A Bolsa de Valores da Colômbia, representada pelo índice MSCI COLCAP, registrou uma queda acentuada de 0,97% na terça-feira, 12 de maio de 2026, fechando em 2.088,66 pontos. Este movimento marca o terceiro dia consecutivo de novas mínimas para o ano e sinaliza um cenário de crescente apreensão nos mercados financeiros do país, a apenas 18 dias da primeira rodada das eleições presidenciais, em 31 de maio. A instabilidade é amplificada pela fragmentação entre os candidatos de direita, Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella, um fator que o mercado tem dificuldade em precificar.
Conforme informações divulgadas nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, o índice COLCAP acumula uma desvalorização de 10,4% desde o pico de 2.332 pontos atingido em 14 de abril. A desvalorização do peso colombiano (COP) frente ao dólar, impulsionada por dados de inflação mais altos nos Estados Unidos, adiciona uma camada de complexidade à já volátil situação. O próximo indicador a ser observado de perto será a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto nesta quarta-feira.
O cenário político colombiano se mostra cada vez mais imprevisível, com a divisão no campo da direita intensificando-se em vez de se resolver. Essa fragmentação eleitoral é vista como o principal motor por trás da recente queda no mercado de ações. A incerteza sobre quem avançará para um eventual segundo turno eleitoral tem pesado significativamente sobre os ativos colombianos.
Análises indicam que a performance do mercado de ações colombiano tem sido a pior entre as principais economias da América Latina em maio de 2026. Enquanto outros mercados, como o mexicano e o brasileiro, mostram alguma estabilidade, a Colômbia segue em trajetória de novas quedas diárias. A situação é descrita como uma venda de risco composto, onde fatores econômicos e políticos se combinam para pressionar os ativos.
O Índice COLCAP em Níveis Críticos
O MSCI COLCAP fechou em 2.088,66 pontos, o menor patamar desde novembro de 2025. O índice rompeu o nível psicológico de 2.100 pontos, que servia de suporte nas seis sessões anteriores, e agora se aproxima perigosamente da linha de tendência de alta de longo prazo, situada em 2.081 pontos. Essa linha representa a última grande barreira estrutural antes do nível redondo de 2.000 pontos, conforme dados da BVC e TradingView. A perda de 10,4% desde o pico de abril configura oficialmente um território de correção.
Todos os indicadores técnicos apontam para uma situação de sobrevenda. O RSI (Índice de Força Relativa) caiu para 29,31, ultrapassando o limiar de 30 pela primeira vez desde o pânico de fevereiro. O MACD (Moving Average Convergence Divergence) também atingiu mínimas de vários meses. A Média Móvel Simples de 200 dias, em 2.148,66, foi decisivamente rompida, e o piso da nuvem Ichimoku, em 2.081,80, está ao alcance. A linha de tendência de alta desde janeiro de 2025, em 2.061, representa o último suporte macro. Um fechamento diário abaixo de 2.081 pode abrir caminho para os 2.000 pontos e, posteriormente, para 1.955, o último grande fundo de oscilação.
Fragmentação da Direita e o Risco Eleitoral
A dinâmica eleitoral é o principal fator de risco para o mercado, e a fragmentação da direita parece se aprofundar. As probabilidades de segundo turno no Polymarket indicam Abelardo de la Espriella com 43,5%, seguido por Iván Cepeda com 38,5% e Paloma Valencia com 20,8%. A recente crítica pública de De la Espriella a Valencia por supostamente evitar debates intensificou a divisão. Se De la Espriella chegar ao segundo turno em vez de Valencia, o cenário de vitória de Cepeda se torna mais provável, segundo avaliações. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as avaliações sugerem que Cepeda poderia perder para Valencia, mas vencer De la Espriella.
A volatilidade recente também foi influenciada pela divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos, que vieram acima do esperado. A taxa de 3,8% ao ano em abril, a mais alta desde maio de 2023, reduziu as expectativas de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve e pressionou os mercados de renda fixa e o setor bancário em toda a América Latina. Essa pressão externa, combinada com a incerteza política interna, criou um ambiente de venda generalizada.
Principais Movimentações no Mercado
Setores defensivos e sensíveis a juros tiveram um desempenho relativamente melhor em uma sessão de vendas amplas. A Ecopetrol, por exemplo, se beneficiou da alta do petróleo Brent acima de US$ 108. A Mineros estendeu seus ganhos impulsionada pela contínua demanda por ouro. No lado negativo, o setor financeiro liderou as quedas, com Davivienda preferencial e Grupo Cibest preferencial sofrendo com a inclinação da curva de juros. Conglomerados como Grupo Sura e Grupo Argos também foram afetados pelo risco eleitoral. A construtora El Cóndor continuou sua trajetória de queda.
Apesar do cenário técnico indicar sobrevenda e historicamente favorecer um repique, a atual conjuntura política e econômica sugere cautela. A possibilidade de um repique tático existe, mas uma recuperação sustentada parece improvável até que a incerteza eleitoral diminua. A análise do Campo Grande NEWS aponta que, embora o caso estrutural da Colômbia permaneça intacto em termos de taxas de juros, valuation e potencial de crescimento, esses fatores não conseguirão compensar o risco político nas próximas semanas.
Perspectivas Futuras e Próximos Catalisadores
Os próximos dias serão cruciais. A divulgação de novas pesquisas de intenção de voto nesta quarta-feira, 13 de maio, será um importante termômetro. Um resultado de Iván Cepeda acima de 38% reforçaria o cenário de baixa, enquanto uma recuperação de Paloma Valencia acima de 25% poderia sinalizar alguma estabilização. Dados de inflação ao produtor (PPI) nos EUA também podem gerar volatilidade adicional. A publicação dos resultados do primeiro trimestre da Ecopetrol na sexta-feira, 15 de maio, trará mais informações sobre o setor energético.
A eleição presidencial em 31 de maio e um possível segundo turno em 21 de junho continuam sendo o principal foco do mercado. A fragmentação da direita e a liderança de Cepeda nas pesquisas criam um cenário de alto risco para os investidores. Conforme o Campo Grande NEWS verificou, o mercado está precificando a crescente probabilidade de uma vitória de Cepeda em um eventual segundo turno contra Abelardo de la Espriella, o que é visto como o pior cenário para os ativos colombianos. A situação exige atenção redobrada dos investidores, que buscam entender como a política moldará o futuro econômico do país.

