessão de sexta-feira marcou um ponto de virada importante para o mercado mexicano, que vinha de uma semana desafiadora.
Mercado celebra alívio fiscal e cortes de gastos
O índice S&P/BMV IPC encerrou o pregão de sexta-feira cotado a 65.729,18 pontos, um avanço expressivo de 2,14%. Este foi o maior ganho em um único dia desde 11 de junho, demonstrando uma recuperação notável após ter atingido seu menor patamar do ano, 63.933,69 pontos, apenas três dias antes. O índice rival FTSE BIVA também acompanhou a tendência de alta, registrando um ganho de 2,17%.
Entre as ações com melhor desempenho, o Grupo México liderou com uma valorização de 4,17%, seguido por GCC com 5,05%, Pinfra com 3,16% e Cemex com 2,40%. Por outro lado, setores ligados ao consumo, como a Walmex, apresentaram queda de 1,55%, refletindo dados recentes de vendas no varejo que apontaram para uma leve contração de 0,2% em junho, contrariando as expectativas de um pequeno aumento. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa performance mista indica um mercado seletivo, mas com otimismo geral.
Diesel mais barato: um respiro para o consumidor
Um dos principais impulsionadores do otimismo foi o anúncio do maior alívio fiscal sobre o diesel em 2026. Para a semana de 22 a 28 de agosto, o governo mexicano reduziu em 82,59% o imposto sobre o diesel, o que equivale a um benefício de 6,08 pesos por litro. Esse incentivo é significativamente maior do que os anteriores, com o pico anterior de 81,20% em abril e o mínimo de 14,63% no final de junho. O alívio para a gasolina comum é menor, em 22,44%, e para a premium, em 4,03%.
Essa medida é uma resposta direta ao aumento dos preços internacionais do petróleo Brent e WTI, que subiram mais de 6% e 5%, respectivamente, na semana anterior ao anúncio, devido a sanções contra o Irã e tensões no Estreito de Ormuz. Como o imposto mexicano sobre combustíveis é um valor fixo por litro, e não uma porcentagem do preço, o governo optou por isentar parte dele para mitigar o impacto nos consumidores. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa estratégia de subsídio fiscal direto demonstra a prioridade em aliviar o custo de vida.
Governo poupa meio trilhão de pesos e corta gastos em energia
Outro fator crucial para a alta da bolsa foi a divulgação de que o governo federal gastou 499 bilhões de pesos, aproximadamente US$ 29,5 bilhões, a menos do que o planejado no primeiro semestre do ano. O Secretário das Finanças, Edgar Amador Zamora, indicou que o ritmo de gastos precisará ser normalizado. Essa economia representa uma parcela considerável do orçamento, sinalizando uma gestão fiscal mais austera.
O setor de energia foi o mais afetado pelos cortes, com o ramo orçamentário Ramo 21, responsável pelas transferências federais para a Pemex, a estatal petrolífera, sofrendo uma redução de 61,7% em seu orçamento aprovado para o primeiro semestre. A Pemex, por sua vez, também registrou um subgasto de 45,297 bilhões de pesos, uma contração real de 16,1% em relação ao seu orçamento planejado, concentrada em investimentos físicos, pensões e manutenção. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa redução de subsídios à Pemex levanta questões sobre a capacidade de investimento e manutenção da empresa, que já reportou queda de 69,7% em seu lucro no segundo trimestre e perdas significativas devido ao roubo de combustível.
Peso mexicano: expectativa de desvalorização
Apesar do otimismo no mercado de ações, a perspectiva para o peso mexicano é de leve desvalorização. A taxa de câmbio atual está em torno de 16,90 pesos por dólar, e o consenso entre 37 instituições financeiras consultadas pelo Citi aponta para uma taxa de câmbio de 17,68 pesos por dólar ao final do ano. A casa de análise mais otimista prevê 17,00 pesos, enquanto a mais pessimista aposta em 19,03 pesos. Essa projeção indica que a moeda mexicana deve enfraquecer modestamente, e não se fortalecer, nos próximos meses. A taxa de juros do Banco do México, mantida em 6,50%, tem sido um fator de sustentação do peso, juntamente com as remessas e os fluxos de investimento relacionados ao nearshoring.
Emissão de títulos para o campo
Em um movimento separado, o FONDO, um dos quatro fundos agrícolas públicos administrados pelo Banco do México, captou 4,5 bilhões de pesos, cerca de US$ 266 milhões, no mercado de câmbio mexicano. A captação foi realizada em três tranches, incluindo um título social com taxa de 8,84% ao ano. Essa emissão reforça o papel das instituições financeiras de desenvolvimento na oferta de crédito ao setor agrícola, através de bancos comerciais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a emissão foi bem-sucedida e recebeu avaliações positivas das agências de classificação de risco.
Em resumo, a bolsa mexicana mostrou força impulsionada por alívios fiscais e controle de gastos, mas a trajetória futura do peso demanda atenção. Os investidores observam de perto a capacidade do governo em manter a disciplina fiscal e o impacto das políticas energéticas na economia.


