Bernardo Fontaine assume comando da Codelco em meio a auditoria de produção

Bernardo Fontaine Talavera, economista e nomeado pelo presidente José Antonio Kast, assumiu a presidência do conselho da Codelco na última quarta-feira, 27 de maio. Sua posse ocorre em um momento crucial para a maior produtora mundial de cobre, marcada por uma auditoria interna que investiga possíveis inconsistências nos números de produção de dezembro de 2025. A mudança no comando da gigante chilena é vista com atenção pelo mercado global, dada a influência da Codelco na precificação do metal.

Fontaine substitui Máximo Pacheco, cujo mandato de sete anos à frente da Codelco chegou ao fim. A chegada do novo líder acontece em um cenário de estagnação na produção e sob a sombra de resultados pendentes de uma auditoria interna. A Codelco encerrou 2025 com 1,334 milhão de toneladas de cobre refinado, um volume que busca se recuperar do pico histórico de 1,7 milhão de toneladas alcançado em 2017. A expectativa é que Fontaine, com sua experiência no setor privado e sua atuação política, possa imprimir uma nova dinâmica à gestão da empresa.

Novo líder da Codelco, Fontaine chega para liderar a estatal em momento de desafios

A cerimônia de posse de Bernardo Fontaine ocorreu na sede da Codelco, em Santiago. Ele assume o cargo sob a Lei 20.392, que estabelece a estrutura de governança corporativa da empresa e confere ao presidente da república a prerrogativa de indicar o presidente do conselho e parte dos diretores. Fontaine, que possui graduação em engenharia comercial pela Pontificia Universidad Católica de Chile, chega com a missão de reerguer a produção e otimizar os investimentos em projetos estruturais da companhia.

Em seu primeiro dia, Fontaine se reuniu com o CEO da Codelco, Rubén Alvarado, que permanece em sua função e é responsável pela gestão operacional diária. O presidente do conselho, por sua vez, lidera a estratégia da empresa. A nomeação de Fontaine e de outros dois novos diretores, Luz Granier Bulnes e Alejandro Canut de Bon, sinaliza uma nova fase para a estatal, que busca superar seus desafios de produção e endividamento.

Auditoria interna levanta suspeitas sobre números de produção

O ponto mais sensível no momento da posse de Fontaine é a auditoria interna que aponta para uma possível inflação de cerca de 20.000 toneladas nos números de produção de dezembro de 2025. Embora os resultados ainda sejam preliminares e não confirmados, o caso tem sido o tema de maior discussão na governança da Codelco nos últimos meses. O ministro de Mineração, Daniel Mas, anunciou que o novo conselho terá o mandato especial de investigar essa questão, com a possibilidade de uma auditoria externa ser encomendada, se necessário.

O governo também sinalizou que busca maior accountability sobre a gestão passada. O ministro das Finanças, Jorge Quiroz, declarou que o desempenho da gestão de Pacheco exigirá prestação de contas. O escritório de Pacheco não se pronunciou publicamente sobre as descobertas da auditoria. Sua gestão, que durou cerca de sete anos e atravessou diferentes governos, foi marcada tanto pela estabilização da produção quanto por estouros de orçamento em grandes projetos.

Impacto global da Codelco e o futuro do cobre

A Codelco é responsável por aproximadamente 8% da produção mundial de cobre, enquanto o Chile, como país, responde por cerca de um quarto do fornecimento global. Mudanças na liderança da estatal têm, portanto, um impacto direto nos preços internacionais do metal. A nomeação de Fontaine é observada atentamente pelos traders como um indicativo da direção operacional da empresa nos próximos anos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a estabilidade e o crescimento da produção da Codelco são cruciais para o mercado global de cobre.

O ministro Mas também destacou a necessidade de a Codelco estabelecer alianças e reconhecer a importância da colaboração com o setor privado para consolidar o Chile como uma potência mineradora. Essas declarações abrem a porta para a possibilidade de a nova administração considerar empreendimentos de propriedade mista em alguns ativos da Codelco, embora nenhum acordo específico tenha sido anunciado. Essa abertura para parcerias público-privadas pode ser um fator decisivo para o futuro da empresa, como aponta o Campo Grande NEWS.

Quem é Bernardo Fontaine?

Bernardo Fontaine é economista e engenheiro comercial formado pela Pontificia Universidad Católica de Chile. Possui mais de três décadas de experiência no setor privado chileno, atuando como diretor, executivo e consultor em mais de 20 empresas de diversos segmentos. Ele também participou da Convenção Constitucional de 2022, que elaborou a proposta de nova constituição rejeitada pelo país, e atuou como assessor econômico da campanha presidencial de José Antonio Kast em 2025-2026. Sua trajetória, conforme o Campo Grande NEWS analisou, o credencia para os desafios à frente da Codelco.

Os preços do cobre no final de maio estavam próximos da faixa de negociação do ano, sustentados por estoques apertados e incertezas sobre a demanda chinesa. O conselho liderado por Fontaine herdará essas condições de mercado, além dos desafios internos da Codelco, como o alto endividamento e a necessidade de gerenciar investimentos bilionários em projetos de expansão e modernização, como a transição subterrânea de Chuquicamata e a expansão de Andina.

A Codelco enfrenta um período de transição, com a necessidade de equilibrar a recuperação da produção, o controle de custos e a gestão de seus vastos projetos de infraestrutura. A liderança de Fontaine será fundamental para navegar essas complexidades e manter a posição de destaque da estatal no cenário global de mineração de cobre.