A bolsa de valores da Colômbia, representada pelo índice COLCAP, registrou uma queda de 0,59% na sexta-feira, 2 de outubro, fechando em 2.515,02 pontos. A sessão foi marcada pela desvalorização de ações dos setores financeiro, de holdings de investimento e de utilidades públicas. Em contrapartida, o peso colombiano apresentou uma valorização expressiva de cerca de 1,5% frente ao dólar, impulsionado por dados fracos de emprego nos Estados Unidos. O dólar americano fechou próximo a 3.263 pesos na série RT, em comparação com os 3.313,04 do dia anterior, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS.
O cenário reflete a cautela dos investidores após a recente decisão do Banco Central da Colômbia de elevar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 12,25%, em 30 de setembro. Essa medida, ainda sendo precificada pelo mercado, impactou principalmente as ações de instituições financeiras. A valorização do peso colombiano, por outro lado, é vista positivamente, pois aumenta o valor em dólar dos ativos colombianos, conforme checou o Campo Grande NEWS.
A movimentação no mercado de câmbio foi mais acentuada do que a taxa oficial (TRM) sugere. A TRM, que é certificada no dia seguinte ao pregão, fechou em 3.307,73 pesos na sexta-feira, refletindo as negociações de quinta-feira. No mercado SET-FX, onde os dólares são negociados na Colômbia, o fechamento foi em torno de 3.262 pesos, indicando uma apreciação significativa da moeda local ao longo do dia, conforme análise do Campo Grande NEWS.
Ações em baixa com foco no setor financeiro
As ações financeiras lideraram a queda na Bolsa de Bogotá. As preferenciais do Grupo Sura recuaram 3,64%, enquanto as da Corficolombiana perderam 2,23% e as do Grupo Cibest caíram 2,20%. Essa performance negativa está diretamente ligada ao aumento dos custos de financiamento para bancos e empresas de participações, decorrente da elevação da taxa básica de juros. O mercado colombiano, diferentemente de outros na América Latina, mostrou uma tendência de baixa, apontando para fatores locais, como a decisão do Banco Central, como principal explicação.
Peso colombiano impulsionado por dados dos EUA
O peso colombiano se fortaleceu em resposta à divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos, que mostraram um aumento de apenas 29.000 postos de trabalho em setembro, abaixo das previsões de 84.000 a 90.000. Adicionalmente, a taxa de desemprego nos EUA subiu para 4,2%. Essa desaceleração no mercado de trabalho americano tende a diminuir as expectativas de alta dos juros nos EUA, o que historicamente beneficia moedas de mercados emergentes, como o peso colombiano, conforme reportado pelo Campo Grande NEWS.
Destaques do pregão e panorama regional
Em meio à desvalorização geral, a Bolsa de Valores da Colômbia (BVC) se destacou positivamente, com suas ações subindo 2,71%. Outras ações que apresentaram ganhos foram as do Banco de Bogotá (+2,31%) e do Grupo Bolívar (+1,29%). No mercado internacional, os recibos de depósito (ADRs) da Ecopetrol e Bancolombia apresentaram valorização, indicando que os ativos colombianos listados em dólar tiveram um desempenho mais resiliente do que as ações negociadas localmente. Regionalmente, a Colômbia ficou atrás de outros mercados, como o Ibovespa brasileiro, que saltou 2,63%.
O que observar nos próximos dias
Os investidores estarão atentos à divulgação da ata da última reunião do Banco Central da Colômbia, na segunda-feira, 5 de outubro. Essa ata deverá detalhar as divergências de opinião entre os membros do comitê sobre a recente alta de juros. Na quarta-feira, 7 de outubro, serão divulgados os dados de inflação de setembro. Um índice de preços mais alto pode aumentar a pressão sobre o Banco Central em sua próxima reunião. Do ponto de vista técnico, o índice COLCAP testou o importante nível de suporte de 2.500 pontos na sexta-feira, e um fechamento abaixo desse patamar pode indicar riscos adicionais de queda. O peso colombiano, por sua vez, encontra-se na extremidade forte de sua faixa de negociação recente, e sua trajetória futura dependerá da força do dólar americano e da continuidade dos dados econômicos dos EUA.


