Aumento de passagens aéreas no Brasil: Gol e Avianca alertam para alta de até 20%

Um conflito milhares de quilômetros distante está se refletindo diretamente nos bolsos dos brasileiros que precisam embarcar em voos. O aumento expressivo no preço do querosene de aviação, que subiu cerca de 90% neste ano, levou a Abra, holding que controla a Gol e a Avianca, a alertar sobre um possível aumento nas tarifas aéreas de até 20%. Para um mercado que recentemente bateu recordes de passageiros, o choque do petróleo se traduz em um problema de conectividade e acessibilidade.

Gol e Avianca preveem alta de até 20% nas passagens

A holding Abra, responsável pela gestão de companhias aéreas como a Gol e a Avianca, divulgou um alerta importante para os consumidores brasileiros: preparem-se para um aumento significativo nas passagens aéreas. O principal vilão dessa história é o custo do querosene de aviação (QAV), que disparou em virtude de fatores internacionais, e a companhia já sinaliza que o repasse para as tarifas será inevitável. A projeção é de uma elevação de até 20% nos preços, um impacto direto em um setor que tem buscado se recuperar.

Conforme informações divulgadas pela Abra, a relação entre o preço do combustível e o valor das passagens é direta. O CFO da companhia, Manuel Irarrazaval, explicou que cada aumento de US$ 1 por galão no querosene de aviação força uma elevação de aproximadamente 10% nas tarifas. Essa dinâmica, segundo ele, representa um custo adicional de cerca de US$ 70 milhões mensais para o grupo, evidenciando a pressão financeira sobre as operações.

Essa escalada de custos não é um evento isolado. O querosene de aviação, que antes representava entre 30% e 36% dos custos operacionais das companhias aéreas, agora responde por aproximadamente 45%, tornando-se a maior despesa individual após a folha de pagamento. Essa mudança estrutural na composição dos custos exige medidas drásticas para manter a saúde financeira das empresas, conforme o Campo Grande NEWS checou.

A escalada do preço do querosene de aviação

O aumento no preço do querosene de aviação tem sido abrupto e em etapas. A Petrobras, principal fornecedora no Brasil, realizou reajustes significativos. Em abril, houve um aumento de 54,6%, o maior desde 2019, seguido por outro reajuste de 18% em 1º de maio. Somados, esses aumentos fizeram com que o combustível acumulasse uma alta de cerca de 90% em 2026, aproximando o litro de R$ 10 (aproximadamente US$ 1,80).

Apesar de a Petrobras ter buscado amenizar o impacto imediato, limitando o reajuste de abril a 18% e permitindo o parcelamento do restante, a forma como esse custo adicional foi repassado gerou críticas. A cobrança de encargos equivalentes a 108% da taxa CDI sobre os pagamentos diferidos foi vista pelas companhias aéreas e distribuidores como um agravante na pressão sobre os custos. Essa situação, como aponta o Campo Grande NEWS, afeta diretamente a capacidade de investimento e a oferta de voos.

Companhias aéreas reagem com aumento de preços e cortes

Diante do cenário de custos elevados, as companhias aéreas já começaram a repassar parte desses aumentos para os consumidores. Dados indicam que as tarifas aéreas médias já registraram uma alta de 17,8% entre fevereiro e março, passando de R$ 617,78 para R$ 707,16. A Azul, por exemplo, liderada pelo CEO Abhi Shah, elevou suas tarifas médias em mais de 20% em um período de três semanas.

Além do aumento de preços, as empresas também estão ajustando sua capacidade. A Azul está reduzindo sua malha doméstica em cerca de 1% no segundo trimestre. A projeção da associação de companhias aéreas, ABEAR, indica uma redução de 3,3% nos voos domésticos em maio, o que se traduz em aproximadamente 2.225 voos a menos do que o planejado inicialmente. Essa medida é uma resposta à impossibilidade de repassar integralmente o aumento do combustível para as tarifas, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Medidas governamentais para mitigar o impacto

O governo brasileiro tem buscado intervir para aliviar o setor aéreo. Foram zerados os impostos PIS e Cofins sobre o querosene de aviação, e houve o adiamento do pagamento de taxas de navegação aérea. Além disso, o Conselho Monetário Nacional aprovou uma linha de crédito de R$ 8 bilhões, proveniente do fundo de aviação civil, destinada às companhias aéreas.

Novas medidas de alívio estão em estudo, como a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e de tributos sobre o leasing de aeronaves. A associação brasileira de aeroportos defende a implementação dessas ações para garantir a manutenção de rotas e evitar um impacto ainda maior nas tarifas, preservando a conectividade aérea do país.

O que esperar para o futuro das passagens aéreas

Os próximos passos no mercado aéreo brasileiro serão cruciais para definir o futuro das passagens. Acompanhar os próximos ajustes mensais da Petrobras no preço do querosene de aviação é fundamental, pois estes são os principais fatores que influenciam as tarifas. A situação do petróleo no mercado internacional, com o Brent próximo de US$ 110 e a instabilidade no Estreito de Ormuz, também continuará sendo um fator de pressão.

A disciplina de capacidade por parte das companhias aéreas, como Gol, Azul e LATAM, com possíveis cortes adicionais de voos, sinalizará a força da demanda e possíveis perdas de rotas. A efetivação das medidas de alívio governamental, como os cortes de impostos, moldará quanto do custo adicional será realmente repassado aos passageiros. O custo do parcelamento dos pagamentos de combustível, com a taxa de 108% do CDI, continua sendo um fator oculto que impacta o fluxo de caixa das companhias aéreas.