Bancos querem flexibilizar teto de 12% em crédito imobiliário no Brasil

Grandes bancos brasileiros estão em negociação com o Banco Central para revisar o teto de 12% ao ano para juros em financiamentos imobiliários. A discussão gira em torno do novo modelo de crédito habitacional, que busca readequar recursos da poupança e aumentar a participação de empréstimos sob as regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). A reportagem é de 19 de agosto de 2026, com base em informações do Estadão e Valor Internacional.

Embora as conversas estejam em andamento, não há propostas formais, consultas públicas ou prazos definidos para a alteração do teto. O limite de 12% ao ano permanece em vigor, protegendo os consumidores, mas gerando preocupações no setor financeiro em um contexto de taxas de juros mais elevadas. O novo arcabouço para o crédito imobiliário, lançado em outubro de 2025, exige que 80% dos recursos destinados a empréstimos habitacionais sigam as normas do SFH, com implementação gradual até janeiro de 2027.

A pressão dos bancos por maior flexibilidade no teto de juros surge em um momento em que as taxas de financiamento imobiliário no Brasil em 2026 já se aproximam desse limite. Empréstimos com taxa fixa variam entre 8,5% e 12% ao ano, enquanto operações com recursos do FGTS iniciam em torno de 8,5%. A possibilidade de aumento das taxas de juros no futuro torna o teto de 12% um ponto de atenção.

Entendendo o Teto de 12% e o SFH

O teto de 12% ao ano representa o custo máximo anual, incluindo juros, taxas e comissões, que os bancos podem cobrar em financiamentos imobiliários qualificados pelo SFH. Este limite se aplica a imóveis com valor de até 2,25 milhões de reais, um patamar que foi recentemente elevado de 1,5 milhão de reais, ampliando o alcance de propriedades elegíveis para crédito regulamentado. O SFH, por sua vez, é o sistema de financiamento habitacional do Brasil, majoritariamente lastreado em depósitos de poupança, com o objetivo de tornar o crédito imobiliário mais acessível.

Benefícios do Novo Framework para os Bancos

O novo modelo de crédito imobiliário oferece aos bancos um incentivo para expandir suas operações de financiamento. Eles podem utilizar recursos de captação no mercado de capitais e, em contrapartida, ter acesso a uma quantia equivalente de fundos mais baratos da poupança por cerca de seis a sete anos. Essa vantagem é condicionada ao cumprimento das regras do SFH em 80% das operações de crédito habitacional. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa dinâmica visa equilibrar o custo de captação com a expansão do mercado de crédito.

Alerta do Banco Central sobre o Teto de Juros

Em 18 de agosto de 2026, Gilneu Vivan, diretor de regulação do Banco Central, expressou publicamente suas preocupações. Ele alertou que o limite de 12% ao ano sobre o índice de referência pode se tornar um desafio em períodos de taxas de juros mais altas. Embora Vivan não tenha anunciado mudanças regulatórias, seu pronunciamento sinaliza uma potencial pressão sobre o teto, indicando que o órgão regulador está ciente das dificuldades que o limite pode impor ao setor financeiro.

O Cenário Atual das Taxas de Juros

As taxas de juros para financiamentos imobiliários no Brasil em 2026 refletem a proximidade com o teto estabelecido. Empréstimos com taxas fixas geralmente se situam entre 8,5% e 12% anuais. Já as linhas com taxas flutuantes partem do índice TR acrescido de 8% a 10%. As operações financiadas pelo FGTS começam em aproximadamente 8,5% ao ano. Essa realidade mostra que algumas linhas de crédito já operam no limite superior, levantando preocupações sobre o impacto de qualquer elevação futura nas taxas de juros. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o teto de 12% está no limite superior da faixa de mercado.

Sem Propostas Formais, Teto Permanece

Apesar das negociações informais entre os bancos e o Banco Central, não existe, até o momento, nenhuma proposta formal, consulta pública ou projeto de regra para alterar o teto de 12% no crédito imobiliário. O limite continua em plena vigência, o que significa que os consumidores permanecem protegidos contra custos mais elevados. A iniciativa dos bancos, segundo o Campo Grande NEWS analisou, encontra-se em uma fase inicial, e qualquer modificação substancial dependerá de um processo regulatório formal que ainda não foi iniciado.

Perspectivas para o Crédito Imobiliário

O desfecho das negociações pode ter um impacto significativo no mercado de crédito imobiliário brasileiro, especialmente se o cenário de juros elevados se mantiver. No entanto, qualquer alteração na regulamentação exigirá um processo transparente e formal. Por ora, o teto de 12% continuará a ser um mecanismo de proteção para os tomadores de empréstimos, enquanto os bancos buscam maior flexibilidade em suas operações de financiamento habitacional.