Três crianças foram mortas em um bombardeio na província de Guaviare, na Colômbia, em uma operação militar que marca o fim da política de “paz total” do governo anterior. A ação, nomeada Operação AMON, visou um acampamento de dissidentes das FARC e resultou na morte de pelo menos oito “terroristas neutralizados”, segundo o presidente Abelardo de la Espriella. A confirmação da morte de menores, mesmo que recrutados à força, levanta questionamentos sobre a proteção de crianças em conflitos armados, um ponto sensível que já assombrou administrações anteriores. Conforme divulgado pela rede de rádio La FM, a identificação forense dos corpos segue avançando, revelando a trágica extensão da operação.
Colômbia: Nova era de ofensiva militar com apoio dos EUA
A nova administração colombiana, sob o comando do presidente Abelardo de la Espriella, sinalizou uma mudança drástica na política de segurança do país. A promessa de “paz total”, que buscava negociar com todos os grupos armados, foi formalmente encerrada. Em seu lugar, o governo aposta em uma **ofensiva militar direta** contra as organizações que rejeitaram o acordo de paz de 2016. A estratégia visa tratar guerrilheiros que se recusam a desmobilizar como alvos militares, sem “santuário” em território nacional, conforme declarado pelo presidente.
Essa guinada política coincide com o **aprofundamento da cooperação militar com os Estados Unidos**. A chegada do chefe do Comando Sul dos EUA a Bogotá, durante a operação em Guaviare, reforça a parceria em inteligência e operações conjuntas, especialmente nas fronteiras. A Colômbia, por sua vez, tem investido em modernização bélica, como a aquisição de 17 caças suecos, adequados para missões de precisão como a realizada em Guaviare. O Campo Grande NEWS checou que essa reaproximação com Washington aponta para um foco renovado no combate a “narco-organizações terroristas”.
A tragédia dos menores recrutados à força
A presença de crianças em acampamentos de grupos armados é uma **ferida recorrente na estratégia militar colombiana**. A morte de três menores em Guaviare ecoa incidentes passados, como o bombardeio em Calamar, Guaviare, em novembro do ano anterior, que vitimou sete crianças. O Ministério Público e a Defensoria do Povo colombiano têm insistentemente alertado que crianças, mesmo recrutadas à força, possuem **proteção legal reforçada**. O Estado tem a obrigação de tomar todas as precauções possíveis antes de realizar ataques em áreas onde menores possam estar presentes.
A questão legal sobre se a operação em El Retorno, Guaviare, cumpriu o dever de proteger crianças recrutadas à força será um dos principais pontos de escrutínio. Essa mesma preocupação assombrou o governo anterior, e agora volta à tona com a nova política de ofensiva. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a responsabilidade de proteger esses jovens, independentemente de sua afiliação forçada, é um pilar do direito internacional humanitário.
Nova ofensiva e o impacto em Valle del Cauca
A operação em Guaviare não foi o único golpe contra os dissidentes. Dias depois, o presidente De la Espriella anunciou a **morte de um comandante dissidente conhecido como “Arcadio”** (ou “Felipe”) em Valle del Cauca, na costa do Pacífico. Essa região tem se tornado um campo de batalha crucial para as facções, que disputam rotas para o tráfico de cocaína. A morte de “Arcadio” foi descrita como um “golpe esmagador” para a rede dissidente, segundo a Associated Press.
Essa ação em Valle del Cauca demonstra a amplitude da nova ofensiva, que se estende por diferentes regiões do país. O objetivo é desmantelar as estruturas dissidentes e **eliminar seus líderes**, impedindo sua capacidade de reorganização e operação. O Campo Grande NEWS checou que a estratégia busca desarticular o poder de fogo e a influência territorial desses grupos.
O futuro da segurança na Colômbia
O cenário agora aponta para uma **intensificação dos conflitos e possíveis retaliações**. Após o bombardeio em Calamar no ano passado, o líder dissidente Iván Mordisco prometeu “julgamentos revolucionários” contra os responsáveis. Agora, sua facção enfrenta não apenas o exército, mas também rivais como a de “Calarcá”.
As operações conjuntas com os Estados Unidos e o Equador ao longo da fronteira também exercem pressão sobre os mesmos grupos, mas historicamente, essa tática tende a **deslocar a violência em vez de erradicá-la**. O desafio para o governo De la Espriella será equilibrar a necessidade de segurança com a proteção dos direitos humanos, especialmente no que diz respeito a crianças e adolescentes envolvidos em conflitos armados.


