O mercado acionário argentino, representado pelo índice S&P Merval, encerrou a semana em forte queda, recuando 2,30% para 2.769.126,64 pontos na sexta-feira, 8 de maio de 2026. Este movimento apagou quase que completamente a recuperação de 4,42% vista na quarta-feira anterior, em um cenário de vendas que se estendeu por duas sessões consecutivas. A perda acumulada na quinta e sexta-feira foi de 3,89%, deixando o índice em sua posição mais vulnerável desde o início da correção, com os olhos voltados para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril, que será divulgado em apenas três dias e é considerado o principal fator que definirá o desempenho do mercado no restante do ano. Conforme informação divulgada pela BYMA, o fechamento de sexta-feira ficou novamente abaixo da média móvel de 200 dias, em 2.781.574 pontos, e perigosamente próximo do piso estabelecido na quarta-feira, a 2.749.913 pontos.
Reversão apagada e indicadores em baixa
A tese de uma “consolidação saudável” defendida na quinta-feira foi rapidamente desmentida. O S&P Merval devolveu 92% do ganho obtido na recuperação de quarta-feira, e agora se aproxima de um nível de suporte crítico. Uma quebra abaixo deste piso pode direcionar o índice para as mínimas de fevereiro, próximas a 2.700.000 pontos. A análise técnica reforça o pessimismo: o histograma do MACD (Moving Average Convergence Divergence) se alargou significativamente de -12.128 para -17.418, revertendo três sessões de melhora e confirmando que o repique de quarta-feira foi um evento isolado, e não o início de uma recuperação sustentada.
O Índice de Força Relativa (RSI), outro indicador importante de momentum, caiu de 47,45 para 41,98, retornando para a zona de atenção abaixo de 45 e se aproximando da zona de sobrevenda. A linha MACD, que indicava uma possível divergência construtiva na quinta-feira com a queda dos preços e a aproximação do indicador, agora mostra uma deterioração alinhada, com preços em queda e o indicador se afastando de zero. A trajetória recente do Merval pode ser descrita como um ciclo de consolidação, rompimento, reversão por capitulação, anulação da reversão e, finalmente, retorno ao ponto de partida, abaixo da média de 200 dias.
CPI de abril: O divisor de águas de 2026
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril, com divulgação marcada para 14 de maio, chega em um momento crucial para o mercado argentino. A inflação mensal nos últimos meses tem mostrado uma trajetória preocupante: 2,2% em janeiro, 2,4% em fevereiro e um salto para 3,4% em março. Este último dado representou o décimo mês consecutivo em que a inflação superou a meta estabelecida pelo Banco Central da Argentina (BCRA). A expectativa agora recai sobre o número de abril.
Uma leitura abaixo de 3% para o CPI de abril seria um forte indicativo de que o pico de março foi apenas um movimento sazonal, reabrindo a narrativa de desinflação que impulsionou o Merval de 2.700.000 para 2.955.000 pontos durante a recuperação anterior. Por outro lado, um índice igual ou superior a 3% confirmaria a reaceleção inflacionária, configurando o décimo primeiro mês consecutivo acima da meta, e apontaria para um reteste do piso de capitulação em 2.750.000 pontos, com potencial de atingir a zona de 2.700.000 pontos, que representa o fundo da correção de fevereiro. O Instituto Argentino de Pesquisa Econômica (PIIE) alerta que o quadro monetário atual “contém novas vulnerabilidades” e que a “confiança pode evaporar facilmente diante de eventos adversos”, segundo o Campo Grande NEWS checou.
Posicionamento e perspectivas
Os próximos dias serão cruciais para o posicionamento dos investidores. A resistência imediata para o S&P Merval está em 2.781.574 pontos (média de 200 dias), seguida por 2.808.355 (média de 50 dias) e 2.876.694 (EMA de 21 dias). No lado negativo, o suporte mais importante é o piso de capitulação em 2.749.913 pontos, a apenas 19.214 pontos de distância do fechamento de sexta-feira. Abaixo disso, o próximo alvo seria a zona de 2.700.000 pontos, o fundo da correção de fevereiro.
A divergência na América Latina se acentua, com o México já tendo completado sua correção e o Chile mostrando sinais de recuperação. A Argentina, por sua vez, se encontra em uma posição delicada, aguardando um dado econômico que pode determinar a direção do mercado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a acumulação de reservas do BCRA neste ano está em torno de US$ 3,3 bilhões, com uma meta de US$ 10 bilhões, enquanto o pico da colheita de soja e um empréstimo de US$ 2 bilhões do Banco Mundial oferecem algum suporte, mas a incerteza inflacionária prevalece.
O viés predominante no mercado é de bearish (baixa), com a reversão de quarta-feira apagada, o índice abaixo da média de 200 dias e a iminência do CPI. A posição atual do Merval, a 2.769K com o piso de capitulação a 2.750K, o coloca em um momento binário. Uma inflação abaixo de 3% pode revalidar a tese de desinflação e impulsionar uma recuperação, enquanto um número acima de 3% pode levar à quebra do suporte e a novas quedas. A decisão está em três dias, e todo o cenário de investimento para o ano pode depender deste único número, como observado pelo Campo Grande NEWS.


