Um violento ataque com bomba cilíndrica perpetrado por dissidentes das FARC na rodovia Panamericana, em Cajibío, Cauca, deixou um rastro de destruição e morte no último sábado, 25 de abril. A explosão, que atingiu um ônibus e pelo menos outros 15 veículos, resultou na morte de 19 civis e deixou 48 pessoas feridas, incluindo cinco menores de idade. O incidente, que abriu uma cratera de 10 metros na via, foi prontamente atribuído pelo governo colombiano à coluna Jaime Martíinez, ligada ao Estado Mayor Central (EMC) e comandada por Iván Idrobo Arredondo, conhecido como “Marlon”.
As autoridades colombianas já ofereceram uma recompensa de aproximadamente US$ 1,4 milhão pela captura de “Marlon”, considerado um dos líderes do grupo dissidente. O governador de Cauca, Octavio Guzmán, declarou três dias de luto oficial no departamento, em resposta ao que já se tornou um dos ataques mais sangrentos contra civis promovidos por dissidentes das FARC nos últimos anos. A gravidade da situação levou ao reforço imediato da segurança na região, com o Ministério da Defesa enviando 13 pelotões de cavalaria blindada e 12 pelotões de infantaria.
Este ato de terrorismo ocorre poucas horas após a cúpula bilateral entre o presidente colombiano Gustavo Petro e a representante venezuelana Delcy Rodríguez, em Caracas. Durante o encontro, ambos os países concordaram em intensificar o combate a grupos criminosos que atuam em regiões de fronteira. A suspeita é que o ataque em Cauca seja uma resposta direta à pressão exercida pelo governo colombiano e à ofensiva militar em curso contra as estruturas lideradas por Iván Mordisco, outro nome de peso entre os dissidentes.
Ataque brutal choca a Colômbia
A explosão ocorreu por volta das 13h, no horário local, na seção El Túnel da rodovia Panamericana, um corredor vital que liga Cali a Popayán, no sudoeste do país. A bomba cilíndrica, lançada contra o fluxo de veículos, dividiu um ônibus ao meio e deixou um rastro de destruição que incluiu uma cratera de aproximadamente 10 metros de profundidade na pista. Testemunhas relatam o caos e o desespero do momento.
Mario Guerrero, um motorista que estava na fila de veículos atingidos, descreveu o horror: “Eu estava em uma fila de carros. Um ônibus chiva estava ao lado tentando passar. Quando acelerei, senti a explosão e fomos arremessados”, contou ele à mídia local. As imagens divulgadas após o ataque mostram a violência da detonação, com veículos completamente destruídos e destroços espalhados pela rodovia.
Dissidentes das FARC são apontados como responsáveis
O Ministério da Defesa, por meio de seu titular, Pedro Sánchez Suárez, atribuiu diretamente o atentado a grupos dissidentes das FARC sob o comando de Néstor Gregorio Vera Fernández, o “Iván Mordisco”. A estrutura específica responsável pelo ataque seria a coluna Jaime Martínez, liderada por Iván Idrobo Arredondo, o “Marlon”.
“Os assassinos são os narco-terroristas dos dissidentes do cartel do alias Mordisco que operam nesta região”, declarou Sánchez. O governo colombiano já divulgou cartazes com a foto de “Marlon”, oferecendo uma recompensa de até 5 bilhões de pesos colombianos (aproximadamente US$ 1,4 milhão) para informações que levem à sua captura. A coluna Jaime Martínez faz parte do Estado Mayor Central (EMC), a maior facção dissidente das FARC que se desvinculou do acordo de paz de 2016. Iván Mordisco, por sua vez, permanece como uma das figuras mais procuradas do país, com recompensas milionárias já estabelecidas para sua captura.
Ofensiva terrorista em Cauca e Valle del Cauca
O ataque em Cajibío não foi um incidente isolado, mas sim o mais grave de uma série de ações terroristas que assolaram as regiões de Cauca e Valle del Cauca. O General Hugo Alejandro López Barreto, comandante das Forças Conjuntas Colombianas, confirmou que 26 ações terroristas distintas foram registradas nos dois departamentos em um período de apenas dois dias.
Além de Cajibío, outros municípios como Caloto, El Tambo, Guachené, Mercaderes, Miranda, Timbío e Patía também foram afetados. Na cidade de Cali, ataques explosivos separados causaram uma morte e deixaram nove feridos. Carros-bomba foram detonados em Corinto e El Bordo, também atribuídos aos dissidentes das FARC. Segundo López, esses ataques são uma resposta à pressão militar e governamental sobre as atividades criminosas desses grupos.
Reforço militar e resposta presidencial
Diante da escalada da violência, o Ministério da Defesa anunciou um reforço significativo na segurança em Cauca. Foram mobilizados 13 pelotões de cavalaria blindada, 12 pelotões de infantaria e unidades adicionais da polícia ao longo do corredor da rodovia Panamericana. O reforço também se estende aos departamentos vizinhos de Valle del Cauca e Nariño.
O presidente Gustavo Petro ordenou a “máxima perseguição” contra os dissidentes das FARC responsáveis pelo ataque. O Exército Colombiano iniciou operações de vigilância aérea sobre Cauca, com o objetivo de detectar dispositivos explosivos adicionais e prevenir novos atentados. Seis equipes forenses interdisciplinares foram enviadas para identificar as vítimas e determinar as causas das mortes. Declarações de solidariedade internacional vieram de países como Peru, Paraguai e Venezuela.
Timing do ataque levanta questões sobre a Paz Total
O ataque em Cauca ocorreu poucas horas após o retorno de Petro de Caracas, onde ele se reuniu com Delcy Rodríguez. O encontro selou um acordo de cooperação entre Colômbia e Venezuela para combater grupos criminosos transfronteiriços, incluindo estruturas dissidentes das FARC e o ELN. O timing do atentado sugere uma possível reação dos grupos dissidentes à maior pressão exercida sobre eles, especialmente considerando que regiões de fronteira com a Venezuela historicamente serviram como refúgio logístico para esses grupos.
Este incidente representa o ataque com maior número de vítimas civis desde que Petro assumiu a presidência, levantando dúvidas sobre a viabilidade de sua política de “Paz Total”, que visa negociar acordos com todos os grupos armados. A suspensão das negociações com o EMC, que já ocorreu em várias ocasiões, torna-se ainda mais politicamente insustentável após este ato de terrorismo. A decisão do governo sobre a continuidade ou suspensão formal do diálogo será um sinal importante a ser observado.
A eficácia do reforço militar também será crucial. Apesar do envio de tropas e equipamentos, a geografia montanhosa e de vales estreitos de Cauca historicamente favorece a atuação de grupos armados. O sucesso da operação será medido pela capacidade de capturar “Marlon” ou desmantelar a coluna Jaime Martínez, e não apenas pelos números de efetivos destacados. Além disso, a cooperação operacional com a Venezuela no combate a estruturas que cruzam a fronteira será um teste concreto para a eficácia da coordenação de segurança bilateral recém-anunciada.


