A América Latina vive uma quarta-feira de instabilidade e anúncios econômicos importantes. A Bolívia enfrenta bloqueios de estradas e uma inflação alarmante, enquanto Venezuela e Colômbia lidam com crises institucionais e políticas. O Brasil, por outro lado, busca combater o crime organizado e alivia impostos para compras internacionais. A Argentina aguarda dados de inflação que podem ser os menores em mais de um ano, e Cuba continua sofrendo com apagões generalizados.
A conjuntura regional se divide em três eixos principais: a volta das manifestações de rua na Bolívia e em Cuba, o avanço da reestruturação institucional na Venezuela pós-Maduro, e a absorção de questões macroeconômicas no Brasil. Conforme divulgado por fontes internacionais, a situação em alguns países da região exige atenção especial devido à complexidade dos desafios enfrentados.
O Campo Grande NEWS checou as informações e apresenta um panorama detalhado dos acontecimentos que moldam o cenário latino-americano nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026.
Bolívia: Bloqueios e inflação de 14% agravam crise
A Bolívia amanheceu com 67 pontos de bloqueio em todo o país, resultado da combinação de uma greve por tempo indeterminado convocada pela Central Operária Boliviana (COB) e uma marcha organizada por setores evistas em direção a La Paz. O presidente Rodrigo Paz Pereira fez um apelo por diálogo, mas a situação é tensa.
A inflação anual atingiu preocupantes 14% até abril, o pior índice em quatro décadas, segundo dados oficiais. Para tentar amenizar a escassez de alimentos, o governo realizou o transporte aéreo de 10.000 quilos de carne para La Paz. As demandas da COB incluem reajustes salariais e a revogação da Lei 1720.
Venezuela: Expansão do TSJ e avanços institucionais
A Assembleia Nacional venezuelana aprovou por unanimidade a reforma que expande o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) de 20 para 32 magistrados. A Sala Constitucional terá agora 7 membros, e as demais câmaras, 5 cada. O deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do ex-presidente, defendeu a medida, enquanto o presidente da Assembleia, Jorge Rodríguez, coordenou o processo legislativo.
Esta é a primeira grande mudança institucional no nível do TSJ sob a atuação da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo em 5 de janeiro após a Operação Resolução Absoluta. A medida visa, segundo o governo, fortalecer o sistema judicial do país.
Colômbia: Petro em rota de colisão com o Conselho de Estado
O Conselho de Estado suspendeu o Decreto 415, interrompendo a transferência de contribuições previdenciárias para a Colpensiones, e emitiu um comunicado assegurando a segurança das aposentadorias. Em resposta, o presidente Gustavo Petro classificou a ação como “bloqueio institucional” e reiterou a menção a uma assembleia constituinte.
No mesmo dia, a senadora Paloma Valencia e Juan Daniel Oviedo lançaram uma chapa presidencial para 2026 com a promessa de um “Plano 30-30”, que prevê a contratação de 30.000 novos policiais e 30.000 militares. A tensão entre o executivo e o judiciário na Colômbia segue alta.
Brasil: Plano contra crime e alívio fiscal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, com R$ 1,06 bilhão em orçamento direto para 2026 e uma linha de crédito de R$ 10 bilhões. O programa foca em quatro pilares: asfixia financeira, sistema prisional, elucidação de homicídios e tráfico de armas.
Na mesma noite, Lula assinou a medida provisória que zera o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 (a “taxa das blusinhas”), com validade a partir de hoje. A Petrobras anunciou um lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre, com dividendos recordes de R$ 9,03 bilhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP).
Argentina: Dados de inflação e pressão sobre Adorni
Uma pesquisa da UBA/OPSA indica que o caso envolvendo o patrimônio de Manuel Adorni enfraqueceu a base eleitoral do presidente Javier Milei. A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, exigiu publicamente uma declaração patrimonial do Chefe de Gabinete. O INDEC divulgará o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de abril nesta quinta-feira, com o consenso do mercado projetando 2,6%, o menor índice mensal em mais de um ano.
A Câmara dos Deputados também analisará quatro pedidos de informação sobre Adorni no mesmo dia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação política na Argentina segue em ebulição com a expectativa dos novos dados econômicos.
Cuba: Crise energética e apagões
A União Elétrica reportou que 61% da ilha ficará sem energia no pico de demanda, com capacidade de geração de 1.290 megawatts contra uma demanda de 3.250 MW, resultando em um déficit de 1.960 MW. Havana registrou apagões de 18 horas consecutivas na segunda-feira, e outras províncias ultrapassaram as 20 horas.
Oito das dezesseis unidades termoelétricas do país estão fora de operação por falhas ou manutenção. Motores de geração a diesel estão paralisados desde janeiro devido ao embargo petrolífero dos Estados Unidos, agravando a crise energética.
Equador: Decisão sobre o estado de exceção iminente
A Secretaria-Geral de Comunicação da Presidência negou formalmente boatos sobre a extensão do toque de recolher até 31 de maio e sua antecipação para as 21h. O Decreto 370, assinado em 28 de abril, tem validade até 18 de maio, com horário entre 23h e 05h em nove províncias e quatro cantões.
O Equador acumula 869 dias sob estado de exceção desde o início do mandato do presidente Daniel Noboa. Uma decisão sobre a renovação ou substituição do decreto é esperada para esta semana. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos da situação no país.
Macro regional: Inflação no Brasil e homicídios no México
O IBGE informou que o IPCA de abril no Brasil ficou em 0,67%, abaixo dos 0,88% de março. A inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,39%. No México, a presidente Claudia Sheinbaum relatou uma queda de 40% nos homicídios intencionais diários entre setembro de 2024 e abril de 2026, com a desarticulação de 2.337 laboratórios clandestinos de drogas.
O subsecretário das Relações Exteriores, Roberto Velasco, confirmou que o México rejeitou um pedido de extradição dos EUA para o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya. O Banco do Brasil divulgará seus resultados do primeiro trimestre após o fechamento do mercado hoje.
Diplomacia regional: Paraguai-China, Panamá-SICA e Nicarágua-Rússia
O Ministério das Relações Exteriores da China acusou líderes paraguaios de agirem como “peões das forças independentistas de Taiwan” após a visita do presidente Santiago Peña a Taipei. O presidente panamenho, José Raúl Mulino, apoiou a reforma da tomada de decisões do SICA, substituindo o consenso por maioria qualificada de 75%.
O Conselho da Federação Russa ratificou um acordo de cooperação militar de amplo alcance com a Nicarágua. Em outra frente, Honduras alcançou um acordo de staff com o FMI para um desembolso de US$ 245 milhões no final de junho. A diplomacia regional segue ativa, com diversos acordos sendo firmados e tensões pontuais.


