Bitcoin despenca para US$ 75.174 com nova era na Fed e liquidações

O preço do Bitcoin sofreu uma queda acentuada, atingindo US$ 75.174 em algumas plataformas e US$ 75.379 em outras, nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026. A desvalorização ocorreu logo após a posse de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Analistas e traders já começam a precificar a possibilidade de aumentos nas taxas de juros em 2026, o que tradicionalmente impacta ativos de maior risco como as criptomoedas. Esse cenário quebra a tese de que o mercado estava aquecido pela liquidez, com o Bitcoin perdendo um importante suporte técnico, o Ethereum recuando 3,52% e o índice HYPE caindo 4,17%. Conforme informações divulgadas, as saídas de ETFs de Bitcoin somaram US$ 1,26 bilhão em cinco sessões, segundo o Campo Grande NEWS checou.

Nova Era no Fed e Impacto no Bitcoin

Kevin Warsh foi empossado como o novo presidente do Federal Reserve em uma cerimônia na Casa Branca, ao lado do presidente Trump. Este evento marca um momento significativo, especialmente considerando as demandas de Trump por cortes nas taxas de juros. No entanto, os mercados já estão precificando um cenário diferente, onde o Fed pode manter as taxas de juros inalteradas ao longo de 2026 e, possivelmente, iniciar um ciclo de alta já no início de 2027. A reunião do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) em junho será o primeiro teste da independência do banco central sob essa nova gestão. O Campo Grande NEWS checou que essa mudança na política monetária pode ter reflexos diretos no valor de ativos digitais.

A tese de que o mercado estava passando por um processo de “limpeza de alavancagem” parece ter se quebrado. O Bitcoin fechou a sexta-feira negociado a US$ 75.379 na Bitstamp e US$ 75.174 nos contratos futuros (perps), com uma queda de 2,95%. O preço mínimo atingiu US$ 75.123, rompendo o importante suporte da “nuvem” em US$ 76.556 e pressionando o piso de US$ 75.042. Indicadores técnicos como o MACD (Moving Average Convergence Divergence) mostram um cenário totalmente baixista, com o histograma em -700 e a linha em -249, abaixo do sinal de +451. O RSI (Índice de Força Relativa) rápido caiu para 40.07, abaixo do lento de 51.38 e da linha média. As liquidações rastreadas pela CoinDesk atingiram US$ 200 milhões, e o Bitcoin perdeu o suporte de US$ 75.000 a US$ 77.000, que havia definido a faixa de negociação na quinta-feira.

Fragmentação do Mercado e Sinais Mistos

O mercado de Bitcoin mostra sinais de fragmentação. Michael Saylor, CEO da MicroStrategy, indicou na quinta-feira que “não é improvável” que a empresa venda parte de seus Bitcoins em 2026. Essa declaração representa um enfraquecimento na postura de “nunca vender” adotada anteriormente pela empresa. No mesmo dia, a Trump Media movimentou, mas não vendeu, US$ 205 milhões em Bitcoin, em meio a perdas crescentes. Por outro lado, há sinais positivos: Eric Seyffart, analista da Bloomberg, aponta que os fluxos líquidos cumulativos para os ETFs de Bitcoin à vista estão próximos de uma máxima histórica de US$ 60 bilhões. Além disso, a oferta de Bitcoin detida por holders de longo prazo (LTH) atingiu um recorde de 16,3 milhões de moedas, conforme o Campo Grande NEWS checou.

A sexta-feira foi marcada por uma movimentação direcional, e não aleatória. O suporte da nuvem em US$ 76.556, que havia segurado os preços na quinta-feira, foi rompido de forma limpa. O preço mínimo nos contratos futuros em US$ 75.123 atingiu o piso de US$ 75.042, considerado a última linha de defesa antes de uma potencial queda para US$ 74.265. O cruzamento de baixa confirmado no MACD e o RSI em 40.07 indicam que há espaço para mais quedas antes de atingir a zona de sobrecompra, entre 28 e 30. Uma recuperação e fechamento acima de US$ 76.556 seria necessário para sinalizar uma reversão no curto prazo.

Divergência Estrutural e Fluxos de Investimento

A divergência estrutural no mercado de criptomoedas está se acentuando. A empresa de análise Santiment classificou a saída de US$ 1,26 bilhão dos ETFs de Bitcoin em cinco dias como um sinal de compra contrária. Seyffart, por sua vez, destacou que os fluxos cumulativos para os ETFs à vista estão perto de um recorde de US$ 60 bilhões. A MicroStrategy comprou 171.238 Bitcoins no acumulado do ano, enquanto apenas 63.450 foram minerados no mesmo período. Esse comportamento sugere que o dinheiro de investidores com alta convicção continua comprando, mesmo diante de notícias negativas, enquanto investidores de varejo e bilionários de grande perfil parecem estar agindo de forma oposta. O vencimento de US$ 6 bilhões em opções de Bitcoin na Deribit em 29 de maio se aproxima, com o ponto de “máxima dor” (max-pain) para os traders se aproximando de US$ 75.000.

Tecnicamente, o Bitcoin rompeu abaixo do cluster de resistência Kijun em US$ 77.128 e da média móvel de 50 dias (50-DMA) em US$ 75.968, que haviam limitado a alta na quinta-feira. O suporte da nuvem em US$ 76.556 agora está rompido. Os próximos níveis de suporte a serem observados são o piso de US$ 75.042 e a banda inferior de Bollinger (BB) em US$ 74.265. Abaixo disso, a zona de US$ 65.000 a US$ 68.000, vista em fevereiro, pode ser reaberta. O MACD confirma a tendência de baixa, e o RSI ainda tem espaço para cair antes de atingir a zona de sobrevenda. Conforme o Campo Grande NEWS checou, um fechamento diário acima de US$ 76.556 seria o primeiro sinal de reversão. A invalidade desse cenário de queda ocorrerá com um fechamento diário abaixo de US$ 74.265, abrindo caminho para os mínimos de fevereiro.

Eventos importantes no radar incluem o feriado de Memorial Day em 25 de maio, quando os mercados americanos estarão fechados, mas o mercado de criptomoedas continuará operando 24/7. O vencimento de opções da Deribit em 29 de maio, com um “call wall” em US$ 82.000 e o “max-pain” em US$ 75.000, adiciona volatilidade. As primeiras declarações de Kevin Warsh como presidente do Fed serão cruciais para definir a direção futura, com o mercado aguardando indicações sobre uma política “dependente de dados”. A primeira reunião do FOMC sob sua liderança, em 17-18 de junho, é aguardada com expectativa, com as probabilidades de alta de juros em 2026 estimadas em 52%.