Esquema movimentou R$ 2 bilhões
Uma megaoperação da Polícia Federal, batizada de Conexão Rio Preto, desarticulou uma organização criminosa especializada em lavar dinheiro para o jogo do bicho e videobingo do Rio de Janeiro. Um dos alvos, com atuação em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, é suspeito de realizar saques que ultrapassam a marca de R$ 100 milhões em espécie. A ação policial ocorreu simultaneamente em quatro cidades de três estados diferentes, expondo uma complexa rede de ocultação de patrimônio que utilizava empresas de fachada e transações financeiras fraudulentas.
As investigações, conduzidas pelo Ministério Público de São José do Rio Preto (SP), revelaram que o grupo criminoso prestava um serviço sofisticado de lavagem de capitais. Para isso, utilizavam máquinas de pagamento por cartão instaladas diretamente nas bancas de apostas, contas de empresas fantasmas, principalmente no ramo da construção civil, e uma estratégia de saques fracionados para não levantar suspeitas das autoridades financeiras.
A operação cumpriu um total de 11 mandados de busca e apreensão e 9 de prisão preventiva. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, as ações foram deflagradas nos municípios de Campo Grande (MS), São José do Rio Preto (SP), Guapimirim (RJ) e na capital fluminense, Rio de Janeiro (RJ), desmobilizando núcleos importantes da organização.
A lavagem de dinheiro e o núcleo paulista
O ponto de partida da investigação foi em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Lá, um dos principais núcleos da organização utilizava empresas do setor de construção civil para movimentar e ocultar os recursos ilícitos provenientes da contravenção no Rio de Janeiro. Essa estrutura permitia que o dinheiro sujo fosse reintroduzido na economia com aparência de legalidade.
Segundo o Ministério Público, os elementos reunidos na investigação são robustos. “Os suspeitos teriam prestado serviço de lavagem de capitais relativo à exploração do jogo do bicho e do videobingo no Estado do Rio de Janeiro, por meio de máquinas de pagamento por cartão instaladas nas bancas, de contas de empresas de fachada e de saques fracionados em espécie”, afirmou o órgão em nota oficial.
A complexidade do esquema fica evidente nos valores movimentados. Entre janeiro de 2019 e março de 2026, período analisado na investigação, o grupo movimentou a impressionante cifra de R$ 2 bilhões entre créditos e débitos em suas contas, demonstrando a escala industrial da operação de lavagem de dinheiro.
Bloqueio bilionário e prisões
Como resultado da Operação Conexão Rio Preto, a Justiça determinou medidas cautelares patrimoniais de grande impacto. Foram bloqueados R$ 2,09 bilhões em bens, incluindo imóveis, veículos de luxo e ativos financeiros que estavam em nome de 18 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema. O sequestro de bens e o bloqueio de valores em contas bancárias e criptoativos visam descapitalizar completamente a organização criminosa.
A ação policial mobilizou um grande efetivo, com a participação de 88 policiais federais e quatro promotores de Justiça. Em Campo Grande, um dos endereços alvo da operação, foram apreendidos celulares que agora passarão por perícia técnica. O material, como checou o Campo Grande NEWS, pode revelar novos detalhes sobre a participação do núcleo sul-mato-grossense na rede criminosa.
Os próximos passos da investigação
Com as prisões e o vasto material apreendido, a investigação entra em uma nova fase. A análise dos celulares, documentos e dados financeiros deve aprofundar o entendimento sobre o funcionamento da organização e identificar outros possíveis envolvidos. Até o momento, os nomes dos investigados não foram divulgados para não atrapalhar o andamento do inquérito.
Os suspeitos presos preventivamente devem responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, cujas penas podem ser somadas e resultar em longos períodos de reclusão. O trabalho conjunto entre a Polícia Federal e o Ministério Público, conforme divulgado, foi fundamental para o sucesso da operação, que representa um duro golpe contra as finanças do crime organizado. O Campo Grande NEWS continua acompanhando os desdobramentos do caso.

