Alpargatas ALPA4: Margem Bruta Recorde de 50% no Brasil Impulsiona Lucros em Q4 2025

A Alpargatas (ALPA4) surpreendeu o mercado ao divulgar seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2025, apresentando uma margem bruta recorde de 50,4% no Brasil e um lucro líquido que alcançou o maior patamar da história da companhia. O desempenho robusto reverte cenários desafiadores de anos anteriores e sinaliza uma recuperação sólida.

Conforme informação divulgada pela empresa, o lucro líquido do quarto trimestre de 2025 foi de R$ 197 milhões, um salto expressivo em relação aos R$ 2 milhões registrados no mesmo período de 2024. Essa recuperação é impulsionada principalmente pela margem bruta recorde de 50,4%, a maior desde o início do processo de reestruturação da empresa. O EBITDA ajustado também apresentou um crescimento notável, saltando de R$ 36 milhões para R$ 211 milhões no trimestre.

O ano de 2025 se consolida como um marco para a Alpargatas, com um lucro líquido anual de R$ 567,9 milhões, o mais alto já registrado. Além disso, a companhia demonstrou forte compromisso com seus acionistas, retornando mais de R$ 1,2 bilhão através de dividendos e redução de capital. O endividamento líquido em relação ao EBITDA caiu para aproximadamente 0,8 vez, indicando uma saúde financeira fortalecida.

Desempenho Operacional e Margem Bruta Histórica

A receita líquida da Alpargatas no quarto trimestre de 2025 atingiu R$ 1,26 bilhão, um aumento de 11,8% em relação ao ano anterior. Simultaneamente, o custo dos produtos vendidos (CPV) apresentou uma queda de quase 17%, totalizando R$ 623 milhões. Essa combinação resultou em um lucro bruto de R$ 633 milhões e na expressiva margem bruta de 50,4%.

A forte expansão na margem bruta é explicada, em parte, por uma base de comparação desfavorável em 2024, quando a empresa sofreu com baixas de estoque que impactaram negativamente os custos e as margens. Com a ausência dessas baixas em 2025, e com a implementação de estratégias de precificação disciplinada e ganhos de eficiência em manufatura e logística, a rentabilidade subjacente do negócio Havaianas tornou-se mais evidente.

O EBITDA ajustado alcançou R$ 211 milhões no trimestre, contra R$ 36 milhões no ano anterior, elevando a margem EBITDA ajustada para 16,8%, um avanço significativo em relação aos 3,2% de Q4 2024. A operação Havaianas, especificamente, registrou uma margem EBITDA ajustada de 17,1%, comparada a 2,7% um ano antes.

Havaianas Brasil no Auge e Expansão Internacional

O mercado brasileiro se destacou como o principal motor de resultados. Embora o volume de vendas de Havaianas no Brasil no quarto trimestre de 2025 tenha sido ligeiramente inferior ao do ano anterior (60,8 milhões de pares contra 62 milhões), a melhor precificação e um mix de produtos mais forte compensaram a queda. O indicador de sell-out, que mede a saída de produtos no varejo, cresceu 8% no trimestre, sinalizando uma gestão eficiente de estoques e demanda resiliente.

A margem bruta no Brasil atingiu 50,9% no quarto trimestre de 2025, um recorde histórico para a empresa em um único trimestre. Esse desempenho reflete ganhos em eficiência fabril, melhorias logísticas, incluindo redução de custos de frete, e a ausência de baixas de estoque do ano anterior. Para o ano completo, a receita no Brasil cresceu 10%, alcançando R$ 3,4 bilhões, com um EBITDA de aproximadamente R$ 824,7 milhões e margem de cerca de 24%.

No cenário internacional, os volumes saltaram 82,5% ano a ano, atingindo 5,7 milhões de pares, com receita de R$ 184 milhões, um aumento de 45%. O crescimento nos Estados Unidos foi particularmente expressivo, impulsionado pela formação de estoque inicial com o novo distribuidor, Eastman Group, para o modelo que será lançado em 2026. A Europa também apresentou melhoras orgânicas, com o sell-out crescendo na casa dos dígitos médios em mercados chave, indicando uma recuperação após anos de contração.

Retorno aos Acionistas e Disciplina de Capital

A Alpargatas demonstrou uma gestão financeira prudente, retornando mais de R$ 1,2 bilhão aos acionistas em 2025, por meio de dividendos e uma redução de capital de R$ 850 milhões. O endividamento líquido em relação ao EBITDA se situou em torno de 0,8 vez, o menor nível em anos, permitindo à empresa iniciar um novo ciclo corporativo com maior flexibilidade financeira.

A empresa confirmou que não exercerá a opção de aquisição da participação remanescente na Rothy’s, focando seus esforços na expansão global da marca Havaianas. Essa decisão estratégica reforça a prioridade da Alpargatas em consolidar sua marca principal no mercado internacional.

Perspectivas e Desafios para 2026

A Alpargatas não apresentou projeções financeiras formais para 2026, mas indicou expectativas de crescimento mais acelerado nas operações internacionais, especialmente nos Estados Unidos com o novo modelo de distribuição, e na Europa. O crescimento no Brasil dependerá das dinâmicas de renda do consumidor e da trajetória da taxa Selic.

O principal catalisador de curto prazo é o lançamento do modelo de distribuição com a Eastman Group nos EUA em 2026. O mercado observará se o sell-through americano acelerará após o preenchimento de estoque. A recuperação europeia e a trajetória de cortes na taxa Selic no Brasil também serão fatores cruciais para o desempenho da empresa no próximo ano.

Os riscos incluem a possibilidade de o novo modelo nos EUA não gerar o tráfego de vendas esperado, a volatilidade cambial, e os impactos de tarifas sobre produtos fabricados na China que afetam a Rothy’s. A recente controvérsia envolvendo uma campanha da Havaianas também é um ponto de atenção, embora o impacto comercial de curto prazo pareça limitado, conforme indicado pelo sell-out positivo no trimestre.

A taxa Selic de 15% no Brasil representa um risco macroeconômico imediato, podendo impactar o poder de compra do consumidor. No entanto, a Alpargatas tem demonstrado resiliência através de disciplina de preços e foco em canais de maior margem. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a empresa está bem posicionada para navegar esses desafios, capitalizando sobre as melhorias operacionais e a recuperação da marca.

A gestão da Alpargatas tem sido consistente na comunicação de sua estratégia de gerenciar o fluxo de entrada de produtos (sell-in) em linha com o sell-out, evitando acúmulo de estoques e defendendo preços. A forte participação de mercado da Havaianas no canal de supermercados, com 77%, oferece um piso de volume estável mesmo em períodos de menor gasto discricionário. A experiência e expertise da equipe de gestão, aliadas à autoridade da marca Havaianas, conferem à Alpargatas uma confiabilidade notável no mercado. O Campo Grande NEWS acompanha de perto a evolução da empresa.

A evolução do processo de sucessão do CEO também é um ponto a ser observado. A saída de Pedro Moreira Salles da presidência remove um importante patrocinador institucional da estrutura de liderança. A nomeação de um CEO permanente com um mandato claro para expansão internacional seria um sinal de governança positiva para as ações. A Alpargatas, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, segue atenta a esses desenvolvimentos.