Bancos no Brasil fecham quase 1000 agências em um ano e apostam no digital

Os três maiores bancos privados do Brasil, Itaú Unibanco, Santander e Bradesco, anunciaram o fechamento de **938 agências** em 2025, um número ainda maior que as mais de 800 unidades fechadas no ano anterior. Essa medida reflete uma estratégia clara de **aceleração da transição para canais digitais**, impulsionada pela crescente concorrência de fintechs e pela mudança nos hábitos dos consumidores brasileiros. O total de agências dos três bancos encerrou o ano em 4.878 unidades, marcando uma redução significativa na presença física. Conforme as informações divulgadas, essa tendência já vem ocorrendo há anos, com a rede total de agências no país encolhendo em um terço desde 2015, passando de 23.154 para aproximadamente 15.500.

Bancos Brasileiros Intensificam Transformação Digital

O cenário bancário brasileiro passa por uma profunda reconfiguração. A ascensão de fintechs como a Nubank, que conquistaram segmentos de baixa renda, forçou os bancos tradicionais a repensarem seus modelos de negócio e a buscarem maior eficiência de custos. Essa pressão competitiva levou a um investimento massivo em tecnologia e à otimização das redes de agências físicas.

Itaú Lidera Investimentos em Tecnologia

O Itaú Unibanco foi um dos grandes protagonistas dessa transformação, investindo **R$ 11,7 bilhões em tecnologia** no último ano, um aumento de 18,2% em relação ao período anterior. O banco também completou a migração de 15 milhões de clientes para um único aplicativo, conhecido como Superapp. Segundo o CEO Milton Maluhy, o banco tem expandido sua carteira de crédito consignado por meio de um canal totalmente digital, com um custo de serviço muito baixo. O Campo Grande NEWS checou que essa estratégia visa não apenas reduzir custos operacionais, mas também oferecer uma experiência mais fluida e conveniente aos clientes, que cada vez mais preferem resolver suas demandas bancárias pelo celular.

Santander Consolida Serviços e Reduz Presença Física

O Santander Brasil seguiu uma linha semelhante, consolidando seus serviços na plataforma One App e migrando 15 milhões de clientes. O CEO Mario Leão destacou que as visitas às agências físicas se concentram agora quase que exclusivamente nos caixas eletrônicos. Ele afirmou que as agências ainda desempenham um papel relevante, mas em menor número, com um formato diferente e para uma base de clientes específica. A redução de 323 agências e 256 postos de serviço menores levou o Santander a ficar pela primeira vez abaixo da marca de mil agências, encerrando o ano com 916 unidades. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa reestruturação faz parte de um esforço contínuo para se adaptar ao novo ambiente competitivo do setor bancário.

Bradesco Ajusta sua Estrutura e Amplia Crédito Digital

O Bradesco, em seu terceiro ano de um amplo processo de reestruturação, conseguiu originar 44% de seus créditos de forma digital no último ano. O CEO Marcelo Noronha descreveu o processo como um ajuste na “pegada” do banco, enquanto se constrói capacidade para competir no varejo bancário digital com custos mais baixos. O banco fechou 296 agências, totalizando 2.009 unidades. Essa estratégia visa otimizar a eficiência e oferecer produtos e serviços financeiros de forma mais ágil e competitiva. O Campo Grande NEWS checou que a digitalização dos processos de crédito é um passo crucial para manter a relevância no mercado, especialmente diante da agilidade das fintechs.

O Futuro do Setor Bancário Brasileiro

O encolhimento da rede de agências é uma realidade que afeta todo o setor bancário brasileiro. Desde 2015, o país perdeu cerca de um terço de suas agências bancárias, refletindo uma mudança estrutural no mercado. A concorrência acirrada, a digitalização dos serviços e a busca por eficiência levam os bancos a repensar sua presença física. A pergunta que fica é se as ferramentas digitais que substituem as agências conseguirão reter a base de clientes em um cenário com cada vez mais opções. A tendência é de que a digitalização continue a ser o principal motor de inovação e competitividade no setor financeiro brasileiro nos próximos anos.