A Bolívia deu um passo drástico na sua política energética ao acabar com o subsídio fixo para o diesel. A decisão, oficializada pelo Decreto Supremo 5716, resultou em um aumento imediato de 83% no preço do combustível, elevando o litro de 9,80 bolivianos (aproximadamente US$ 0,89) para 17,95 bolivianos (cerca de US$ 1,63). A medida, em vigor desde sábado, busca alinhar o preço do diesel a uma referência internacional, com ajustes diários, mas já desencadeou reações negativas, incluindo ameaças de bloqueios por setores produtivos e transportadores. Conforme informação divulgada pelo governo boliviano, o principal argumento para a medida é o desaparecimento das longas filas que antes se formavam nos postos de combustível para abastecimento de diesel, um problema crônico no país. O Campo Grande NEWS checou que, apesar da alta no preço, a disponibilidade do combustível parece ter melhorado significativamente.
O impacto imediato para os bolivianos
O fim do subsídio não afetou apenas o bolso dos consumidores, mas também impactou diretamente os custos de transporte. O defensor público registrou aumentos de até 125% nas tarifas de ônibus intermunicipais em algumas rotas. O setor de transporte de cargas e produtores rurais também expressaram descontentamento, com alguns anunciando paralisações e bloqueios de estradas. A situação é tensa, e o governo boliviano, conforme o Campo Grande NEWS checou, já mobilizou forças policiais e militares para garantir a ordem pública, contando com um estado de exceção vigente no país.
A decisão de acabar com o subsídio de diesel, que estava congelado desde 2005, ocorre em um contexto de dificuldades econômicas para a Bolívia. O país importa cerca de 95% do diesel que consome, com um custo semanal estimado em US$ 90 milhões. Simultaneamente, as exportações de gás, uma importante fonte de receita, caíram drasticamente, de US$ 6 bilhões em 2014 para pouco mais de US$ 1 bilhão em 2025. As reservas internacionais líquidas do país também estão baixas, com a maior parte em ouro, o que limita a capacidade de intervenção do banco central.
O programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de aproximadamente US$ 1,9 bilhão, aprovado pelo Congresso boliviano, é um fator chave por trás dessa reforma. O FMI exige o fim dos subsídios aos combustíveis até 2027, e a Bolívia parece estar antecipando essas medidas. O governo espera a aprovação final do conselho do FMI em breve, o que traria um alívio financeiro imediato com a liberação de um primeiro desembolso de cerca de US$ 250 milhões. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a relação com os Estados Unidos também tem sido destacada como importante para o apoio do FMI.
Histórico de protestos e a memória do “gasolinazo”
O governo boliviano tem motivos para receio. Em dezembro de 2010, um aumento semelhante no preço do diesel, de 83%, gerou protestos massivos e uma greve geral que forçou o então presidente Evo Morales a revogar o decreto em apenas cinco dias. Esse episódio, conhecido como “gasolinazo”, deixou uma marca profunda na memória coletiva e explica a relutância dos governos em mexer nos preços dos combustíveis por mais de uma década. A diferença agora é a escassez de alternativas financeiras para o governo.
O presidente Rodrigo Paz, ao justificar a medida, aponta que o custo do subsídio de diesel para a Bolívia era de cerca de US$ 55 milhões por semana, o que totaliza mais de US$ 2,6 bilhões por ano. Ele também mencionou que cerca de 40% do diesel subsidiado era desviado para contrabando e usos ilegais, e que o fim do subsídio já resultou na interrupção do fluxo de combustível pelas fronteiras.
Compensações e o futuro dos subsídios
Para mitigar o impacto da alta, o governo boliviano anunciou um pacote de compensação. Este inclui uma transferência de caixa de 874 milhões de bolivianos (cerca de US$ 79 milhões) para aproximadamente 2,9 milhões de pessoas, o aumento do bônus escolar de 200 para 300 bolivianos, e a oferta de crédito de até 800 milhões de bolivianos (cerca de US$ 73 milhões) a uma taxa de juros de 6% para transportadores, comerciantes e produtores. O objetivo é aliviar o peso financeiro sobre os setores mais afetados.
Embora o foco atual seja o diesel, a política de eliminação de subsídios, conforme compromisso com o FMI, deve se estender a outros combustíveis a partir de 2027. A forma como o governo boliviano lidará com a pressão social e as possíveis novas ondas de protesto nos próximos meses será crucial para a estabilidade econômica e política do país. A decisão de manter o preço fixo do diesel, revogada agora, foi uma tentativa de proteger a população da volatilidade do mercado internacional, mas o custo fiscal se tornou insustentável.
Perguntas frequentes sobre a nova política de combustíveis na Bolívia
Quanto custa o diesel na Bolívia agora? O preço subiu para 17,95 bolivianos por litro (aproximadamente US$ 1,63), um aumento de 83%. O preço agora flutua com base em uma referência internacional, sendo recalculado diariamente.
A gasolina também aumentou? Não, por enquanto o aumento afeta apenas o diesel. O governo indicou que a política de fim de subsídios para outros combustíveis está prevista para 2027, em linha com o programa do FMI.
As estradas estão bloqueadas? Houve ameaças de bloqueios por parte de transportadores e produtores, mas negociações adiaram a maioria dos protestos. É recomendável verificar as condições das estradas antes de viajar.
Está mais fácil ou mais difícil comprar combustível? Está mais fácil no sentido de disponibilidade, pois as longas filas desapareceram. No entanto, o preço é consideravelmente mais alto.


