A Argentina enfrenta uma crise de emprego sem precedentes desde o início do governo de Javier Milei. Mais de 235 mil empregos privados formais desapareceram desde o final de 2023, segundo registros oficiais da seguridade social. Paralelamente, a taxa de trabalhadores sem carteira assinada atingiu o maior patamar em duas décadas, ultrapassando 44,2%. Essa combinação de fatores não apenas afeta a vida dos trabalhadores, mas também impacta o sistema financeiro, com o crédito se tornando mais escasso para consumidores e pequenas empresas.
A situação é um reflexo direto das políticas de austeridade implementadas, que, embora visem o controle fiscal, estão gerando um alto custo social. A perda de empregos formais, com direitos trabalhistas e benefícios, empurra os trabalhadores para um mercado informal, sem garantias como aposentadoria e plano de saúde. Conforme apuração do Campo Grande NEWS, essa transição precária para o mercado de trabalho tem raízes profundas na economia argentina, mas a aceleração recente é preocupante.
A análise dos dados revela que a queda no emprego formal abrange diversos setores cruciais da economia. Construção civil, indústria e comércio, que são particularmente sensíveis a choques econômicos, lideram as perdas. Essa desestruturação do mercado de trabalho tem um impacto direto no cotidiano dos argentinos, com o aperto do crédito e a dificuldade em acessar financiamentos.
Desemprego em Alta e Informalidade Recorde
Os números oficiais pintam um quadro sombrio. De acordo com o Ministério do Capital Humano, foram quase 400 mil postos de trabalho formais a menos no total, sendo 250 mil no setor privado, 130 mil no setor público e 17,4 mil em trabalhos domésticos. O desemprego, por sua vez, subiu para 7,8% no primeiro trimestre de 2026, um aumento considerável em relação aos 5,7% registrados no início do mandato de Milei, conforme o Buenos Aires Herald.
O setor informal tem sido o destino da maioria dos trabalhadores desalocados. Estudos privados indicam que a maior parte dos novos postos de trabalho criados no último ano foram informais, sem contribuições para aposentadoria ou saúde. Sebastião Menescaldi, diretor associado da EcoGo, destaca que a qualidade do emprego está se deteriorando, com a queda no emprego assalariado registrado não sendo compensada por melhores condições em outros lugares, mas sim por atividades precárias.
Crédito Seca e Dificuldades para Pequenos Negócios
A armadilha dessa situação é que, embora a economia informal absorva quem perdeu o emprego formal, ela também os exclui do sistema bancário. Trabalhadores informais não possuem comprovantes de renda estáveis, o que leva os bancos a recusarem seus pedidos de empréstimo. Essa exclusão financeira agrava a crise, pois limita o poder de consumo e o investimento.
O aumento da inadimplência entre os tomadores de crédito, mesmo os formais, também está freando a recuperação do crédito em geral. O Buenos Aires Herald reporta que as altas taxas de calote estão


